Texto e Entrevista por André Rossanez

O cantor e compositor Bryan Behr lançou na Sexta, 31 de Janeiro o seu primeiro álbum “A Vida é Boa”.

O Portal Me Gusta teve a oportunidade e o privilégio de entrevistar Bryan na sede da Universal Music em São Paulo para falar desse novo momento em sua carreira.

Conversamos sobre o single “A Vida É Boa Com Você”, música, carreira, composição e claro, sobre o novo trabalho que traz 11 músicas que falam com nosso coração e são inspiradoras.

Capa do álbum “A Vida é Boa”

Saiba tudo o que conversamos, na íntegra e conheça um pouco mais sobre Bryan Behr, um artista muito talentoso, sensível e que ama a música e canta e compõe com muito amor.

Portal Me Gusta: Como foi escolher o repertório do álbum “A Vida é Boa”?

Bryan Behr: A gente entrou em estúdio e entrei com a minha pastinha lá com 150 faixas escritas. E dessas 150, a gente tinha que tirar 11. Então a gente gosta de dizer, que foi um problema bom a gente ter que escolher 11 de 150 que já tinha escrito. Ter tantas músicas para fazer o álbum abriu nesse momento, a oportunidade de fazer um disco que falasse sobre vários temas, falando de letras e tivesse uma dinâmica muito interessante. Você vê, no mesmo disco eu tenho uma música que escrevi para minha irmã, uma sobre relacionamento, outra que fala sobre término de relacionamento, uma que é muito dançante e outra que nem tanto, outra que é bem triste e uma que é só voz e violão muito reflexiva. Então ter a oportunidade de ter tantas músicas para escolher as do álbum, abriu um leque para a gente trabalhar não só nos temas, como nos arranjos e ter um disco bem diversificado.

Me Gusta: Quais são as suas inspirações na hora de compor as canções?

Bryan: Acho que as coisas que mais inspiram para escrever, são histórias e pessoas reais. Adoro sentar e ter longas conversas com os amigos e pessoas próximas a mim, para descobrir e ouvir histórias e entender sobre os sentimentos que essas histórias passam e transmitir isso com a música. As vezes é engraçado, até acontece de amigos me chamarem e ‘pô, quero contar uma coisa que aconteceu com a minha tia’, sabe? Sobre o relacionamento que ela teve com cara de outro país. Adoro essas histórias e adoro muito fato de por trás de uma música ter uma história de verdade, porque eu particularmente crio um carinho maior pela obra. Como Nando Reis, que tem músicas que ele escreveu para Cássia, por exemplo. Aquilo quando a gente canta, ou ouve, a música fica tão mais especial, porque a gente sabe que tem uma coisa verdadeira por trás. Acho que a parada para mim sempre foi essa. Sempre gostei de escrever sobre coisas que realmente aconteceram, não só na minha vida, mas também nas das pessoas.

Me Gusta: Como surgiu a escolha do título do álbum, “A Vida é Boa? Teve influência da canção “A Vida é Boa Com Você”?

Bryan: A música de trabalho “A Vida é Boa Com Você” de alguma forma ajudou a construir e a escolha do nome do álbum, foi natural. A gente não pensou “precisamos de um nome para o álbum”, porque tinha tanta coisa legal acontecendo na minha vida na época em que a gente começou a produzir. Eu conheci meus empresários, foi a primeira vez que fui ao Rio de Janeiro, andei de avião pela primeira vez, por exemplo. Tinha tanta coisa acontecendo, que essa frase “A Vida É Boa” sempre batia na minha cabeça assim. É uma frase que me acompanha há muito tempo e eu a dizia quando tava vivendo esses momentos bons da minha vida. Por mais que eu também tinha vivido coisas tristes e que não queria ter vivido, esses momentos me davam muito essa luz de que a vida realmente é boa, apesar de todos os pesares, vamos dizer assim. Então essa frase sempre bateu em mim e eu sempre falava “pô, a vida é boa” e aí quando a gente precisava do nome do álbum veio “A Vida É Boa”. Foi bem natural.

