Texto e Entrevista por André Rossanez

Deborah Blando marcou muito a vida de todos nós com sua música e sua arte. A compositora e cantora acaba de lançar o seu single “We Fly” junto ao DJ Bruno Knauer.

Para nossa imensa alegria, o Portal Me gusta teve o privilégio de entrevistar a artista, que está se mudando para Inglaterra, por WhatsApp.

Na entrevista relembramos como surgiu o amor de Débora pela música e falamos sobre sua carreira, música nova e da nova fase de sua vida. Saiba tudo o que conversamos, na íntegra.

Me Gusta: Relembrando, como surgiu a música em sua vida?

Deborah Blando: A minha mãe diz que me levaram no médico, porque toda vez que tinha comercial na televisão da Itália e que tinha música, eu ficava paralisada e achavam que eu tinha problema de audição e aí o médico disse “não, ela fica paralisada porque ela tá ouvindo”. A música surgiu muito naturalmente. Na Itália todo mundo, em todas as escolas desde o jardim de infância, tem muita música. Eu aprendi a cantar, acho que na escola e com a televisão. Aprendi praticamente a cantar e falar ao mesmo tempo. Com menos de três anos, eu estava vencendo o Festival de San Remo para crianças na Itália, que os meus primos me escreveram e mandaram uma gravação minha, não sei como naquela época. E eu ganhei o festival junto com outras crianças, eram escolhidas dez. Foi assim que surgiu.

Me Gusta: Como se dá seu processo de composição e quais suas inspirações?

Deborah: O processo de composição vem mudando com os anos. Mas é sempre uma inspiração que vem, algo que vem sei lá, tomando banho e aí vem uma melodia, uma ideia. Eu acho que a composição, já tá meio que pronta, assim, de algum lugar, você vai e capta. É uma coisa independente, claro, a gente cria o tempo todo, vem da nossa mente. Mas é como se ela já tivesse no inconsciente coletivo também, sabe? E você vai e recupera aquilo alí e coloca uma voz, uma melodia, uma letra, uma harmonia. Ultimamente as minhas composições vem sido mais espirituais, músicas que ofereço para os budas, de oferendas, de mandalas de oferendas ou são a minha devoção com meu guia espiritual, minha paixão. Eu sou muito apaixonada, tenho muita devoção e com isso me sinto mais próxima à ele. Porque eu quero me tornar como ele, é uma pessoa que ajuda muita gente o tempo todom Imagina você se tornar uma pessoa que muda a vida dos outros de uma forma profunda, e traz paz interior pros outros. Então, pra mim ela vem dessa paz,, da compaixão e do amor. Hoje em dia música pra mim, é isso, uma extensão das minhas pequenas realizações espirituais.

Me Gusta: Como surgiu a canção “We Fly”? Como foi feita a escolha dela como Single?

Deborah: A música surgiu da ideia do JP, da Liner Company, amigo meu, que achava que eu tinha que compor com o Bruno Knauer, que é um super talento, produtor e compositor também. E daí vi uma base dele e eu já tinha ideias com o Diego Marcsant, que é um amigo meu que também compôe bastante, mas acho que nunca lançou uma música com ninguém, porque o fico dele é cabelo, ele é meu cabeleireiro. É engraçado, eu gosto disso, gosto das coisas que são orgânicas, naturais. Foi isso. Eu fiz uma música em cima, falando do meu momento, que é “We Fly”, voando pra novos horizontes, novos ares, novos vôos na minha vida. Eu me sinto um pouco uma fênix, que passou por muita coisa e hoje em dia eu tô voando e é um vôo mais alto, porque é um vôo espiritual fazer formação para professores aqui e ter sido aceita dentro de tantos milhões de pessoas no mundo todo. Então é bum vôo alto. Acho que rsse seria o vôo mais alto.

Me Gusta: Você está se mudando pra Inglaterra. Como está sendo a expectativa?

