Formado em 2014 o grupo carioca Cortesia Da Casa, lançou o single “Vilão Particular” ao lado de Sorriso Maroto e Xamã.

A música produzida por Lele e Neobeats, faz parte do álbum de mesmo nome com seis canções. Uma bela mistura de rap e pagode, que chegou para conquistar o Brasil.

O Portal Me Gusta teve o privilégio de entrevistar os integrantes do Cortesia, Philipe Tangi e Renato Sheik que contaram um pouco mais da carreira, detalhes da música nova, Rap Nacional e produção na quarentena.

Saiba tudo que eles contaram na íntegra:

Portal Me Gusta: Como surgiu o Cortesia Da Casa? Como foi feita a escolha do nome do grupo?

Philipe Tangi: Eu tinha um grupo antes chamado ‘Naturais MCs’ e o Renato tinha um grupo chamado ‘Dinastia MCs’. A gente acabou se encontrando, porque a gente fazia algumas reuniões nas rodas culturais que tinha no Brasil inteiro. E a gente teve uma conexão muito boa, porque o Renato sempre levava o violão pra tocar e tal, e aí naquela a gente acabou fazendo uma música juntos, que a gente nunca lançou, já faz uns 7 anos. E a gente começou a colar muito juntos, porque esse meu grupo acabou e o Neobeats conheceu a gente e chamou a gente pra ir no estúdiom. Ele era o único cara que tinha um estúdio e todo mundo ia pra lá para fazer música. O grupo dele meio que acabou, e a gente tava só eu e o Neo, porque o outro moleque tinha saído e aí a gente falou ‘e aí Renato, que se tu tá fazendo?’ e ele falou ‘tô aqui’ e a gente falou ‘bora se juntar’ e ele ‘vamo, vamo’. E o nome do grupo, o Neo é chileno e ele tinha um estúdio lá no Chile chamado ‘Cortesia De La Casa’ e esse nome, a gente tinha colocado uma logo no estúdio que ele tinha aqui no Rio. Foi esse o nome que veio na mente, a gente olhou o logo na porta e falou ‘esse vai ser o nome, Cortesia Da Casa’.

Me Gusta: Como se dá o processo de composição das músicas?

Tangi: A gente já teve vários tipos de processo, mas hoje em dia a gente ou faz o beat junto com o produtor ou então recebe beats de outros produtores, que sabem mais ou menos o que a gente gosta e mandam as coisas que já é a nossa cara. E o processo de composição, como a gente faz muita música, quase que todo dia, é uma parada tipo assim, de às vezes quem escreveu o primeiro canta aí e vamos ver o que acontece, vamos ver se é o tema mesmo. Mas às vezes a gente procura um tema ou vem com tema já de casa ou eu venho com o tema e geralmente eu que fico com a parte do refrão ali e o Renato fica com a parte mais de fazer a música ir mais para cima, de tomar uma continuação que mantenha ou eleve o ritmo. É mais ou menos assim. Mas a gente às vezes troca e ele faz o refrão e eu venho com a outra parte. É bem do momento e do que a batida pede mesmo.

Me Gusta: Vocês lançaram o single “Vilão Particular” com participações do Sorriso Maroto e Xamã. Como surgiu a parceria com eles?

Renato Sheik: O Xamã a gente já conhecia um bom tempo das rodas culturais e essa música, aqui no estúdio, o Tangi começou a escrever a e me mostrou. Na época era bem crua, tinha apenas a letra e o violão. E era algo já muito bom. E aí eu escrevi a minha parte aqui no estúdio e a gente teve a ideia de chamar o Xamã. A gente já tinha o contato dele, o conhecia e ele é um cara versátil, porque ele consegue fazer vários tipos de música e último álbum dele já fala por si só. E ele super topou. A gente mandou a música para ele na hora e ele fechou. E a gente lá na Universal, em uma reunião com a rapaziada que empresaria a gente, a gente teve o contato com o Sorriso Maroto. Eles perguntaram se a gente toparia fazer uma com uo Sorriso e a gente não pensou duas vezes. E foi um prazer imenso. E assim surgiu a música, dessa parceria. E deu muito certo, ficou uma parada muito boa e todo mundo vai gostar com certeza.

