Texto e Entrevista por André Rossanez

O Portal Me Gusta teve a felicidade e o privilégio de entrevistar por telefone o Duo Catioro, sensação do Rap Naconal. A dupla de Brasília acaba de lançar seu single “Raba” que trás o Rap com uma pitada de Pop com direito a clipe e tudo.

Conversamos sobre a carreira dos dois, o processo de composição deles, o cenário Rap de Brasília, novos rumos e claro, a nova música. Saiba tudo que conversamos na íntegra. O mais bacana, é que mesmo ao telefone pude perceber como é incrível e cativante a vibe e a energia desses dois grandes artistas Alguns trechos que estarão em azul é o que disse o XVs, já em preto, as falas de Pedro Senna.

Portal Me Gusta: Como surgiu o nome Catioro?

Duo Catioro: Na verdade é uma piada, né? A gente posta muita piada, inclusive nas letras e tem muita piada interna, dos nossos amigos e que só eles entendem. Catioro já era uma piada. Eu vinha muito para São Paulo quando tinha uma banda de Rock e tinha uma piada. Toda vez que a gente via um cachorro na rua, a gente gravava um vídeo e ficava falando ‘Catioro, São Paulo’ e um dia em algum momento isso foi engraçado e virou piada e ai também tinha aquele negócio do ‘Catioro’ da malandragem e a galera do Rap se chama muito de Catioro e tal. Acabou juntando a nossa piada, com esse negócio e também tem muito a ver com as nossas letras, que tem um negócio mais engraçado. E quer dizer tanto safado quanto fofinho, os dois lados. Tem a música de amor e também tem a música que é mais malandrinha.

Me Gusta: Como se formou o duo?

Catioro: Eu voltei pra Brasíla e eu tinha escrito uma letra, compus a melodia na guitarra e eu precisava de um beat e nessa eu não tava com um vocalista. O Senna, a gente já vinha conversando direto e ele disse ’tô produzindo uns beats’ e eu pedi pra ele trazer um beat pra mim e na hora q a gente sentou já falei, ‘mano deixa te perguntar, vc não quer cantar com a gente?’. Era eu, Senna e Ludovico, que hoje não canta mais, e agora faz parte da nossa equipe técnica, é produtor e trabalha na Bendita, que é gravadora lá de Brasília. E Senna aceitou. A gente entrou no estúdio, começamos a escrever letras e foi a partir dessa música e desse assunto em comum e a amizade. E isso reflete bastante o que é a Catioro, e esta amizade que a gente tem.

Me Gusta: Como se dá o processo de composição? Quais as influências na hora de compor?

Catioro: É muito colaborativo. Principalmente o Rap é um estilo muito universal e a gente pode usar a essência de todos os estilos. E como a gente é também muito eclético, acaba se influenciando, eu acho. E o nosso processo é o seguinte, a gente pega e se tranca durante três semanas em estúdio em Brasília e a gente fica madrugadas e madrugadas trabalhando e juntando o máximo de músicas e quando a gente já tem umas doze músicas prontas (a gente fecha 12 sempre) e mostra pro Nine, escolhe uma ou duas e grava. A gente faz assim sempre, é um processo que a gente tem adotado há pelo menos um ano e meio.

Me Gusta: Em 2018, com apena 15 dias de lançamento do single “Um Hit A Cada Gole”, vocês se apresentaram no evento musical “El Baile Em Medellin” no Estádio Nacional Mané Garrincha em Brasília. Como foi essa experiência pra vocês e com tão pouco tempo participar desse evento tão importante?

Catioro: El Baile é uma festa do Cacife Clandestino e roda o Brasil todo, é um evento muito importante e grande. Pra gente foi uma experiência bem legal, ter essa mistura lá. A galera foi super bem receptiva. Uma semana antes eu acabei indo pra São Paulo e antes de tocar pude ver, conversei com o produtor e na outra semana a gente já tava em Brasília. Foi um bom começo, que abriu bastante portas pra gente. Foi o que botou a gente na cena mesmo. Foi um acontecimento. A gente era muito novo como duo e a galera não conhecia muito e os números tavam crescendo na época e a gente tinha lançado o primeiro som e já estava alí num negócio tão legal. E depois do El Baile foi mais legal ainda.

Me Gusta: Como surgiu o novo single “Raba”?

Catioro: A gente estava em casa com uma melodiazinha e a gente foi lá pra casa de madrugada e foi a primeira vez que a gente criou e produziu de madrugada e inclusive virou um ritual nosso. O negócio já tava pronto e eu cheguei lá no estúdio meio tarde da noite e a gente tava abrindo um beat, pq a gente faz muita coisa sozinho também pra depois apresentar pro outro e tal e acaba saindo uma outra ideia da música. A gente tava lá e já tinha uma melodia e eu ouvi e falei “mano, tem um negócio dançante, e a gente pode botar uma levada mais anos 2000 e vamô que vamô”. A gente acreditou bastante nisso e a gente trouxe um toque de Pop pra letra e tentou juntar a linguagem do Rap com a abordagem do Pop nessa música. E quando terminou a música, a gente viu que realmente tinha uma abordagem mais Pop e a gente podia tomar um rumo que ainda não tinha tomado.

