Texto e entrevista por André Rossanez

O cantor e compositor Xamã lança seu segundo álbum “O Iluminado”, pela Baguá Records, todo inspirado em jóias raras do cinema mundial.

O Portal Me Gusta teve o privilégio de entrevistá-lo por telefone. Ele nos contou um pouco mais sobre carreira, Rock’n Rio, disco novo e o curta metragem de mesmo nome feito pra divulgar o novo trabalho.

Confira na íntegra, tudo o que conversamos com Xamã.

Portal Me Gusta: Como surgiu a música na sua vida?

Xamã: Eu trabalhava antigamente de ambulante, já trabalhei em trem, já vendi roupa e eu tinha bastante vivência com o público e a linguagem popular. E eu comecei a fazer as batalhas de rima no Rio e sempre usava essa linguagem popular e foi através das batalhas e poesias também. E em 2015, 2016, por aí que eu comecei a fazer música.

Me Gusta: Como é seu processo de composição e quais suas inspirações?

Xamã: Eu sou da categoria do freestyle, 100% improviso, tanto as melodias, como os flows que eu crio. Gosto muito de cinema também, este disco novo fala muito de cinema. Todas as coisas que eu criei até hoje foram baseadas nas coisas que eu vi nas ruas mesmo, o diálogo de pessoas, histórias de amor e de amigos, quase tudo isso na linguagem mais popular do Rio de Janeiro.

Me Gusta: Como surgiu a música “Um Drink No Inferno” e como foi gravar o clipe?

Xamã: Eu gravei meu primeiro álbum em 2017, o “Pecado Capital”, com sete faixas que tinham nomes dos pecados e nessas faixas eu tirei ideia a partir do filme “Seven” com Morgan Freman e Brad Pitt e fez bastante sucesso, como a música “Luxuria” que tem 45 milhões e ficou muito bacana. E eu tive a ideia de agora fazer inspirado não em um filme só, mas em vários que marcaram minha vida. “American Pie”, “Advogado do Diabo”, “Pulpfection”, “Matrix”, “Uma Linda Mulher”, inúmeros filmes. E cada faixa dessas, eu consegui fazer uma autobiografia da minha vida, como se ela fosse parte de cada um desses filmes. E “Um Drink No Inferno” foi o primeiro que eu gravei lá em Paris, inspirado no filme do Tarantino de 96.

Me Gusta: Como foi escolher o repertório do disco “O Iluminado” e a escolha do nome do álbum?

Xamã: Eu tenho Jack Nicholson tatuado no meu braço com ele com a cara na porta do filme “O Iluminado” e eu tinha uma amigo imaginário quando eu era criança e o nome dele era Jack e quando eu comecei a escrever, inclui ele nos textos como terceira pessoa e eu falava com o Jack sobre outras pessoas. Essa era uma característica dos meus primeiros textos. E eu trouxe ele pra realidade, no “O Iluminado”, vídeo que eu lancei há umas duas semanas, um curta. É como se o ilumuminado fosse uma nova linguagem, com uma pegada de Rock e de Trap, algo de novo do que eu estava acostumado a fazer. Eu ainda não tinha feito músicas mais assim com um conceito de cinema, fiz muito lovesong e com outros segmentos, mais Pop, digamos. Esse disco, por mais que seja Pop tem algumas músicas com um outro lado mais pro Rap e uma parada bem mais clássica. E acho que o colapso dessas duas informações, vai fazer a galera curtir bastante o trabalho.

Me Gusta: Como foi gravar o curta “Iluminado”? O veremos mais vezes como ator?

Xamâ: Foi bem diferente, eu não sabia direito o que tava fazendo. Sempre fui muito fã de cinema e a gente gravou as cenas inspiradas nestes filmes todos em um dia só, acho que em oito horas mais ou menos. Foi uma correria monstra. Foi bem único, um trabalho feito em cima de atuações e músicas. Nunca tinha feito um trabalho tão atuado e longo. Foi bacana e se tiver outras oportunidades com o cinema quero fazer.

Me Gusta: Você teve a oportunidade de se apresentar no Rock’n Rio. Como foi pra você esta experiência?

Xamã: Foi muito bacana. Foi a primeira vez que eu toquei com a banda 100% num show de Rock e tinha acabado de chegar da Europa e a gente tava nesse transe de 24 horas antes do Rock’n Rio até subir no palco. Quando entrei no palco, vi as pessoas cantando as músicas e tal, que até pouco tempo quase ninguém conhecia. Acho que nunca vou esquecer daquele momento e das microcoisas, cada momento, da roupa, quando entrei no palco e o como foi cada música. Foi uma parada que me marcou bastante. Espero voltar lá mais vezes.

Me Gusta: Antes desse disco você e Agnes Nunes fizeram o Projeto “Elas Por Elas” e que foi um sucesso grande. Como foi pra você fazer esse projeto e a repercussão dele?

Xamã: Foi muito da hora. A galera curtiu bastante e é uma parada diferente pra mim, acho que mais do que pra ela, mas rolou uma química muito sinistra, que a galera curtiu muito. A track que mais bateu acho que foi “Cida”. Eram músicas sobre mulheres que foram importantes nas nossas vidas. A resposta foi muito boa. Foi uma experiência muito nova pra mim e onde aprendi muitas coisas novas com a Agnes e acredito que ela tenha aprendido também. Quando a gente junta dois universos diferentes, você trás uma coisa nova e uma parada positiva pros dois universos.

Me Gusta: Como é sua relação com seus fãs?

Xamã: Eles são bem parecidos comigo, bem estranhos. A gente gosta muito de filme, viaja nas mesmas coisas. Eu tenho muitos tipos de público diferentes. Tava até falando esses dias, tenho um público evangélico muito grande e tenho o público da galera do mundo mesmo. Às vezes recebo vídeo do nada no instagram da galera presa, e falo ‘que é isso, que loucura’. Tem o cara que é evangélico que curte bastante, tem o público gay muito bacana, tem o hétero que curte pra caramba. Eu tenho um público adverso. Eu faço todo tipo de música. Acho que o principal disso tudo é a linguagem popular, cara, quando você pega um ônibus, um metrô e ouve a galera falando naquela linguagem. Independente se você tá na rua, numa cidade grande, na roça, a forma como falo atinge todos os públicos. Interajo com eles sempre, diariamente. Sempre tento responder no instagram e nas redes.

Me Gusta: Dentro do que você pode adiantar, quais os próximos passos da carreira?

Xamã: Eu pretendo fazer o clipe com Felipe Ret, do “Adovogado do Diabo”. Acho que de acordo com o que a galera ouve, o que tiver mais resultado também faço vídeos. Agora em 2020 tem single com a Pocah, vou fazer som com a Gloria Groove, também com o Vitão. Vem bastante coisa.