Capa do single “Vilão Particular”

Me Gusta: Uma característica do cortesia é a junção de estilos ao Rap. Como é para vocês o desafio de fazer essa mistura de estilos?

Tangi: É muito bom quando a gente sai da nossa zona de conforto e aprende alguma coisa a mais, e não fica estagnado naquela coisa que tá sempre dando certo e tal. Essa mistura de ritmos dessa música “Vilão Particular”, principalmente é uma parada que a gente nunca tinha feito, em estilo de música. Só que ao mesmo tempo, a gente já tinha até feito mas nem lembrava. A gente sempre procurou ser muito versátil também nas nossas músicas, até pelo nosso estilo. A gente sempre trouxe muitas vertentes na parada do nosso trabalho, e o Samba e o Pagode também estão na nossa vida. A gente conversando com o Bruno, ele falou que sempre gostou de Rap e de acústico e o irmão dele também curte Rap. E o Xamã se amarra em Pagode e Samba. Então foi super fácil juntar isso tudo, porque o Bruno gosta de Rap e a gente gosta de Pagode. E deu super certo.

Me Gusta: Como vocês vêm o Rap atualmente no Brasil?

Tangi e Sheik: O Rap tá muito bom, e é uma vertente absurda. A gente pegou uma fase do Rap, que já tinha os dinossauros do Rap, a rapaziada da geração mais antiga. Mas nossa galera mesmo encontrava muita dificuldade no mercado do Rap, até porque em questão de mercado a gente não sabia como alcançar, como fazer o trabalho lucrar. Na época era muito cru tudo isso e era uma parada mesmo por amor. A gente chegava, pegava o violão e cantava e chegava ali na roda. Aí um amigo trazia um violão, outro uma viola, outro rimava, outro uma sanfona e ia juntando tudo aquilo. E essa evolução foi uma parada que foi muito legal, porque alguns artistas começaram a bombar no Rap e eles pegaram as ideias de tipo, o sertanejo que sabe muito bem articular essas paradas, tipo uma empresa mesmo e de perceber o porquê esse cara tava fazendo sucesso, sendo que a minha música é tão boa quanto a dele. Qual será que é o modelo de trabalho dele? E a gente começou a colocar isso no Rap e o Rap começou a crescer, porque a gente começou a levar a sério mesmo. A galera realmente levou a sério e se tornou algo profissional, porque era muito impulsivo mesmo e por amor. Mas aí se começou a perceber que esse trabalho é sério, e que tá todo mundo levando a sério e não tem porque não ser profissional. E quando a gente botou isso na cabeça, a galera foi mesmo. A galera foi acordado para essa parada. E aí os grupos viraram uma marca mesmo e agora estamos vendo aonde a gente está chegando. E tá se comparando quase ao Sertanejo, mas ainda é o mercado que está bem na crescente e algo que tem que ser muito explorado e profissionalizado ainda, mas esse é o caminho no caso. E com certeza daqui a uns 5 anos o Rap já vai tá no top 1. Porque o Rap hoje em dia leva para vários lados, tem essa versatilidade de a gente fazer essas unificações, dar uma viajada fora da caixinha.

Me Gusta: Como foi para vocês passar por essa questão da pandemia e ter que trabalhar em casa e sem shows e eventos?

Tangi: Essa parte, Mano, a gente tem um estúdio e ele mora aqui e eu moro aqui do lado, e acaba que a gente também ficou em casa e aqui. Então a parte criativa foi uma válvula de escape mesmo, porque tanta coisa ruim acontecendo lá fora, sempre tragédia e você liga a TV e tem mais tragédia Então isso foi muito uma válvula de escape. E a gente acabou criando muito mais, em questão de composição, porque realmente não tinha o que fazer. Porque a gente pensava tanto nessa parada que tá acontecendo lá fora, que quando a gente chegava aqui dentro, a gente queria esquecer um pouco e pensar positivo e criar. Então a gente conseguiu centrar nisso e criar. Foi um passatempo e um aprendizado do caralho, e de vida, de alma, de letra, de tudo.

