Texto e entrevista por André Rossanez

Ano passado, Léo Pain ganhou notoriedade ao participar e se tornar campeão do The Voice Brasil, tendo Michel Teló como técnico.

Após fazer muitos shows e montar repertório, Léo lança o seu EP, “Perdido e Apaixonado” pela Universal Music.

O Portal Me Gusta teve a felicidade de conversar com Léo Pain na sede da Universal Music em São Paulo e conhecer um pouco mais da carreira e do novo trabalho deste ótimo cantor, cheio de carisma e talento.

Capa do EP “Perdido e Apaixonado”

Fique por dentro de tudo o que conversamos na íntegra.

Portal Me Gusta: Como apareceu a música na sua vida?

Léo Pain: Através da minha família. Nós somos uma família de cantores na verdade. Meu vô era cantor e chegou até a acompanhar o Nelson Gonçalves, que é um cantor de boemia. Meu tio é cantor e minha mãe é cantora, e foi cantora na época dos calouros e cantou até se casar e parou de cantar. Eu já vim de uma veia de cantores e o meu pai foi o meu maior incentivador. E ele tinha um sonho de que os filhos fossem cantores e acabamos sendo cantores. Eu e o meu irmão formamos uma dupla em 99, pra cantar na noite já ganhando. E por isso que eu digo que eu tenho 20 anos de carreira, porque eu vivi a vida toda da música mesmo. Eu não tive incentivo de família, meu pai era fotógrafo e minha mãe professora, então não tive apoio financeiro mesmo para começar a minha carreira na verdade. Eu fui para o boteco, para o bar mesmo e fiz com que a música fosse a minha vida. Então foi assim que começou, através da minha família e através da dupla Léo e Júnior, que era uma dupla eu e meu irmão mais velho. Não tinha ainda o Léo e Júnior, que é uma dupla famosa hoje, então a gente começou na família mesmo e cantamos na noite por muito tempo. Eu cantei e tive uma passagem pela música gaúcha também cantando músicas regionais nossas lá do Rio Grande do Sul e depois disso tive mais uma dupla chamada Pedrinho e Léo em 2009. Em 2012 assumiu uma carreira de música sertaneja lá no Rio Grande do Sul, hoje moro em São Paulo, mas na época eu ainda morava lá em Santa Maria. Gravei um DVD em 2015 e lancei em 2016 e em 2017 acabei escrevendo no The Voice. Em 2018 fui chamado para o The Voice e graças a Deus, deu muito certo.

Me Gusta: Qual foi a importância do de voice para sua carreira? Como foi lidar com o nervosismo da competição?

Léo: Na verdade, o The Voice é um divisor de águas na minha carreira. A minha carreira é antes e depois do The Voice Brasil. Na verdade, o nervosismo, eu não sou um cara nervoso para cantar, seja para qualquer público. Eu fico mais nervoso em pegar o violão e cantar para ti aqui do que para bastante gente. Sei que eu não tinha a noção de cantar na televisão e o cantar para milhões de pessoas, como foi cantar pra 60 milhões de pessoas vendo a final do The Voice. A gente não tinha essa noção porque o diretor não nos falava. Quando foi afunilando, que o diretor chegou para nós na semifinal e disse “vocês estão preparados pra cantar para 60 milhões de pessoas?”. E a gente assustou, a gente estava em 8 na época, dois de cada técnico, tipo “como assim 60 milhões?”. Na verdade, era o que assistia de TVs ligadas na Globo no momento, mas é muito mais gente, pois pode ter eu, pode ter tu, 4 ou 5 pessoas assistindo o programa. Mas assim cara, eu não ficava nervoso para cantar, eu ficava mais nervoso para ensaiar, do que para cantar. E eu procurava focar naquilo que eu vim fazer, “bom, vamos o combinado? O que combinamos com o diretor?” Na audição às cegas era o diretor que combinava com a gente, não era o Michel (ou Ivete, ou Carlinhos, ou Lulu), então eu ficava mais nervoso de vez em quando em ensaiar com o diretor, com o Michel e na final com o Boninho, do que realmente ao cantar. Chega de noite e canta, porque de noite a luz ligou e canta porque tá ao vivo. Ele dizia muito isso para gente. “Gente, não volta atrás e canta por que tá vivo, então as pessoas querem ver o espetáculo em casa”. Eu acho que todos esses anos de carreira, me deu tranquilidade para cantar na TV. Cantar na televisão não é uma coisa fácil, absolutamente. É uma coisa muito diferente do que cantar em qualquer lugar. Então, o microfone tem que estar mais próximo da boca, enfim, tem várias técnicas de cantar na TV que eles ensinam lá e a gente tem que executar. Tem gente que não executa e acaba se dando mal. A experiência no The Voice foi uma experiência única e eu tenho o The Voice realmente como divisor de águas na minha carreira.

