Por André Rossanez

Em 2017, Madonna resolveu se mudar para Portugal para tentar investir na carreira do filho David como jogador de futebol. Com o tempo ela foi conhecendo os artistas, pintores e músicos que moravam no país ou eram visitantes.

Além dos portugueses, a cantora conheceu muitos brasileiros, latinos e africanos. Assim, ela pode ter contato com muitas influências musicais bem diversas.

Essas sonoridades diferentes inspiraram a diva pop e podemos nos deliciar com essa mistura de sons ao ouvir “Madame X”, o novo álbum de Madonna.

Capa da versão deluxe de “Madame X”

O décimo quarto disco da Rainha do Pop, foi produzido pela própria cantora junto com Mirwais. Eles também contaram com as participações de Jeff Bharker, Pharrell Williams, Diplo, Billboard, Mike Dean e Jason Evgan na produção de algumas faixas.

A música que abre o álbum, é o primeiro single “Medellín”com participação de Maluma. A canção que já conquistou o mundo todo misturar o Pop com Reggaeton e a nossa diva se apropria da latinidade deste ritmo com maestria e dando total destaque ao companheiro de música.

Maluma e Madonna

Temos também o single “Dark Ballet” que é muito impactante e tem uma sonoridade bem elaborada e experimental ao falar sobre o mundo que tanto oprime e tenta dizer o que é normal. Tem até pedaço da música clássica de Tchaikovsky.

Madonna também conseguiu trazer uma sonoridade única para a faixa “God Control”. A música fala sobre a humanidade estar se perdendo e que já é hora de acordar. a gente vai colocar farinha aqui aí começamos a música bem Gospel e de repente ela se transforma em uma música eletrônica que nos faz querer ir para pista. E depois volta para o coral Gospel que se junta aos elementos eletrônicos.

E quem poderia imaginar Madonna cantando Reggae? É isso que acontece na faixa “Future” com participação de Quavo que nos inspira a aprender com o passado.

Madonna e Quavo

A cultura africana também está presente no álbum em “Batuka”. O arranjo conta com o batuque e o cântico religioso das africanas. A faixa tem o filho de Madonna, David Banda como um dos compositores.

A cantora, que sempre lutou pela igualdade, se põe no lugar de todas as pessoas vítimas de opressão e preconceito em “Killers Who Are Partying” e ela até canta Fado. em Portugal também é homenageado na música “Crazy”, onde além do inglês nossa rainha canta em português (o de lá).

Destaque também para a música “Crave”, com participação de Swae Lee. Um Hip Hop envolvente que traz um toque todo especial ao disco.

Sem dúvida um dos grandes pontos altos deste novo disco é a presença de Anitta. Elas gravaram uma nova versão para a música, de mesmo nome, gravada pela cantora Blaya, uma recifense que foi morar em Portugal aos 16 anos. A brasileira colocou Madonna para cantar funk e ainda ensinou a companheira a cantar quase a música toda em português. E posso dizer que adorei o desempenho da diva pop. Para quem não fala nossa língua, ela mandou muito bem.

Anitta e Madonna

E para a surpresa de muitos, Maluma participou de uma segunda música. O colombiano e Madonna se jogaram em um Reggaeton daqueles chamado “Bitch I’m Loca”. Mais uma das melhores faixas do disco.

E por que será que o álbum se chama “Madame X”? A própria Madonna explica “Madame X é uma agente secreta. Viajando ao redor do mundo. Trocando de identidades. Lutando por liberdade. Trazendo luz à lugares escuros. Ela é uma dançarina. Uma mestre. Uma chefe de estado. Uma dona de casa. Uma equestre. Uma prisioneira. Uma estudante. Uma mãe. Uma filha. Uma professora. Uma freira. Uma cantora. Uma santa. Uma prostituta. O espiã na casa do amor. Eu sou Madame X”.

A rainha também revela qual mensagem quero passar para o seu público com o disco. “Elas têm o direito de expressar seus pensamentos, de serem livres, de serem quem são, de serem orgulhosas de quem são, de sonhar o que algumas pessoas diriam que é um sonho impossível. E a importância da comunidade, da amizade, da família, de ser conectado com outros humanos”.

Neste novo trabalho, Madonna mostra mais uma vez, que é a artista pop mais completa e mais ousada do mundo. Um disco digno de uma rainha.

É muito legal ver a cantora, aos 60 anos, se reinventando e inspirando as pessoas a serem elas mesmas e a buscarem os seus direitos, sem deixar de andar com a cabeça erguida.

Muitos críticos musicais dizem que este é o melhor álbum da cantora desde o clássico “Confessions On A Dance Floor” de 2005. E afirmo, que realmente isso é verdade.

Além de ser um dos melhores álbuns da carreira de Madonna, não resta dúvida que é também um dos melhores discos de Música Pop dos últimos anos. Um álbum que nos impacta e nos arrepia em vários momentos, além de ser inspirador.

“Madame X” é um lançamento da Universal Music com versão standart com 13 canções e uma versão deluxe com duas a mais.

Capa da versão standart de “Madame X”