Me Gusta: Com surgiu o single “A Vida é Boa Com Você”?

Bryan: Ela fala sobre relacionamentos que eu tive no passado e fala por si só gosto muito como te falei descrever sobre as coisas que aconteceram porque aí sabe até uma oportunidade de criação maior só preciso encaixar de fato bento de formato da música as coisas que aconteceram então surgiu desse que elas elementos seu chego no passado

Me Gusta: Uma canção muito especial do disco é “Bem Que Eu Me Avisei”. Como ela surgiu!

Bryan: “A Vida é Boa Com Você” fala de um relacionamento que tive no passado e “Bem Que Eu Me Avisei” fala sobre o término desse mesmo relacionamento. Na verdade eu não escrevi única e exclusivamente sobre esse término, porque escrevi a música junto com Fábio Ferrari, que é um compositor e grande amigo meu. E foi engraçado, porque a gente tava em um evento em São Paulo e tem um grande amigo nosso que tinha acabado de terminar o namoro e as pessoas chegavam na gente perguntando dele, porque ele e a namorada eram muito próximos e eu falei “pô, é muito triste” e foi aí que veio a frase “se alguém me perguntar como anda você, vai ser difícil no começo, eu sei, não saber responder”. A música surgiu na verdade quando eu estava no show da Ana Gabriela em São Paulo e se não me engano ela cantou “Relicário” do Nando Reis e na música tem uma frase que diz “eu trocaria a eternidade por essa noite” e eu quis replicar esse sentimento em uma música minha. Então por isso que eu comecei escrevendo “vou fazer com que essa noite acabe, antes que seja tarde e eu me perca de você”. Justamente mostra esse sentimento de que a gente não pode fazer com que uma noite não acabe, mas se pudesse faria. Então a gente juntou uma história com a outra, com a desse nosso amigo. Escrevi até o primeiro refrão, se não me engano e depois chamei o Fabinho para ir até o estúdio comigo e terminar de compor. E a gente terminou super rápido. É uma música que eu gosto bastante e bate de um jeito muito legal nas pessoas.



Me Gusta: Quais são suas maiores inspirações musicais?

Bryan: De influências musicais, eu poderia ficar falando horas de várias pessoas que admiro e que formaram o artista que sou hoje. Mas acho eu não poderia deixar de citar o Lenine e nem o Nando Reis e o Marcos Almeida. O Lenine pela energia que ele coloca na música dele e o jeito com que ele traz o lugar em que vive na música dele. O Nando por dominar tão bem as palavras e falar tão bem dos sentimentos de uma forma tão genuína e verdadeira sobre as coisas que ele vive isso. Com certeza é uma de minhas maiores influências, falando sobre composição. E o Marcos sobre como ele trata a música dele com tanto carinho e preciosidade. Você ouve uma música do Marcos e sabe que ele não escreveu por escrever. Ele me ensinou muita coisa, tive a honra de conhecer ele pessoalmente e hoje a gente é amigo e ele me fala uma coisa muito interessante que ele vê na minha música e que obviamente vejo na dele também, que é fazer música como uma forma de artesania, como se você fizesse por amar as coisas e não por ser amado pelas pessoas. A gente faz música por amar alguma coisa ou alguma pessoa e não faz uma música para que as pessoas amem a gente e é isso, as pessoas vão gostar das músicas desde que elas sejam de verdade. Eu não quero fazer uma música que termina daqui 3 meses e ninguém lembre de mim e nem para que as pessoas lembrem de mim e faço sim, porque eu sinto de verdade que cai aqui no mundo para fazer isso e que é o que gosto e amo fazer e o que sei fazer de melhor hoje na minha vida.

Me Gusta: Como é sua relação com seus fãs?

