Entrevista e texto por André Rossanez

A dupla sertaneja Diego e Ray, além de grandes compositores, são grandes cantores e estão lançando a primeira parte do projeto “Buteco 24 Horas 2”, com 7 canções muito bacanas e a participação especial de Léo Magalhães.

O Portal Me Gusta teve o privilégio de entrevistar por telefone o cantor Ray. Ele me contou detalhes do novo EP dos dois, “Buteco 24 Horas 2- Vol 1 “ e falou de carreira, música, parcerias e como eles estão passando por esse momento de isolamento social.
Fique por dentro de tudo o que conversamos na íntegra:

Portal Me Gusta: Como surgiu a dupla?

Ray: A gente tem quase dois anos de dupla, mas já somos parceiros há uns seis anos, de composição. Então, a gente já tava bastante tempo trabalhando juntos, em repertório de artistas do país inteiro e a gente já cantava junto, gravava as guias pros artistas juntos e em audição ao vivo, cantava junto. Então foi acontecendo, a gente foi cantando juntos e eu gostava demais de cantar com ele e ele gostava de cantar comigo e a gente se respeitava muito profissionalmente e então a coisa surgiu naturalmente. Numa resenha, um dia a gente bebendo no nosso escritório, um amigo nosso perguntou se a gente não tinha intenção de gravar junto e começou a martelar na cabeça da gente. Começou meio na brincadeira gravando vídeo caseiro e dois meses depois, a gente gravou um DVD juntos. Foi natural e rápido após surgir a ideia.

Me Gusta: Como se dá o processo de composição de vocês e suas inspirações?

Ray: A gente não tem muita regra. Todo dia a gente compõe , faz alguma coisa boa ou ruim e tem isso, de tirar ideias do cotidiano, do que está acontecendo, porque na verdade, a gente nunca sabe quando vai surgir uma música legal, bacana, então tem que estar sempre fazendo. Nosso processo é esse, de compor sempre. A gente tem uma ideia e executa, boa ou não, e nisso a gente deixa as coisas legais, as músicas boas ficam. Seis anos já nessa pegada e está dando certo.

Me Gusta: Como foi escolher o repertório de “Buteco 24 Horas 2” e escolher quais músicas entrariam na primeira e na segunda parte?

Ray: O processo foi bem simples, porque a gente já tinha muita coisa na mão e que a gente gostava. Logo que a gente lançou o primeiro “Buteco”, desde lá a gente não parou de compor. Tem música que a gente gravou neste e que já tem três anos e músicas que a gente achou que não cabia no primeiro repertório, porque a gente tinha feito algo simples e de fácil compreensão, pras pessoas entenderem muito rápido. Já nesse segundo, a gente pegou músicas que precisavam de uma complexidade maior na produção, não na parte de letra, e sim musical. A gente prezou por dar uma evolução musical, uma evolução sonora bem diferente do que foi o primeiro. Nesse segundo optamos por algo mais elaborado, mais pensado, com alguns arranjos diferentes e roupagens diferentes. Pra você ver, a gente gravou Pop Rock, gravamos uma música extremamente Brega, uma com uma pegada mais Calipso, fizemos Bachata, Vanero. Esse repertório ficou bem plural e a gente teve uma estrutura pra fazer um projeto mais elaborado, antes a gente não tinha. A escolha das músicas que estariam na primeira parte, a gente já tinha meio pré-definido, quando começamos a pensar o repertório, já tinham 3 músicas já definidas como cargo-chefes, que agente acreditava e todos a nossa volta também, a gravadora, os nossos empresários e escritórios. Pensamos nas quatorze faixas, e tentamos colocar todas no seu devido lugar, nada pra encher linguiça. Todas tem um propósito, uma história, da primeira até a última música, todas tem um porquê de estar lá. Foi até difícil escolher as sete primeiras músicas, foi uma missão e acabaram sendo escolhidas por votação, no que o escritório gostava mais, a gente gostava mais e a gravadora gostava, mas de um jeito bem harmonioso, bem tranquilo, porque a gente confia muito no nosso repertório no geral. A dificuldade foi mesmo o que lançar primeiro e o que depois e dar continuidade, não cair, o que a gurizada vai assimilar melhor agora. Foi mais ou menos essa linha de pensamento.

Diego e Ray com Léo Magalhães

Me Gusta: “Leidiane” é uma música bem animada e divertida. Como surgiu essa canção e a parceria com Léo Magalhães?