Foto: Instagram

Me Gusta: Como foi escolher o repertório do novo EP “Perdido e Apaixonado”?

Léo: Na verdade, depois do The Voice, a gente já fica com compromisso com a Universal Music junto à Globo, a produtora do evento The Voice Brasil. E a gente começou a querer formular um repertório, só que depois do The Voice foi muito show. A gente fez mais de 70 shows em 90 dias então a gente começou a pensar no EP em Janeiro, de verdade. A gente veio desde janeiro amadurecendo o repertório na cabeça. Primeiro eram 100 músicas, depois eram 50, depois a gente tirou 40, tirou 10 e ainda faltou. Então foi uma coisa preparada e por isso demorou um pouco até. Demorou um pouco não, porque 90 dias depois do The Voice foi show e de Janeiro para cá foram seis meses. Então, não se formula um repertório da noite para o dia, ainda mais de um artista que tú não sabe o que o pessoal vai realmente consumir. Será que o pessoal vai gostar do Léo romântico? Será que o pessoal vai gostar do Leo mais popular? Ou do Léo mais dançante? Então a gente formulou o repertório do EP mesclando popular, com dançante, com romântico para ver o que o pessoal vai consumir. Acho que o EP ‘Perdido e Apaixonado’ é bem isso, é a base e a formulação de um repertório, que a pessoa vai olhar e dizer “realmente esse é o Léo Pain” e eu vou olhar e “bom, esse aqui sou eu realmente”. A gente buscou muito isso, buscou o eu, o Léo Paim, sabe? O que eu gosto de cantar e o que eu gostaria de chegar no meu show e cantar e “pô, essa é minha música”. E a gente teve esse tempo, graças a Deus. Teve esse tempo e a paciência da gravadora e a paciência da Infinit Music que é o escritório que faz a gestão do meu trabalho. A gente teve essa tranquilidade para fazer bem feito e acho que o resultado final do EP ficou bacana, ficou bem a minha cara, bem o que eu sou mesmo.

Me Gusta: Você gravou a música “Perdido e Apaixonado” com Michel Teló. Como foi escolher qual música ele iria cantar contigo?

Léo: A gente queria uma música não fora da onda dele, mas também na minha onda. Eu sou gaúcho e gosto de Vaneira, de Vaneirão. Essa música já tinha feito parte do meu repertório mais lá atrás, no primeiro DVD ela estava e a gente trouxe essa música pro repertório, porque é uma música muito legal, muito dançante. Então seria uma música romântica e dançante e “Perdido e Apaixonado” é isso. O Michel tem uma onda do bailão, do vaneirão e eu tenho a onda do romântico, e a gente quis mesclar isso e graças a Deus deu muito certo. Michel gostou muito da música. Eu mandei duas músicas para ele até, não me lembro a outra, e ele nem escutou a outra e disse, ‘não, é essa aqui, vamos cantar essa daqui’ e deu muito certo.

Capa do single com Michel Teló

Me Gusta: E como é ter o Michel Teló que meu padrinho musical?