Bryan: Faz pouco tempo que comecei a produzir os meus primeiros conteúdos. Em 2017 lancei meu primeiro vídeo e fiquei muito feliz, porque desde o primeiro tinha muita gente mandando mensagens de carinho de “pô, continua”, “gosto da sua música”. Aí fiz o meu primeiro show em 2017, mas morrendo de medo, super ansioso, me tremendo todo e os fãs já estavam. O show era num sushi. Fechei os olhos e cantei a primeira música, que era “Da Cor do Girassol” e as pessoas cantaram junto comigo eu falei, “caraca as pessoas então aqui pra me ver cantar”. Então acho muito carinhosa a forma como as pessoas recebem meu trabalho. Eu recebo muitas mensagens super bonitas de como as pessoas receberam. Às vezes recebo mensagem de pessoas que receberam a música de uma forma sei lá, espiritual. Gosto muito de criar essa relação de sempre responder ao máximo de mensagens que eu posso e de comentários que posso. Me sinto muito mal às vezes quando tem trocentas mensagens e comentários para responder e eu não consigo. Sempre que tenho um tempinho, até mesmo antes de dormir, abro o celular e respondo o máximo que posso, porque eu já tive ali também. Já mandei mensagem para o próprio Marcos Almeida e pro Nando Reis e já foi respondido pelos dois, e foi para mim tão incrível que eu falei, “eu tenho que no mínimo, se tiver oportunidade, como tenho hoje, de responder essas pessoas”, pra que de alguma maneira a minha música toque elas mais vezes e elas continuem gostando do meu trabalho.

Foto: Washington Possato

Me Gusta: Qual a melhor e a pior parte da carreira artística?

Bryan: A A melhor parte é sem sombra de dúvidas o palco. Acho que ouvir as pessoas cantando a minha música é a parte mais legal de todas. A a gente fez um show em Abril de 2019 na minha cidade e foi incrível, porque foi onde eu comecei e a gente fez um show lá e tava todo mundo no teatro cheio cantando as minhas músicas e foi muito doido para mim. De alguma maneira escrever e compor é se expor. E quando eu tô no palco a sensação é que eu tô nú, você tá ali expondo todas as suas fragilidades para as pessoas, antigo relacionamento, seus amores, coisas que deram ou não certo e períodos da vida. Então você tá meio se abrindo para essas pessoas e a parte mais legal de todas é essa, é você estar no palco sendo você mesmo e mostrando quem é. E você vê que as pessoas sentem coisas que você também sente e somos parecidos. E a pior parte m, acho que pode ser que algumas pessoas ao verem essa melhor parte no palco, às vezes acham que é isso e que o artista acorda, sei lá, às 3 horas da tarde, escova os dentes, come alguma coisa legal, fica na piscina e depois vai para o show, e não é assim. A construção de uma carreira é muito difícil. Já trabalhei em outros empregos, já trabalhei em uma fábrica, numa loja de instrumentos e não são obrigatóriamente empregos que demandam muita força nem nada. Mas a maior dificuldade até agora foi a carreira artística. A pior parte é talvez o julgamento. Eu tô lendo agora um livro que chama “Os Quatro Compromissos” e tá me ajudando muito a separar essa coisa e não levar nada para o pessoal. Mas às vezes você lê algo que você não quer ler e quando você se expõe e é artista, obviamente se coloca no lugar aonde as pessoas vão te olhar e dizer o que pensam de você e às vezes você ouve coisas delas que você não queria ouvir. Acho que talvez essa seja a pior parte, ou talvez depois eu descubra outras partes. A gente está começando, engatilhando e lançamos nosso álbum agora estamos começando a formatar o show pra rodar as cidades do Brasil. E acredito que vou descobrir muita coisa esse ano e ao longo dos anos, especialmente na estrada.

Foto: Washington Possato

Me Gusta: Antes de entrar no palco você fica nervoso ou ansioso? E como você lida com isso?