Ray: Essa música é muito legal. A gente fala que foi fora de série, a gente já tava tranquilo e numa resenha alí, tivemos a ideia dessa música. No início, o nome da música era “Juliana”. A gente tava brincando e veio o refrão e ai soltou uma parte e uns outros pedaços e a gente começou a brincar no nosso tempo de confraternização, pra fazer e gravar essa música. Mas quando a gente fez não tinha pretensão e nem coragem de gravar ela por ela ser bem Brega. O Brega do Brega. Mas a gente pensou que se a gente já gosta tanto de escutar brega, porque não ter uma brega, tão brega no nosso repertório. E tem um cantor por qual a gente é apaixonado, que não é tão conhecido no Brasil, mas a gente escuta sempre e ele tem uma música que fala de uma mulher chamada Leidiane e ai a gente pensou porque não colocar uma coisa que faz sentido e que a gente gosta. Então decidimos fazer uma nova roupagem pra Leidiane e contar uma nova história da Leidiane. O cantor é o Julio Nascimento, e ele conta a história sobre a Leidiane e várias mulheres e asism, a gente decidiu trocar o nome da música em homenagem a esse amor que temos por esse cara. Da participação do Léo, a gente tava fazendo uma audição com ele, pro DVD dele e a gente é muito amigo há um bom tempo e a gente é fã dele e respeita demais. Durante essa audição, ele gostou demais da “Leidiane” e que a gente mostrou pra ele, pra ele participar do nosso DVD e foi tudo natural, tranquilo. Foi um pouco difícil ter a coragem de gravar de tão brega, mas o nosso país é Brega, a gente gosta do Brega e as pessoas iam gostar. E tem dado certo, tem várias pessoas que me falam dela e que é muito boa, alto astral por mais que conte uma história triste, por ser brega.

Me Gusta: Muitas músicas suas foram gravadas por outros artistas, como “Ciumera” pela Marília Mendonça. “To Com A Moral No Céu” com Mateus e Kauan e “Homem de Família” de Gusttavo Lima. Como é pra vocês a sensação ao ouvirem suas canções em outras vozes e sendo sucesso no país todo?

Ray: É muita emoção, desde a primeira música. Eu tava refletindo que a gente faz música às vezes num lugar, tipo fundo de casa, um quartinho do escritório. A gente senta em duas, três pessoas e faz a música e em questão de algum tempo a música tá tocando, você vê num vídeo de um artista cantando e a gente vai num show com multidões com 50 mil pessoas cantando a música junto. É pra gente, até surreal. Eu vim de uma família onde ninguém era músico, não tinha nenhum artista sertanejo, não tinha uma referência dessas e pra mim tudo sempre foi muito surreral e continua sendo. Ouvir uma música nossa, é sempre uma emoção diferente. É uma coisa inexplicável. É muito bom viver isso e a gente continua trabalhando pra continuar vendo isso.

Me Gusta: Faz um tempinho, vocês gravaram a faixa “Emergência” com o Hungria Hip Hop. Como surgiu a ideia de misturar o Sertanejo com o Rap, o Hip Hop e a parceria com Hungria

Ray: O Rap sempre fez parte da minha vida, desde criança. Então sempre acompanhei, fui fã e sei todas as músicas do Hungria e quando aconteceu de a gente se conhecer, e ele participar do projeto, não foi nem através de mim, e sim através do Diego em uma reunião com o empresário dele em Brasilia, quando a gente nem se conhecia. Quando eles chegaram lá, o empresário disse ‘Hungria ouve em toda resenha as músicas de vocês’ e o Diego ficou meio duvidando e o empresário levou ele, pra conhecer o Hungria e ele sabia cantar nossas músicas e sabia “Coração de Isca” de cor e realmente ouvia sempre nosso som. Gratuito mesmo, só por gostar. E quando o Diego me falou da proposta do empresário de o Hungria gravar com a gente, a princípio ia ser um clipe, eu fiquei assim, sempre foi algo que fez parte da minha vida e pra mim foi ‘como assim? Não faz nem sentido’. Aí, levaram a gente até ele e eu conheci melhor o Gustavo Hungria. A gente fez inúmeras resenhas lá, inúmeras histórias já pra contar. Foi algo, acredito eu, muito de Deus, de dar tão certo, eu ser tão fã do cara e acontecer do cara gostar da música da gente e propor uma parceria. Pra mim foi uma coisa de outro mundo mesmo, que só Deus explica. Foi bem bacana. A gente sempre teve a visão de que Sertanejo não tem só um ritmo, sempre teve essa visão e sempre tentou escrever músicas pra outros ritmos se misturarem ao Sertanejo. E a parceria com o Hungria, foi diferente. Era uma música que a gente já tinha há três anos e casou perfeitamente o beat, com o cara que a gente queria, com essa brincadeira de sair escutando Hungria e voltar ouvindo Diego e Ray, uma coisa que parece que totalmente tava pra acontecer e foi natural, não foi uma parada que a gente planejou, apenas aconteceu e não poderia ter acontecido de melhor forma.

