Texto e entrevista por André Rossanez

A Banda Versalle é atualmente uma das maiores do Rock Nacional e seu mais recente álbum “Escape” é dividido em duas partes, ‘Correnteza’ e ‘Fortaleza’.

O trio está lançando seu novo single de mesmo nome do disco, que faz conexão entre as duas partes e chega com uma faixa bônus.

O Portal Me Gusta teve o privilégio de entrevistar por telefone o baixista Paulo Caska. Conversamos sobre a Banda Versalle, carreira, disco e a canção “Escape”. Saiba tudo que conversamos na íntegra.

Portal Me Gusta: Como surgiu a Banda Versalle?

Paulo Caska: A banda surgiu em 2009 em Porto Velho, Rondônia. Não participei do começo da banda, entrei depois em 2017 mas acompanho e sou amigo dos meninos desde sempre. Surgiu em 2009, e na época era uma cena de bandas bem pesadas, com muito metal, muito hardcore. Aí, os meninos de bandas pesadas se juntaram, para começarem a tocar covers mais calmos de Rock e umas coisas diferentes, que não rolavam naquela época. Logo no primeiro ensaio, já compuseram a primeira música e a banda começou a investir na parte autoral.

Me Gusta: Como surgiu o nome Versalle?

Paulo: Versalle era o nome de uma banda, que um outro amigo ia montar, mas nunca montou. Aí o Lucas pediu ‘ já que você não vai usar o nome, dá para gente, a gente gostou dele”. E aí ficou o nome Versalle.

Me Gusta: Paulo, como surgiu o seu amor pela música e como você entrou na Versalle?

Paulo: Eu toco desde os 10 anos de idade. Sou carioca, mas me mudei para Rondônia com 12 anos e lá tive minhas primeiras bandas, tocando Guitarra e Baixo. No começo eu tocava mais Guitarra e fui virando baixista de vez, apesar de ter entrado na Versalle tocando Guitarra. Quando o Rômulo saiu e eles iriam ficar sem guitarrista, eu falei pôacompanho vocês no shows e comecei a acompanhar tocando teclado e guitarra e logo na sequência, o Miguel saiu da banda deixando o Baixo e passei em definitivo pra baixista. Agora a gente é um trio, apesar de ao vivo termos um músico de apoio, o Jeferson Almeida, que inclusive foi engenheiro de mixagem do disco e que ajudou nas composições.

Me Gusta: Como foi escolher o repertório do álbum “Escape”? Comp surgiu a ideia de dividir ele em dias partes (‘Correnteza’ e ‘Fortaleza’)?

Paulo: Primeiro, quando a gente começou a fazer o novo álbum, a primeira meta que a gente tinha em mente era soar diferente do outro disco (“Distante Em Algum Lugar”). Então a gente viu o que a gente tinha de música pronta na mão, e o que estava realmente diferente do outro álbum e fez essa peneira. Dentro das músicas que a gente tinha escolhido, era bem nítido que algumas músicas eram mais melancólicas e tinham um tom mais reflexivo e que de outro lado, algumas eram nitidamente mais solares, animadas e positivas. E tem a música “Sinestesia”, que é a última do primeiro lado e que fala ‘seguir a correnteza, seremos fortaleza’. Isso é bem o lance do ‘Escape, que é você estar em uma situação difícil, atravessando a ‘Correnteza’ e conseguir ir pra um lugar melhor, que é essa “Fortaleza” interior. Ai vem o novo single “Escape”, que saiu agora e é um bônus track do álbum, que não está necessariamente no disco, mas vem como um bônus.

Me Gusta: Como surgiu o single novo, “Escape”?

Paulo: Já tínhamos tocado ela em shows, mas ela tinha um arranjo muito parecido com “Distante Em Algum Lugar”, ainda e em um primeiro instante, a gente excluiu ela, apesar de o nome fazer todo o sentido ao enredo que a gente tinha criado para o novo disco. E no processo de finalização do álbum, foi que a gente pensou ‘e se a gente mudar o arranjo?’, e aí fizemos esse arranjo completamente diferente do que era e conseguimos mesclar um arranjo mais “Fortaleza” com a letra e melodia mais para “Correnteza”. Essa bonus track sintetiza tudo isso.