Bryan: Eu sempre fiquei muito nervoso. Era num grau muito alto. Só que é incrível, quando piso no palco passa e isso me tranquiliza um pouco. Acho que o nervosismo, não o meu, o do ser humano está muito ligado ao saber o que vai acontecer. Nas nossas primeiras vezes não adianta pesquisar como não ficar nervoso. Você pode ouvir mil conselhos mas acho que cada um passa por isso de uma maneira diferente. Eu percebia que ficava nervoso quando não sabia como as coisas iriam acontecer, E isso acontece muito no começo da carreira, porque a gente vai descobrindo o que tá acontecendo. Mas eu percebi que ficava muito nervoso e a partir do momento que eu passava a cortina e pro palco, me sentia muito em casa e parecia que eu estava flutuando e que eu sabia muito o que eu deveria fazer. E isso me tranquilizava. Eu sabia que estava nervoso e que depois passaria. Mas cara, ainda é assim até hoje, ainda fico um pouco nervoso e acho bom. Acho que o nervosismo faz a gente pensar de uma maneira diferente e faz a gente ficar atento a várias coisas, mas ainda até hoje às vezes nas primeiras músicas ainda tô um pouco nervoso dependendo do show. Mas é uma coisa que gosto de sentir e me traz para a realidade e me tira da minha zona de conforto também. Eu tenho clareza que todas as vezes que eu tava muito nervoso, eu tava realizando alguma coisa muito grande. Gosto muito de ouvir o meu corpo antes de entrar no palco. E o momento de entrar no palco é sagrado. Gosto muito de refletir sobre todas as coisas que eu fiz para chegar ali e todas as pessoas que estão trabalhando comigo. Porque no show, o artista vai subir no palco para cantar, mas muita gente trabalhou ali. E no show eu vejo quantas pessoas separaram tempo da vida delas para ouvir as coisas que escrevi, sobre a minha própria vida e as experiências e isso me marca muito. E me dou liberdade de ficar nervoso, porque é uma coisa muito grande, mas o nervosismo vai diminuindo e ressignificando, tomando outro lugar. Hoje fico tenso, só que eu fico em paz, porque eu sei o que eu tô fazendo, as músicas que vou cantar, o que preciso falar e dependendo de como o público reage o que posso fazer. Tem uma frase que diz que “a gente tem que ter força para lutar pelas coisas que a gente pode mudar, a gente tem que ter humildade para aceitar o que a gente não pode mudar e sabedoria para diferenciar uma da outra” e acho que é justamente isso.

Me Gusta: Você tem algum tipo de preparo vocal?

Bryan: Tenho muito cuidado com a minha voz. Faço acompanhamento com a fono. Tô descobrindo ainda muito a minha voz obviamente. Quem ouvir o primeiro EP com versões acústicas e ouvir esse novo disco, vai perceber uma transformação e uma evolução da minha voz e acho que no próximo trabalho vai mudar também, Eu ainda tô tendo cuidados com ela para não acabar lesionando, porque eu uso algumas técnicas que precisam e requerem um pouco mais de atenção como drive e o fry que eu faço.



Me Gusta: O que você pode adiantar sobre a divulgação do álbum e os próximos passos?

Bryan: A gente tá acertando alguns detalhes para levar o show para a estrada. Não tenho muita coisa ainda para falar sobre isso, pois a gente ainda está decidindo como vai ser, então muita coisa pode mudar. O que provavelmente vai acontecer é que a gente vai levar um show muito legal pra estrada e vai levar alguns formatos provavelmente. Às vezes voz e violão para lugares menores ou dependendo de como rolar o show, a gente leva a banda inteira. A gente lançou o disco e depois disso vamos ver o que acontece e o espaço que esse disco vai tomar na vida das pessoas e como vamos programar para levar as músicas pra cada vez mais pessoas e levar o nosso show com as músicas do disco para o Brasil inteiro.

Eu com Bryan Behr após a entrevista