Texto e Entrevista por André Rossanez

Uma das bandas mais incríveis da atualidade, a Banda Lupa, é atração do Rock in Rio na quarta-feira dia 3.

O Portal Me Gusta teve o privilégio de conversar com o vocalista Múcio Botelho ao telefone. O líder da banda de Brasília, falou sobre carreira, música, o novo single “Bixinho” e sobre um dos maiores festivaais musicais do mundo.

Múcio é um cara mega animado e simpático, que ama seu ofício de músico e que transparece toda sua paixão pela música e por seu público, de uma forma especial.

Foto: Instagram de Múcio Botelho

Saiba tudo que conversamos.

Portal Me Gusta: Como surgiu a banda Lupa?

Múcio Botelho: A gente começou em 2013. Eu participava de outra banda, mas não cantava, eu tocava guitarra e compunha as músicas. Sabiam que eu também cantava e me falavam que eu devia cantar. Depois sair da banda que participava e fiquei um ano rodando por Brasília e queria ter uma banda. Mas o negócio era o seguinte, eu não queria alguém que tocasse o mesmo tipo de música que eu. E eu nem sabia que tipo de música queria fazer. E onde eu fui encontrar uma pessoa que procurava? Na casa da minha avó! João que é o baterista, é meu primo, cinco anos mais novo que eu. Ele sabia que tinha um primo que tocava guitarra e eu sabia que tinha um primo que tocava bateria. E achávamos fofo, mas não levávamos a sério. O João tinha uma banda em Brasília e eles tocavam em um campo lá. Pedir para também ensaiar lá e deixaram. Um dia João subiu para tocar comigo e destruiu na bateria. Ele saiu da banda e se juntou comigo. Moy e Lucas também estavam na banda e o André, a gente já conhecia. Um dia ele foi não sou nosso sem saber que a gente ia tocar. Depois de insistirmos, ele quis participar da banda.

Me Gusta: Como surgiu o nome “Lupa”?

Múcio: O nome vem de um festival da Roma Antiga, que acontecia várias noites para celebrar em homenagem ao amor e à fertilidade. E as principais estrelas eram as mulheres romanas, O que eram as Lupas. Elas viraram sinônimo amor carnal, de liberdade, da euforia e do culto da felicidade. E é sobre tudo isso que a gente fala, então daí que veio o nome.

Me Gusta: Qual foi a inspiração para compor o single “Bixinho”?

Múcio: Foi uma doideira. Cada vez o nosso processo de composição está ficando avacalhado. “Bixinho”, saiu em em um dos melhores momentos, quando a a gente foi fazer a nossa primeira turnê pelo Nordeste. A gente foi tocar em Feira de Santana na Bahia num festival, que foi um dos meus shows preferidos. Tinha muitos fãs e a gente não esperava isso. A gente foi recebido com muito carinho e todo mundo chamava a gente de “bixinho”. A gente ia tocar em Manaus no dia seguinte e em menos de 40 minutos no aeroporto, saiu quase a música inteira. Em dois dias já estávamos gravando, era umas duas da madrugada e nem iamos gravar naquele momento, mas achamos que era a hora certo e gravamos.

Foto: Talita Alencar

Me Gusta: Como é a sensação de participar do Rock in Rio? Como vocês têm se preparado?

Múcio: A gente ficou passado, muito felizes. Todo mundo que já tocou guitarra e todo mundo que faz música, já sonhou em um dia tocar no Rock in Rio. Foi uma surpresa para a gente, a gente ainda não tá acreditando. Desde que recebemos a notícia, não consegui fazer mais nada. É algo surreal. Sobre o que a gente está fazendo para se preparar? Não dá pra se preparar, é pouco tempo e a gente fazer tudo mais no improviso. Se a gente pegar e ficar programando o que vamos tocar, não funciona. Então a gente ensaia e vai decidindo. E vai acontecer o que tiver de acontecer. Vai ser uma loucura. Não tem nada preparado. A gente faz música e sempre agarrar as oportunidades. E no Rock in Rio não vai ser diferente.

Me Gusta: Como é o processo de composição?

Múcio: Gosto de ficar sozinho para escrever, tenho um processo mais solitário na real. É sobrevivência. Uma coisa que preciso fazer para me manter saudável. Todas essas últimas músicas que a gente tem lançado, têm saindo no susto, saindo bem rápidas. No primeiro CD, a gente era super encanado. Era aquela história de que tudo tem de sair perfeito, tem que ser impecável. Agora a gente está em uma onda completamente diferente, fazendo tudo com mais calma, não tem cobranças. Do jeito que a gente acha que tem que fazer, a gente faz. Está ficando cada vez melhor.