Renato Sheik e Philipe Tangi durante a entrevista

Me Gusta: Em 2018, vocês estouraram com a música “Pouca Pausa” ao lado da Clau e do Haikaiss. Como foi isso para vocês e qual a importância dessa canção na carreira?

Tangi: A gente alcançou lugares e classes que talvez demoraria muito mais tempo para gente conseguir. A gente conseguiu aparecer. Pô, a gente foi no Faustão, no Danilo Gentili, no ‘Só Toca Top’. E tipo um Faustão da vida, tem muita gente que vê o Faustão e não acessa a internet, só tem a TV de casa ali e se você for, por exemplo, no boteco vai tá ligado o Faustão ali. Foi o ano em que a gente mais fez show, então foi uma parada em que a gente pode apresentar com essa música, o nosso trabalho e as pessoas foram conhecer as outras músicas. Então foi essencial. Foi uma grande porta que a gente abriu, porque a gente precisava passar por essa porta até mesmo para galera conhecer nosso trampo. Com “Pouca Pausa” essa porta foi quebrada direto. Foi muito bom mesmo e a gente só tem a agradecer a Clau e ao Haikaiss e a galera que sempre fechou com a gente. A Clau é nossa parceira de vida mesmo e Haikaiis são nossos irmãos de vida. Foi muito bom e só positividade, porque foi feito só com gente que a gente conversa no dia a dia e a gente ama de verdade, dá conselho um ao outro. Foi só felicidade.

Me Gusta: como é a relação de vocês com os fãs?

Tangi: A gente é muito de boa e as pessoas às vezes não esperam por isso. Às vezes a gente está comendo no lugar e começa a falar com os fãs e até esquece de comer, a gente também para pra falar com todo mundo. E é uma parada bem natural, porque a gente é assim também com as pessoas que a gente conhece antes mesmo de fazer música, e fama e tal. E não tem como mudar. Já teve caso de eu estar esperando o ônibus e estar faltando 4 horas para chegar o ônibus, e eu tava sentado na rodoviária e o moleque apareceu e falou ‘nossa que é isso, tá fazendo o que aí’ e eu falei que estava esperando o ônibus e ele falou ‘que horas que é o busão?’ e eu falei ‘daqui a 4 horas’. E ele disse ‘bora ir lá em casa para a gente jogar videogame?’ e eu falei ‘já é’ e ele perguntou ‘sério, é isso mesmo?’. Fui lá e conheci a família do moleque e ele virou o meu brother depois. A gente é bem assim para frente.

Sheik: A gente acaba se aproximando muito dos nossos fãs. Às vezes as pessoas chegam para conversar e se surpreendem em como a gente é, porque às vezes tem aquela superstição de achar que a galera do Rap é mais fechada. Aí eles conhecem e se surpreendem, porque vêm que a galera é muito disponível.

Me Gusta: Dentro do que vocês puderem contar quais são os próximos passos da banda? Há planos pós pandemia?

Tangi: A gente já fez milhões de planejamentos, e de “ah, vai acabar em dezembro” e aí ia adiando. Mas tem muita coisa bacana, tem muita música pra lançar e vários estilos, porque a gente quer botar muita dança, porque a gente gosta de dançar, faz aula de dança e várias coisas. E pós pandemia, a única coisa que eu quero é fazer um show, pelo amor de Deus. Tá na hora. E tem muitos projetos e muita coisa boa aí. E a gente tá aí para cada vez mais surpreender a galera e fazer uma parada nova que a galera nunca viu aqui no Brasil. Daqui a pouco vai rolar, se Deus quiser.