Texto e entrevista por André Rossanez

Mariana Aydar lança em três partes o projeto “Veia Nordestina” com produção musical de Márcio Arantes e parceria com a Natura Musical. E já está nas plataformas digitais a segunda parte.

O Portal Me Gusta teve a felicidade de conversar com Mariana por telefone para falar sobre sua história com a música, sobre Forró e e sobre esse projeto lindo, que depois da terceira parte terá sua versão física em um disco cheio.

Fique por dentro na íntegra de tudo que conversei com Mariana Aydar e se apaixone ainda mais pelo forró delícia dessa artista tão talentosa e completa.

Portal Me Gusta: Como surgiu o amor pela música?

Mariana Aydar: Surgiu muito cedo. Meu pai é músico e minha mãe trabalhava com música, então eu nasci no meio da música. Música sempre foi uma coisa muito grande, muito importante na minha vida. Um lugar de refúgio, de liberdade, de força e de poder. Pode ser eu mesmo através da música desde muito cedo, muito pequenininha.

Me Gusta: E o amor pelo Forró?

Mariana: Também quando eu era pequena. Minha mãe trabalhava com Luiz Gonzaga, então eu convivia com ele. Ficava observando aquele cara e eu tinha aquela curiosidade de menina de “quem é esse cara?”. E tinha uma curiosidade de saber quem era aquele cara grande, uma mistura de papai noel com vovô e com popstar. E fui ouvir os discos dele para ver o que aquele cara tocava e cantava e me deparei com o Forró. Me apaixonei imediatamente E aí depois teve o boom do Forró nos anos 90 em São Paulo e eu saí muito para dançar Forró. E sempre gostei muito de música brasileira; Forró, Samba, MPB. E não tinha muito balada de música brasileira quando eu era adolescente. Eu ia na discoteca e ficava meio perdida, não curtia e quando apareceu o Forró, foi minha salvação. Então eu só queria sair para dançar Forró. E lá que eu comecei a minha primeira banda profissional, de Forró.

Me Gusta: Como surgiu a oportunidade do projeto “Veia Mordestina” através da Natura Música?

Mariana: Apesar desse protagonismo do Forró na minha vida e de o Forró ser tão importante e ter dado tanta coisa para mim, nunca tinha feito um disco inteiro de música nordestina, dedicado. A música nordestina e o Forró sempre apareceram em todos os meus discos, mas ainda não tinha esse protagonismo no disco e nas músicas, como tem na minha vida. O Forró sempre esteve na minha vida. Sempre sai para dançar forró e até hoje ainda saio. Sempre tive pessoas do Forró muito próximas a mim. Minha filha nasceu por causa do Forró, porque casei com o Duane, que era do “Forroçacana”, meu ex-marido. E eu sempre tive vontade de fazer esse projeto. E a gente inscreveu ele na Natura e conseguimos esse edital maravilhoso, que sou muito fã e me inscrevo há muito tempo. Essa foi mais uma das coisas que o Forró me deu, ganhei esse edital por causa do disco de Forró.

Foto: Autumn Sonnichse

Me Gusta: Como foi escolher o repertório do disco “Veia Nordestina” e decidir quais músicas entrariam em qual das partes?

Mariana: Está sendo um processo muito legal fazer esse EP, porque tenho de pensar em universos menores e no universo maior, que é o disco mesmo. Na verdade, eu escolhi as músicas como escolho todas as minhas músicas. As que batem no meu coração e as com as quais quero falar alguma coisa e que sintonizem com o que quero falar no momento. Compus bastante coisa, tem bastante composições minhas. Eu também queria dar nos aos compositores novos. Tem bastante música da Isabela Moraes, que é uma grande amiga que a vida me deu, e músicas que as pessoas me mandavam. Então foi esse o processo. E aí, cada EP tem a sua história. O primeiro EP tem um sotaque mais baiano assim, o segundo já é totalmente genuíno das festas juninas e o terceiro EP, vai ter uma veia mais política e feminista, que é uma coisa que eu queria muito falar e que tá mexendo muito comigo. A questão do feminino é uma coisa muito nova como teoria na minha vida e tá mexendo muito comigo e eu queria muito falar sobre isso também.

Me Gusta: Como surgiu a parceria com Elba Ramalho na música “Forró do ET”?

Mariana: É muito antiga. A Elba tem uma casa em Trancoso na Bahia e eu, minha família, também temos uma casa lá há 20 anos. A gente se conheceu lá e ela sempre foi muito incentivadora do meu trabalho e desse caminho do Forró. Então eu não podia pensar num disco, sem ter essa madrinha, essa rainha que é uma cantora, uma mulher e uma alma que me inspira muito. E pensei em chamar ela para essa música, b por que a gente viveu essa história juntas. A gente viu luzes no céu de Caraíba e Trancoso, ao mesmo tempo.

Me Gusta: Como é seu processo de composição?

Mariana: Não tem muito um processo. A música, é como se ela me tomasse. Ela aparece sem eu saber ao certo de onde tá vindo. Ela aparece, desce. Geralmente vem a melodia antes e depois escrevo a letra ou dou para um parceiro. Mas a melodia sempre aparece primeiro.

Foto: Autumn Sonnichse

Me Gusta: “Se Pendura” é uma música que mistura no arranjo, o Forró com uma batida eletrônica que lembra até um pouco do Funk. Como surgiu essa ideia?

Mariana: Ela tem muito do Pagodão de Salvador. Essa é a inspiração para ela, na verdade, e que tem muito a ver com o Funk. São células muito parecidas. Na minha relação com Forró e com a música em geral, sempre tive uma vontade mais subversiva assim, sabe? De inventar outras coisas dentro desse universo, o que fiz principalmente com o primeiro EP, o segundo já é tradicional. Mas o primeiro tem essa vontade de brincar com outros elementos e outros ritmos e de adicionar outras sonoridades ao Forró sem perder a alma do Forró Pé De Serra e sem perder a alma nordestina.

Me Gusta: Como foi a oportunidade de dirigir o filme “Dominguinhos”?

Mariana: Foi realmente um capítulo à parte, de muito amor pelo Dominguinhos, muita paixão. Foi uma atitude bem ingênua da minha parte. Eu nunca pensei em ser diretora e não penso em continuar dirigindo, não tenho essa vontade. Foi um processo bem denso, de muita responsabilidade. Então foi uma coisa por amor ao Dominguinhos.

Me Gusta: Como é a sua relação com os fãs?

Mariana: É maravilhosa e cada vez mais próxima. Eu digo que entendo o fã, porque eu também sou fã. O fã tem um amor tão incondicional, e ele enxerga as coisas. A música é alma. Você canta com a alma, expõe com ela o que vem de dentro, com uma energia muito pura e as pessoas se conectam com essa energia e se conectam muito a você, e a quem você é. Eu amo os meus fãs. Amo conversar com eles. Falo com eles no Instagram, tento conversar. E às vezes vou lá dar uma fuçadinha e ver quem essa pessoa é e ver qual é o nosso link além da música. Os fãs são tudo. A música é para curar e faço música para libertar e melhorar a vida das pessoas. Quando cumpro essa missão fico realizada. Quando chega no coração das pessoas é quando toco elas.

Foto: Autumn Sonnichse

Me Gusta: Quais são os próximos passos que você pode nos contar?

Mariana: Agora a gente vai lançar o “Veia Nordestina 3”, no dia 26 de Julho, junto com o show. Depois a gente completa o álbum físico em Outubro. No meio disso tudo, vai ter o lançamento dos mini documentários que a gente está fazendo e que fazem parte desse projeto.