Deborah: Morar aqui na Inglaterra, ainda mais em um centro de budismo kadampa e meditação, é um sonho que eu tinha, desde que eu vim aqui e conheci o meu guia espiritual que é o Sig Yatsu, que é uma pessoa iluminada, literalmente um Buda. Eu queria morar aqui e ter essa paz de viver em comunidade, de encontrar essa paz, estudar mais a fundo o Budismo. Tá sendo maravilhoso, porque toda vez que eu vinha morar aqui por um tempo, eu deixava alguma coisa para trás, eu não ficava inteira aqui, por causa dos meus cachorros e agora eu trouxe os cachorros e o namorado. Claro que minha família ficou, mas eu vou visitar eles e eles vem me visitar. Mas eu digo assim, os meus filhos caninos vieram juntos comigo e meu namorado também, que já tava vivendo comigo, a gente já tava morando junto. Então agora é uma coisa diferente. É diferente porque tô aqui por inteiro mesmo.

Me Gusta: Vocês já emplacou mtos sucessos em novelas. Como é pra você ouvir suas músicas na telinha e chegando a tanta gente?

Deborah: Novela para mim é sempre uma benção, é muito bom. Tenho 21 temas de novela, mas cada vez que ouço uma novela nova, é como se fosse a primeira vez para mim. Que nem, sei lá, é sempre uma surpresa, sempre uma felicidade, uma comemoração. Eu adoro.

Me Gusta: Como vc vê o Pop atualmente?

Deborah: A Música Pop hoje em dia mudou muito. O Pop uma época, tinha muita melodia, poesia e produções tipo ‘Uau’. Hoje em dia no Brasil, ela não tem mais isso, grandes cantoras que arrepiam a alma, como tem aqui, como Celine Dion e Christina Aguilera. No Brasil não é uma cultura, fora a Iza, que é uma grande cantora. E tem umas outras cantoras também de outras gerações que estão aí na praça, que são Elba Ramalho, Vanessa da Mata, enfim. Claro que a gente tem música boa, mas é a minoria e de cantora também, eu diria que é a minoria também, que são as vozes que a gente admira hoje em dia. Então, é uma pena, porque a gente perdeu muito musicalmente no Brasil.

Me Gusta: Como é sua relação com seus fãs?

Deborah: A relação com os meus fãs é um Extended Family, eu falo aqui para as pessoas. É uma extensão, como se fosse uma família. A minha relação com eles é muito estreita, conheço eles. E existe um grupo também, o Blando Maníacos. Eles são independentes de mim e eles já têm uma amizade muito grande através da minha música, o que fez com que eles se encontrassem na vida e dividissem muitas outras coisas em suas vidas pessoais. Isso para mim já valeu. Já valeu ter essa relação assim com os fãs. Tudo eu pergunto para eles, eles me dão conselhos, eles me mandam vídeos para postar, eu reposto vídeos deles. É uma relação muito legal, é uma coisa que alimenta eles e alimenta à mim. É para vida

Me Gusta: Dentro do que você puder adiantar, quais os próximos passos da carreira?

Deborah: Nada planejado em carreira, porque agora eu fui aceita em um programa de ensino para formar professores residentes de budismo e meditação e é um programa intensivo que começa em Fevereiro. Então, vou dar ‘um pause’ na minha carreira, porque eu quero fazer esse curso e me aprofundar na minha vida espiritual e não tenho planos, não sei quando. Porque essa música na verdade é um presente de ‘goodbye for now’, de tchau por enquanto. Não sei quando vou fazer alguma coisa na minha carreira de novo, essas coisas a gente não sabe mesmo. Não tenho nada planejado, meu único plano agora é me concentrar em meus estudos budistas.

Me Gusta: O que você diria aos cantores em começo de carreira?

Deborah: Não sei o que eu diria para os cantores, porque como eu disse, a música de qualidade, de melodias acho que ainda tem. Não sei como o mercado tá, eu tô meio por fora do mercado, pra ser bem sincera, porque tô em outra aqui na Inglaterra. Mas eu diria: segue o seu coração, faz aquilo que você gosta. Talvez hoje em dia, o que faz sucesso não é ter um vozeirão, é cantar bem, mas se você tem esse talento segue firme, que uma hora acontece. As coisas mudam, tudo é ‘mudismo’ de qualquer forma. Então, daqui a pouco música boa volta a tocar aonde não tem bastante melodia, poesia, harmonia. É um sonho que a música voltasse a fazer sucesso no Brasil como faz aqui na Inglaterra. Na Inglaterra tem muita coisa legal, música pop bacana, cheia de arranjo e melodia bacanas e com cantores excelentes. Seria muito bom se isso pudesse acontecer no Brasil também. Então, eu diria: segue o seu sonho.