O tão aguardado quinto álbum de estúdio da Pitty já está entre nós. “Matriz” é uma obra prima e se aproxima das raízes da roqueira. E hoje o Me Gusta vai fazer uma análise deste novo CD.

Produzido por Rafael Ramos e lançado pela Deck Disc, o disco tem treze faixas e algumas participações pra lá de especiais. O seu título foi escolhido exatamente por revisitar as matrizes músicas do início de carreira de Pitty, suas influências e sua essência.

Foto: Otávio Souza

A cantora falou um pouco do nome “Matriz”, “Metaforizando, é como a história de uma ‘blueswoman’ que sai da plantação de algodão, bota a viola no saco e vai tentar a vida na cidade grande. É uma espécie de retorno de um autoexílio estético e cultural, e isso somente é possível hoje por vários motivos. A passagem do tempo, que nos distância do superficial e nos aproxima da essência, e essa nova cena que renovou o fluxo criativo da minha terra, fazendo com que artistas diferentes possam existir ali. Entre outras coisas mais subjetivas”

A música que abriu o novo trabalho é “Bicho Solto” e ela realmente lembra bastante as canções de princípio de carreira. Lembra um som bem conceitual e alternativo com uso de campainhas e um ritmo um pouco repetitivo, mas ótimo. Nos faz refletir sobre a questão do ser e parecer, que é tão presente em nossa sociedade. Incrível.

Um dos singles, “Noite Inteira” já é sucesso. Um belo manifesto que fala da necessidade de lutar contra opressão e a corrupção e como podemos realizar as coisas se o povo se unir. Mas atual e necessário, impossível. E o mais bacana é a participação do grande artista baiano Lazzo Matumbi.

Capa de “Matriz”

Duas canções não foram compostas pela cantora. “Motor” é uma regravação de música da banda Maglore e composta por Teago Oliveira. Nos primeiros segundos, ainda instruntal já curti muito o que ouvi. E o amor por essa música aumentou ainda mais, com sua linda e sensível letra, de arranjo envolvente e com a voz usada com leveza por ela.

Já “Para O Grande Amor”, é uma linda homenagem gravada por Pitty. Composta pelo saudoso Peo Souza (amigo e ex integrante de sua banda) e já gravada pelo grupo Folks, a letra fala de um amor o que te faz ser você mesmo e como é importante cada momento com quem se ama. Muito gostosa de ouvir.

Destaque para “Roda” e sua pegada parecida com as primeiras canções da artista. O rock marcante que levanta as bandeiras da liberdade de se expressar, do orgulho às nossas origens e do persistir sempre. Nela, artista acompanhada do grupo Baiana System, que realmente deu um toque bem especial.

Foto: Maurício Nahas

Bateria bem marcada, Baixo evidente e mistura do Rock com o Blues. É assim “Bahia Blues”. Em sua letra, Pitty canta orgulho por suas origens e como as experiências de vida contribuíram em seu crescimento. também ressalta a importância de se ter um lugar para voltar e se reconectar consigo mesmo.

Já pensou misturar o Rock com Reggae? Isso que acontece no single “Te Conecta”, que também fala sobre se conectar consigo mesmo. Também temos Rock do jeito que só Pitty sabe fazer. “Submersa” nos faz pensar sobre a inconstância do ser humano e que devemos seguir nossos instintos e perseguir os nossos objetivos, mesmo que haja dificuldades. Podemos até pensar em recuar, mas temos que respirar fundo e avançar.

E o disco fecha com chave de ouro. “Sol Quadrado” conta com a participação da talentosa Larissa Luz. Recorda que o que fazemos, seja algo bom ou ruim, retorna lá na frente. Além disso não podemos deixar de questionar o que achamos errado ou não entendemos e devemos sempre manter a nossa essência.

Realmente valeu muito a pena esperar cinco anos por um projeto em estúdio. Temos uma Pitty como sempre adoramos. Uma artista completa que sabe falar com o nosso coração e a nossa consciência. Além de suas letras que sempre são muito bem escritas e acompanhadas por ótimos arranjos.

Foto: Otávio Souza

A rockeira também falou sobre esse tempo todo sem gravar um álbum inédito. “Não é estratégia, não, é só respeito a uma demanda criativa. Eu poderia lançar um disco por ano, mas acho que eles não seriam bons, seria um desrespeito com a própria obra”.

E outra coisa que ela contou, podemos perceber neste álbum tão bacana. “Acabei mostrando um pouco a minha Bahia, diferente daquela estereotipada, onde tem rock, outros gêneros musicais, e cenários que não são só aqueles tradicionais, que eu também amo”.

Em “Matriz”, Pitty resgata sua essência e suas origens e sem deixar de inovar com elementos diferentes dos habituais e com participações tão talentosas. E como sempre ganhos belas músicas com letras inspiradoras, reflexivas, fortes e de personalidade.