Léo: O Michel, eu costumo dizer que além do artista mundial que ele é, é um ser humano maravilhoso e eu aprendi a gostar do Michel tanto do artista como do ser humano. Mas eu acho que o ser humano, na relação Leo e Michel, o ser humano ainda prevalece. Acho eu sou muito parecido com ele e não vou inverter a ordem, e ele é parecido comigo, porque não tem o porquê. Eu sou muito parecido com ele, porque ele é uma pessoa muito simples e eu costumo ser muito simples também. Acho que minha base familiar me deu a simplicidade como norte, como foco. Cara, seja simples, seja o que tú é realmente, não mude sua característica e nem o seu caráter. Acho que o Michel é muito isso. Então ter ele como padrinho é maravilhoso. Acho que eu não poderia ter outro padrinho que não o Michel, ainda mais depois da relação que a gente teve de ser campeão juntos no The Voice.

Me Gusta: Você gravou no EP, sua versão para o sucesso “Saudade Bandida” na voz de Zezé di Camargo e Luciano. Como foi fazer essa versão que ficou a sua cara?

Léo: Na verdade, vou dar um spoiler. a gente fez três regravações e no próximo EP vão ter duas. A gente tava conversando com o Alan, que é o dono da Infinit Music, que é a gestora do meu trabalho e a gente tava pensando em fazer gravações e ele me disse assim “Léo, e Zezé di Camargo e Luciano?” e eu digo “Saudade Bandida”. A música que eu mais adoro de Zezé Di Camargo e Luciano é “Saudade Bandida”. E como eu tenho meu jeito de cantar, eu cantei para ele (Alan) no momento e ele disse “cara, não tem outra música, é essa aí”. Além da responsabilidade, o Vinícius que é o diretor musical do projeto, tem uma relação muito próxima do Luciano e do Zezé e eles acabaram indo gravar música lá no estúdio e ele acabou mostrando para os caras a música que eu gravei e os caras gostaram demais. o Vinícius até me mandou um vídeo e disse “olha quem tá olhando aqui” e eles aprovaram. Foi uma responsabilidade muito grande, mas acho que foi também uma satisfação grande poder cantar Zezé e Luciano. É demais, é um mito das duplas sertanejas. Então foi uma responsabilidade muito grande? Foi. Mas acho que superou inclusive as expectativas deles, a minha principalmente, mas as deles também.

Léo Pain com Michel Teló

Me Gusta: Quais são as suas maiores inspirações na música?

Léo: Quando eu comecei a cantar na noite, em 99, 2000 estava estourando Bruno e Marrone. Além de ter a referência dos amigos (Zezé e Luciano, Chitãozinho e Xororó e Leandro e Leonardo) e vamos mais além, Gian e Giovani, João Paulo e Daniel e Cristian e Ralf. Além de ter essas inspirações mais lá atrás, de quando eu era adolescente mesmo e não tinha começado ainda cantar na noite, eu tive inspiração no Bruno de Bruno e Marrone. E essa lembro que foi a primeira referência muito forte, minha e do meu irmão ao cantar música sertaneja. Bruno e Marrone foi a minha maior influência sertaneja além dos amigos. mas acho que a maior inspiração é o Bruno. Tanto que é o meu ídolo maior e o maior ídolo de primeira voz? É o Bruno, com certeza.

Me Gusta: Uma música bem marcante do novo EP é “Dois”. Como surgiu essa música?

Léo: Essa música do Jonathan Félix, O amigão nosso que tem a formação da dupla Jonathan Felix e Thiago. E o Jonathan mandou para o Vinícius (produtor musical) essa música e numa primeira seleção já tínhamos músicas na frente dela, músicas mais românticas e a gente mesmo assim resolveu fazer uma prévia dela e fez um arranjo. O Anderson Toledo, O que é o arranjador, fez um arranjo da música. E eles acreditaram tanto laranjo que mandaram para o Queen colocar guitarra. E a música cresceu de um jeito que a gente acabou tirando duas músicas românticas que estavam no repertório para colocar “Dois”. Aí colocamos um pouco mais na onda popular assim, e trocamos duas românticas do repertório por ela. “Dois” surgiu do arranjo mesmo e ela nem era nessa versão romântica, era um pouquinho mais embalada e tinha um tambor e uma azabumba junto. E nem era naquele ritmo. ela cresceu tanto no arranjo que acabou entrando e no primeiro EP. É uma música que acredito muito. A gente lançou “Perdido e Apaixonado”, que óbvio que é uma música que eu acredito e é popular e romântica, com a onda do Michel. Mas eu acredito muito na música “Dois”. Foi muito bom você ter falado dela, acredito bastante nessa música. Todo mundo envolto no projeto acredita muito.

