No dia 17 em São Paulo na sede da Universal Music conversei com a talentosa e muito simpática Jehanne Saade. Saiba tudo o que ela me contou nesta bela entrevista.

Ao chegar para a entrevista fui recebido com muito carinho por Jehanne com um belo sorriso e um abraço caloroso. A conversa foi muito dinâmica e era evidente o brilho no olhar da cantora ao falar de sua carreira e seu trabalho.

A Música

Aos 11 anos em Nova Friburgo, o pai de Jehanne a deu um violão e ela autodidata, aprendeu a tocar. Ela me contou que em sua casa sempre teve música e que ela teve acesso à filósofos, bailarinos e outros artistas.

A artista que também já fez teatro teve aulas de música com Wilton Prado e um dia ao sair de uma balada conheceu um hitmaker que depois apostou em seu talento.

Após uma crise pessoal e profissional, a cantora começou a escrever canções. “Era um momento muito meu”. E nesse cenário que sua primeira música nasceu. A letra era toda em Francês, uma língua que a trás uma memória afetiva muito grande.

Seu violão foi seu companheiro em um momento em que ela se sentia desestruturada, despedaçada. Um momento regressivo em que havia uma busca por algo que a fizesse sobreviver. Para Jehanne música é vida e pulsa no coração e transmite emoção.

Influências

Perguntei a Jehanne quais são suas influências na música. A artista admira o trabalho de Tiê, Malú Magalhães e Tulipa Ruiz que conversam com seu disco “Exótica”, Ana Carolina, Maria Gadú, se inspira na MPB, no Tropicalismo e em Baby do Brasil (que admira no palco e como artista e mulher) e no Pop que está muito presente em seu novo trabalho.

Para ela o Pop manifesta bem a feminilidade, que segundo ela, está presente em todo mundo independente de gênero, através da intuição, da sensibilidade e no jeito amoroso com as pessoas.

Um sonho de Jehanne como artista é compor com Nando Reis. “Sua fala permeia o lúdico infantil e o romântico”.

Foto: Fernanda Vasconvelos Gouyou

Acrobacia e Intrépida Trupe

Jehanne Saade fez aulas de acrobacia, além de fazer parte da companhia de teatro Intrépida Trupe. Perguntei a ela qual a influência dessas experiências em sua vida e em sua carreira.
Para ela a acrobacia foi “algo incrível”. Jehanne tinha dificuldade em se concentrar e estudar, e a acrobacia ajudou em ter disciplina. “Era um momento de criação e de expressão do corpo” e onde ela se sentia livre.

Participar da Intrépida Trupe, foi muito importante para seu trabalho. O teatro faz enxergar as peças por cima, além de ajudar como alicerce cênico no palco.

Morada

Além de morar no Brasil, nossa querida cantora morou na França, no Libano, na Suíça e na Venezuela. Eu quis saber como foi a experiência de morar fora e como isso refletiu em sua vida e carreira.

Sua estadia na Suíça foi bem difícil por morar com uma família muito regrada e onde a mulher “não pode isso, não pode aquilo”. Percebeu que tanto lá como no Libano, a mulher tem que cumprir normas e condultas, com pouco ou sem nenhum dinamismo e sem precisar ter idéias fixas.

Na Venezuela a mesma música é recebida de forma diferente do que no Brasil, porém a música é vista com a mesma emoção. Já na França os musicais influenciaram muito sua arte, assim como os clássicos infantis franceses (da coleção de sua tia).

Je Né Veux Plus

No álbum “Exótica” ganhamos de presente uma faixa em francês, a primeira composição de Jehanne e eu quis saber mais sobre esta canção.

Sua letra foi escrita junto à melodia criada ao violão em cima de uma base e em tons menores. Ainda com uma fala presa foi para ela, “um encontro de coração para restabelecer” seu ser. A estética dessa música é mais simbólica e tem uma pureza, sem uma forma exata.

Sobre o seu processo de composição no geral, Jehanne tenta encontrar uma palavra que se encaixa na melodia e em sua emoção.

Exótica

Perguntei também como foi o processo de gravação e escolha de repertório para o disco “Exótica”.

O álbum nasceu em um momento difícil e foi um processo duro, angustiante e de perseverança. Algo muito bonito foi que as filhas de Jehanne acompanharam as composições da mãe e viram o processo de formação dessas canções.

O processo de gravação foi demorado e preciso. Toda quinta feira, a cantora estava em estúdio e participou de todo o processo de gravação e produção. Ela dançava suas músicas para ter certeza de que elas estavam como gostaria.

Havia um medo da recepção das pessoas ao disco, mas Jehanne tinha certeza de que era preciso realizar o seu trabalho e que estava no caminho certo. Muita gente desacreditava, mas ela não desistiu e sabia que “todo o artista passa por isso”.

Divulgação de “Exotica”

Fuego

Não podíamos deixar de falar sobre o novo single de Jehanne Saade, “Fuego”.

A faixa foi composta de forma muito precisa. Sua letra ficou pronta em duas horas e foram feitas três versões, na qual uma foi escolhida.

Sempre foi um sonho de Jehanne gravar um clipe no Líbano e ela deu sorte de cair nas mãos certas de seu gerente artístico Miguel, que foi muito importante para a realização desse sonho e soube entender muito bem o que ela queria.

Esse single é mais alegre e reflete a felicidade em dançar para seu público e passar suas mensagens para as pessoas. Além de contar com elementos eletrônicos.

Seguir Em Frente

Será que em algum momento Jehanne pensou em desistir? Ela contou tudo para a gente.

Por vários momentos passou pela cabeça da cantora desistir, pois o meio artístico é muito difícil e muitas vezes se baseia no senso comum. Além disso falta a regularização da profissão e quanto mais informal for a profissão mais chances dela dar errado.

Porém ela lembrou que “quanto maior o risco, maior é o sucesso” e percebeu que se sentia melhor fazendo o que gostava e que acreditava no que fazia independente do resultado. E tudo isso, junto a sua intuição não a deixou desistir de seu sonho. A música a faz se sentir viva.

Próximos Passos

Para finalizar perguntei quais são os próximos passos da carreira de Jehanne.

O álbum “Exótica” foi pensado como musical e a cantora planeja levar o disco para o teatro em um projeto mais intimista. Uma realização pessoal.

Além disso a artista continuará a produzir o seu novo álbum e criar novas músicas com uma produção internacional, bem como procurar investidores.

Outro projeto é expor seus quadros com fotos inspiradas em “Exótica”. E claro apresentar suas canções ao vivo.

Jehanne Saade é daquelas artistas que sabem o que querem e que ama e muito a sua arte e a música. Ver, através de seu brilho no olhar, o como ser artista é importante em sua vida, nos inspira a seguir nossos sonhos e nunca desistirmos.

Tudo isso junto a sua linda voz, seu carisma e músicas incríveis com ótimas letras e arranjos, fazem dela uma cantora para lá de especial. O Me Gusta tem certeza de que ela será sucesso nacional e aposto minhas fichas de que ela vai também conquistar o mundo.

Com Jehanne Saade após a entrevista

Texto e entrevista por André Rossanez