Me Gusta: Quais são as inspirações musicais da banda?

Múcio: É a coisa mais incrível da história. A gente não se juntou porque gostava das mesmas músicas, não se juntou porque queria fazer um determinado tipo de música. Ficou um zona. Eu sou do rock alternativo, desde sempre. Acho que quanto menos se sabe cantar e o mais esquisito que for ou aparecer, mas eu amo. O Junina é do Arrocha. O Vitor tem a mistura do rock clássico e com eletrônico. O João é mais guitar hero. E o Lucas é do progressivo. Nossas referências são todas tortas, não tem nada claro que você passa colocar na ponta do dedo e falar é isso e isso. Isso nos dá uma liberdade muito grande, porque a gente não tem uma receita para tudo, faz muita coisa diferente. Isso para mim, funciona. Acho que o público hoje, quero consumir conteúdo, ir no show e se divertir. Então a gente pega de tudo um pouco, inventa coisas, junta o que a princípio não deveria estar junto e o negócio dá certo. O rock não é só uma coisa de música de cabeça. Vai se foder! O rock também é para mexer a bunda. A gente tem que conquistar as pessoas pela cabeça também, Mas o que importa é conquistado pelo coração.

Foto: Bruno Pagani

Me Gusta: Como é trabalhar em grupo, na hora de tomar decisões e driblar diferenças de ideia?

Múcio: Às vezes a gente quer se matar, se comer, mas a gente quer casar um com o outro dez vezes no mesmo dia. No fim das contas tudo dá certo. As decisões que a gente toma, realmente, não precisamos nem raciocinar para escolher. A gente não faz as coisas planejando. Enquanto a gente ficou tentando planejar, a gente não foi para nenhum lugar e falamos “Caguei”. Vamos fazer as coisas que a gente quiser, tocar como quiser, fazer o show da maneira que a gente quiser e rodar o Brasil todo, fazendo o melhor show que a gente pode e vai fazer o povo apaixonar. Assim as coisas começam a dar certo. Tá bombando, tá multiplicando. E é por conta de fazermos as coisas de coração e não só com a cabeça. As decisões que tomamos, a gente se junta decide. No ensaio a gente toca senta e só no olhar se entende. Não tem porque discutir. Todo mundo tá lá com a mesma mentalidade e a gente tem a cabeça muito igual. Todos acreditamos na mesma mensagem. E como para gente a música não é um fim, e sim um caminho para a gente chegar nas pessoas, é tudo decidido com sentimento.

Me Gusta: Quais os próximos passos da banda?

Múcio: A gente tá lançando agora a música “Bixinho” e depois do Rock in Rio, a gente vai rodar o Brasil para fazer shows de lançamento. Vamos acordar o Brasil inteiro. Tem mais dois singles pra serem lançados até o final do ano. O nosso foco e objetivo agora a rodar o Brasil. A coisa que a gente mais ama é fazer show, estar em contato com os fãs e fazer as melhores noites. Esse é o maior presente que a gente gosta de dar para o público.

Foto: Renato Mori

Me Gusta: O que você diria para as bandas que estão começando?

Múcio: O conselho para bandas novas é o que eu disse para os meninos quando a gente tava começando. “Pau no Cu” dos Covers. Toca as suas músicas. Escreva suas músicas e convença o público com suas músicas. Mesmo se tiverem tocando mal no começo, façam o melhor show. Ninguém sai de casa só para ouvir música. Você tá competindo com o Netflix, com a balada, com tudo e então, você tem que fazer uma noite incrível pra seus fãs. E faça uma noite incrível pra você. Faça a noite que você gostaria de estar vivendo fora de sua casa, o show que você gostaria de ver e faça esse show. No começo eu não sabia cantar e não conseguia pôr a voz pra fora. Isso não impediu de fazer alguma coisa? De maneira alguma. Tô até indo tocar no Rock in Rio, é surreal. Se você fizer as coisas com o coração e acreditar de verdade na mensagem que você tá querendo passar, tudo vai dar certo. Tudo que você precisa é de gente que acredita em você. A partir do momento que você tiver isso, ninguém te segura!