Foto: Instagram

Me Gusta: Como é a sua relação com os fãs?

Léo: Eu costumo dizer que eu não tenho fãs. Eu não gosto dessa coisa de ‘aos meus fãs’. Acho que quem tem fã é Zezé Di Camargo e Luciano, é o Michel Teló, enfim. Eu tenho pessoas que me reconhecem como cantor, “pô, o Léo é um bom cantor”, “pô, que legal que o cara ganhou o The Voice, ele mereceu”. Acho que por enquanto vamos formular uma carreira, para depois falar de relação com os fãs. Se eu fosse falar que eu tenho, eu tenho, mas eu tenho pessoas o que mais me reconhecem como cantor,do que fãs. Fãs tem, quem tem uma carreira realmente consagrada e consolidada. Eu costumo dizer que tem pessoas que gostam do meu jeito de cantar. Mas assim, a minha relação com quem gosta de mim, com quem gosta do meu jeito de cantar é sempre muito bacana e positiva. Ainda mais depois do The Voice quem âmbito de carreira musical, veio com uma visibilidade enorme e a gente quando entra lá, nem tem essa noção de que é tão grande. Então, Eu costumo dizer que tem pessoas que gostam do meu trabalho e a minha relação com essas pessoas é o máximo. Eu adoro receber as pessoas no meu camarim, enquanto estou fazendo shows e adoro dar abraços nas pessoas e ouvir “pô, eu torci para ti”. acho que a gente tem que abraçar as pessoas e fazer com que as pessoas conheçam a gente de verdade para depois ela admirarem a gente. E a gente está em busca disso.

Me Gusta: Qual é a melhor parte da carreira musical?

Léo: A melhor parte é esse reconhecimento. É a pessoa te parar no aeroporto, em qualquer lugar que tu estejas, tomando um café, ou comendo, jantando com a sua esposa e te levantar e dizerem “cara deixa eu te dar um abraço”, “torci para ti no The Voice”, “eu vi um show seu em tal cidade”, “adorei seu carisma, “adorei sua simplicidade” ou “adorei aquela música”, “vamos tirar uma foto?” Acho que isso é a melhor parte de ser cantor e da carreira musical. É esse reconhecimento das pessoas.

Me Gusta: Dentro do que você puder adiantar, o que podemos esperar para os próximos passos da carreira?

Léo: Vem aí mais lançamentos, mas lançamentos desse EP. Vamos lançar todos os vídeos. Se não me engano são 7 ou 10 dias, entre um e outro para dar gás no meu canal da Vevo que está começando agora. Tenho um canal no You Tube, e são canais linkados. Mas eu ainda não tinha o da Vevo e a Universal Music lançou o canal. E no EP 2, vem duas regravações que são de artistas também maravilhosas. Não posso adiantar quem são, mas são artistas maravilhosos e mais 4 músicas inéditas. Maravilhosas também e que selecionamos com muito carinho. E aí ano que vem a gente pretende gravar, aí sim para consolidar uma carreira, um DVD. Mas isso a gente vai deixar para o ano que vem. Vamos trabalhar bastante esses dois EPs esse ano e trabalhar bastante na carreira, no rádio e fazer com que as pessoas conhecem realmente o meu trabalho, para depois pensar no próximo passo pro DVD.

Foto: Instagram

Foi muito bacana poder entrevistar e conhecer melhor Léo Pain. Um cara simples. Me chamou atenção, sua simpatia e o como ele é pé no chão, O que são coisas muito importantes. Um artista talentoso que chegou para conquistar realmente o Brasil.

Não deixe de conferir em todas as plataformas digitais “Perdido e Apaixonado”, o novo EP de Léo Pain.

Eu com Léo Pain após a entrevista