Me Gusta: Como está sendo pra vocês dois este momento de quarentena e isolamento social, ainda mais na questão artística, de trabalho?

Ray: Foi um baque muito forte, principalmente no psicológico da gente. A gente tá como dupla há dois anos já, e o primeiro ano, foi uma descoberta total, a gente fazia pouco show, shows sem muita estrutura e a gente queria mostrar nossa música e a gente fazia eventos e alguns até se arrependia de ter feito, mas a gente fazia pra ter essa experiência. E desde a virada do ano, a gente vinha se preparando na parte psicológica e de estrutura, nos preparando mesmo, e nesse ano a gente ia ter show todo fim de semana, até o fim do ano. A agenda completa, com algumas datas ainda soltas, mas sendo negociadas. Era um sonho mesmo. A gente veio de um ano complicado e nesse ia ser totalmente diferente, a gente tinha outra realidade e subido pra outro patamar mesmo e veio essa pandemia e quebrou a gente praticamente no meio, só não na parte financeira da parada, como na parte que a gente se preparou bastante pra fazer esses shows, preparamos o repertório, o show, os músicos, tudo. E a gente parou de cantar porque teve que dar aquela freada, e todos os shows foram cancelados até última ordem. Acho que o maior baque da gente foi isso. Porque a questão de lançamento, de rádio é uma coisa que a gente faz com tranquilidade, ainda mais nesse momento em que a gente tá buscando outras formas de chegar ao público. Mas realmente deu uma quebrada feia na gente, no psicológico. Mas a gente já não tá mais desesperado, já fez Live, já sentiu a emoção de novo do show através da Live e sentiu o calor do público que chega pela internet e aquele nervosismo. A nossa cura está sendo as Lives, porque a gente se preparou por muito tempo. Acabou não acontecendo os shows, mas essa questão de Live é uma parada que chegou pra animar a gente e pra gente ter esse contato com o público. Foi um baque não só pra gente, pra todos. A pandemia afetou demais o psicológico da gente, porque ia ser um ano de grandes shows e a gente vinha se preparando par fazer bonito. Mas tudo acontece com algum propósito, não é culpa de ninguém e a gente tem que se virar e tentar achar outro meio. Com a Live dá pra matar um pouco da saudade e mostrar um pouco do que tínhamos preparado. Foi difícil de acreditar e a gente tem que se reinventar.

Me Gusta: Dentro do que se pode adiantar, o que podemos esperar dos próximos passos da carreira da dupla?

Ray: A gente acabou de lançar o primeiro DVD que gravamos em São Paulo, as sete primeiras músicas. E a gente tá muito confiante, principalmente nos números, pois a gente não tem a questão dos shows pra sentir realmente. Porque a medida essencial pra você saber se o seu projeto tá dando certo, tá no caminho certo, é vendo a gurizada cantando suas músicas no show e o que a gente mais sentiu foi isso. Mas baseado nos números, a gente realmente está em outra realidade, e tem muita gente comprando briga, fãs fazendo centrais de fãs e então nosso projeto é esse agora, de dar continuidade no trabalho pela internet e rádio, seguindo o cronograma que já tinha dessa parte, antes da pandemia. Vamos lançar as músicas do mesmo jeito, e fazendo ainda mais interações pela internet. A gente não tirou o pé e vamos dar um jeito. Sem a parte do show, claro, mas não dá pra ficar parado em casa, então o planejamento é o mesmo, os lançamentos vão acontecer do mesmo jeito, serão lançados todos os clipe. Fora show e eventos, tudo continua igual, como tínhamos planejado. E vamos interagir, responder às pessoas no nosso direct e fazer Lives. A gente vai continuar o trabalho.