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Me Gusta: Como foi gravar o clipe de “Raba”?

Catioro: Foi muito legal. O clipe na verdade, a gente gravou no estádio e também tem uma história legal, porque tava tendo uma festa lá antes que chama Pavilhão da Luz em que tocou Ludmilla, Black Eyed Peas, Ferrugem, tocaram os grandes da música é um festival importante que tem lá em Brasília e é itinerante e que acontece de dois em dois meses e um de nossos amigos é um dos sócios da festa. E ele chamou a gente um dia pra ir na festa e quando eu pisei na festa, já estávamos comentado de fazer o clipe e olhei o lugar e disse “vai ter que ser aqui” e ai liguei pra ele no outro dia pra ver se a gente poderia fazer e ai foi tudo tomando forma. Caiu como uma luva mesmo. É muito doido e é o clipe que a gente mais quis trazer esse clima de festa, a gente já tinha a vontade de ter dançarinos dos mais diferentes possíveis pra sair daquele padrão e foi muito legal. No dia a gente curtiu e se divertiu pra caramba. Foi um dos clipes mais legais.

Me Gusta: Brasília é bem conhecida pelo cenário do Rock Nacional. Gostaria de saber, como é o cenário do Rap, Trap e Hip Hop em Brasília?

Catioro: O cenário do Rap é bem forte lá em Brasília desde os anos de 1980. A gente aparece lá com o Mag, o cara é uma referência nacional, ai depois a gente tem a Tribo da Periferia, que o mais recente é o Hungria que virou um fenômeno, tem até o Guind’Art que é um Rap Gospel . Então Brasília sempre teve essa força no Rap e hoje a gente vem com essa nova safra com nós, Preto e Branco, enfim. Brasília sempre foi muito grande no Rap. É bem legal que ela é um grande celeiro de artistas não só do Rock e Rap, mas também de vários estilos.

Me Gusta: Como vocês vêem o cenário do Rap, Trap e Hip Hop Brasilieiros?

Catioro: A gente vê que cada vez mais que o Rap vem crescendo não só no mundo, mas também no Brasil. O Rap é um estilo hoje que você consegue misturar muito fácil. Você pode botar qualquer estilo com a batida do Rap que funciona e até a gente tem visto bastante isso e o Rap hoje a galera considera como a vanguarda da profissão.

Me Gusta: Como é a relação de vocês com seus fãs?

Catioro: A nossa relação é bem próxima. E é muito legal, porque inclusive no instagram vem chegado muita gente de fora e hoje Brasília, que é de onde a gente veio, é quinto lugar em que e mais escutam a gente. Primeiro é São Paulo, segundo Rio de Janeiro, terceiro Curitiba e quarto Goiania. Tem mais gente de fora que escuta a gente que a nossa própria cidade. A gente tenta sempre manter o contato, responder todo mundo, dar dicas. Agora nosso próximo passo que a gente tá tentando, é começar a fazer shows fora de Brasília. Já temos Goiania e estamos tentando negociar Curitiba e Rio de Janeiro, pois a gente percebeu que o nosso maior público está por lá e tem uma galerinha que chama. E agora esse é o nosso foco.

Me Gusta: Como vocês se organizam na hora de tomar as decisões referentes à dupla, podendo ter possíveis divergências de opinião?

Catioro: A gente é muito de sentar e começar a produzir e a partir daí a gente faz e depois muda. Até porque a gente tem o André Nine (produtor) também pra ajudar a gente. A gente se reúne e vemos o que cada um acha. Tenho as minha preferidas, ele tem as dele mas pra gente o que o Nine falou, tá falado. A gente também usa argumentação lógica. Tem coisa que é bem assim, “porque você quer essa? Porque ela é legal”, então beleza vamos ficar com ela porque é legal. A gente também faz muito teste e usa a lógica do porque a gente quer fazer aquilo, do que tem sentido. Então a lógica prevalece nas decisões.

Me Gusta: Dentro do que puderem revelar, o que podemos esperar dos próximos passos do duo Catioro?

Catioro: A gente lançou “Raba” e já tem mais um som pronto pra lançar e a caminho de produzir vários outros. E vamos fazer um corre pra poder alcançar outras cidades com os shows. A gente já tem umas cinco músicas prontas e a gente começa a vender os shows, não só pockets e o ideal é fazermos mais participações. E com nove, dez músicas que é o ideal, já vamos vender nossos shows esse ano e vamos lançar singles.