Me Gusta: Quando tocaram a música “Escape” nos show, como foi a repercussão?

Paulo: A gente tocou ela algumas vezes em 2018 quando a gente tava experimentando algumas músicas novas no show e a repercussão dela sempre foi muito boa, de o pessoal comentar depois.

Me Gusta: Como surgiu a canção “Essa Noite”? Como foi gravar o clipe?

Paulo: ‘Essa Noite’ foi uma música que quando Criston Lucas mostrou pra gente, sabíamos que seria a balada do disco e escolhemos ela como música de trabalho, justamente por ser essa balada mais acessível e com mais violão. Não tinha nenhuma música da banda assim, mais acústica e tal. E o clipe surgiu da ideia de mostrar situações em que as pessoas cansam de viver alguma coisa ou vivem alguma coisa diferente por estarem conectadas ou não nesse mundo virtual que nos rende hoje em dia. Então, as histórias do clipe se interligam nessa situação do tipo ‘humanos versus tecnologia’, dessa coisa de você viver no mundo real e no mundo virtual. Então, a gente queria passar isso com essa música, que carrega esse lance de ‘essa noite quero reviver, passar com você, e tal’. a gente fez essa analogia de estarmos pertos de todo mundo no celular e ao mesmo tempo nos distanciar mais das pessoas.

Me Gusta: Como foi a sensação de vocês ao serem indicados ao Grammy de Melhor Álbum de Rock?

Paulo: Foi uma grande surpresa pra todo mundo. Na épica, eu não estava na banda, mas como eu disse sempre fui amigo dos meninos e sempre estive por perto. Foi uma surpresa geral. Ninguém chegou a avisar que corriam o risco de serem indicados ao Grammy, simplesmente chegou a notícia. E o disco “Distante Em Algum Lugar”, que foi indicado é um álbum que até então eram compilado da obra da banda de 2009 até aquele momento. Foi uma grande surpresa e foi muito importante.

Me Gusta: Como vocês fazem para em grupo, tomar as decisões sobre a banda?

Paulo: A gente é bem democrático. Ninguém costuma ficar chateado, ainda mais agora que somos um trio e não tem como dar empate. A a gente sempre faz uma votação, consulta um a um e vê o que cada um quer. A gente até demora para dar uma resposta, por querer saber o que cada um gosta e que todo mundo ficou confortável. Até mesmo em cima desse lance de democracia e de votação, a gente sempre se pergunta ‘você tá mesmo confortável com isso?’. É importante, porque uma banda é trabalho, mas também é muito de coração. Então tem que estar todo mundo confortável com o que tem sido feito.

Me Gusta: Como é a relação da banda com os fãs?

Paulo: A a gente tenta ser o mais próximo. Temos até um grupo de Whats App e quem está interessado é só ir lá no Instagram, que tem o link para o grupo. Lá a gente conversa pessoalmente com os fãs e trocamos figurinhas pra caramba. Quando alguém entra, já pedimos que mandem figurinhas pra coleção da galera. A gente tenta então, ser cada vez mais próximos do pessoal que gosta do nosso trabalho.

Me Gusta: Dentro do que você pode adiantar, quais os próximos passos da Versalle?

Paulo: Fora a bonus track que a gente tá lançando, a gente retoma com um projeto que já estava acontecendo entre o “Distante Em Algum Lugar” e esse novo disco “Escape”, onde estávamos fazendo parcerias em singles com outros artistas. Já fizemos com o Lucas Silveira da Fresno, com Dona Cirlene e com o Zimbra. Agora, durante 2020, a gente quer repetir a dose com outros artistas tanto dentro como fora do Rock. Queremos expandir bastante o leque musical e agregar novos elementos, novas pessoas e novas parcerias. Vamos focar em singles e parcerias com artistas do cenário brasileiro.