Por André Rossanez

A banda Gospel Preto No Branco, está em uma nova fase com novos vocalistas, chamada de “Nova Temporada”. A estreia da formação com Fadi, Luã Freitas e Silas Simões como vocalistas, foi através de uma Live com grandes sucessos do grupo e que os apresentaram a todos.

O Portal Me Gusta teve o privilégio de participar de uma Coletiva de Imprensa Online com os três cantores, através do aplicativo Zoom. Eles contaram um pouco sobre a nova fase da banda, primeiro single juntos, música gospel e as expectativas pra esta nova jornada.

Foi muito bacana ver como eles, com pouco tempo juntos, já estão conexos entre sí e como um realmente complementa o outro e como eles estão em harmonia, como têm química juntos.

Saiba o que Silas, Luã e Fadi contaram:

Relação De Cada Um Com a Banda

Fadi: “A minha relação com Preto No Branco, começou bem no início. Eu morava em Belo Horizonte e é uma banda que teve início lá. Eu já os admirava muito e foi bem surpreendente pra mim o convite de fazer parte do Preto no Branco, porque é uma banda que eu já admiro muito, com a musicalidade e tudo que ela oferece pra dentro do meio Gospel e do secular, dentro de sua musicalidade, que é de excelência e a gente realmente preza. E é uma coisa que eu prezo como artista, esta comunicação, a questão de conexão, conectar pessoas e fazer uma conexão da pessoa de Jesus, com a pessoa dentro de seu contexto cultural, então foi uma surpresa extremamente maravilhosa e inda melhor quando eu conheci o Silas e o Luã, porque eles são surpreendentemente incríveis e muito musicais, graciosos e muito humanos. Foi uma surpresa, eu não esperava”

Silas: “A minha relação também tem bastante tempo, desde o começo da banda, não com uma maneira direta, como admirador mesmo. Sempre estive envolvido na música, principalmente na Música Gospel. Minha relação sempre foi com o Gospel, poucas vezes com a música secular, mas digo que a música não tem uma vertente, ela é música, o que vai mudar é o que a gente trata e o que a gente fala. Eu sempre gostei da banda e sempre achei muito interessante a maneira com que eles incluíam a musicalidade deles pra todos os povos, todas as línguas, todos os formatos, e sempre valorizando a linguagem da música brasileira e de uma maneira muito regional como eles traziam. Isso pra mim sempre foi importante. Quando veio esse convite, o que mais me fez entra nessa nova temporada, foi o fato de nós três sermos diferentes musicalmente falando, mas com o mesmo ideal, mesmo que a gente fale diferente é sempre uma única perspectiva, sempre a mesma mensagem e por mais que a música tenha um pouquinho de cada um e traga sua particularidade na música, a gente junto soma muito legal e é isso que a nova temporada tem a trazer. Essa diversidade dentro de um único ideal”

Luã: “A minha relação com o Preto No Branco, começou com a amizade que eu tenho com o Michel e o Clóvis desde o início, acompanhando as coisas e muitas vezes já me senti inserido em poder acompanhar e contribuir de alguma maneira, eu pude fazer som como guitarrista, eu sempre tinha aquela coisa de caminhar juntos e a amizade. Eu acho incrível, sempre foi uma referência pra mim, justamente pelas mesmas coisas que eles falaram e pela liberdade de falar musicalmente de forma leve pra alcançar todo mundo, sem gênero, sem cor. Não tem uma identidade musical específica , é sempre surpresa, ninguém sabe o que vem. Vem no Reggae, na Soul Music, outra hora no Pop e essa liberdade sempre me chamou atenção e é uma felicidade fazer parte disso e o principal de tudo é a mensagem que é a mesma. E esses lindos, maravilhosos, eu aprendo demais com eles, tá sendo uma experiência incrível. Fora que o Alex [idealizador da banda] é incrível e as ideias que ele tem são importantíssimas (ele é visionário, completa Fadi)”

Durante a Coletiva Online

A Música Gospel Atual

Silas: “A Música Gospel evoluiu muito. O Gospel mudou de maneira geral, tanto musicalmente falando, e especificamente de dos ritmos que podemos tocar, da forma que podemos expressar a arte e principalmente pelo entorno. A gente costuma dizer que a música tem duas formas, a vertical e a horizontal. E por muito tempo ela foi vertical, que é uma relação de letras entre o homem e o divino. Hoje nós falamos sobre Ele de uma maneira horizontal, então falamos pra frente. E esse é o tipo de evolução. A música deixou de ser apenas distração ou ser um momento de elevação espiritual, mas também pra alcançar as pessoas dentro de suas fraquezas, de seus problemas sociais, tratando algumas críticas, protestando sobre tudo aquilo que vai contra o que nós cremos, e a nossa ideia de Senhor Jesus Cristo. Acho que a Música Gospel cresceu demais e se abriu pra outros ritmos. Mais especificamente no Brasil, tinha uma influência de música estrangeira e hoje a gente pode falar muito mais da Música Gospel dentro da Bossa Nova, da MPB do Samba, do Axé, do Reggae”.

Fadi: “É muito complicado falar sobre a Música Gospel, porque a gente tá falando num contexto brasileiro, mas é muito mais abrangente. Quando a gente vê a história da música, principalmente gringa, eles se expressam com o Rock, o Blues, eles têm isso no Gospel. O Gospel originou vários gêneros e vários ritmos, só que a gente perdeu o compasso, perdeu o time. Então agora, a gente tá correndo pra recuperar e trazendo excelência, a linguagem, a perspectiva e novas tendências, porque era isso que a gente trazia antes. Acho que o Gospel está chegando”.

Como tem sido viver nesse momento de isolamento social, onde todos se apegam mais a Deus

Luã: ”Acho que Deus é perfeito, em relação ao tempo. É um momento de verdade pra igreja se levantar, pra gente se levantar e ter voz ativa, pra poder levar o que realmente as pessoas precisam e que uma palavra, uma frase mude a vida de uma pessoa. Ainda mais se for em palavras cantadas, através das música. Eu fui alcançado através da música. E ser instrumento nesse momento de dificuldade tão grande é único de verdade.

Fadi: “A humanidade tem esse senso de espiritualidade, ela sente falta de algo transcendente, ela quer essa comunicação e num momento difícil é realmente difícil a gente não se apegar a algo maior, porque a gente não tem solução, alguém deve ter. É muito gostoso ver que a música tá sendo pra acalentar, pra ser transformadora e ela está trazendo esperança. É um tempo de reflexão, então as pessoas estão procurando as músicas cristãs pra se apegar a esperança, ao amor e que vai ficar tudo bem. E o que eu preciso mudar, como posso ser melhor depois desse período? Então, está sendo muito legal fazer parte deste recado e dessa família em Cristo e que tem essa mensagem, que tem Jesus como esperança”.

Silas: “Quando a gente fala de Jesus, a gente fala de inclusão. E é um momento de cura, de maneira geral. As pessoas procuram a cura pra aquilo que é patológico e procura também a cura pra aquilo que é espiritual, porque elas estão mais dentro das suas casas, de seus espaços, então ela está automaticamente com problemas de dentro e às vezes a gente precisa lembrar desses problemas internos. Então, quando você está em casa, tudo o que está interno aparece e por isso é importante a gente ter voz nesse momento, porque se as pessoas estão prontas pra receber este tipo de cura, a gente tem que estar pontos pra levar isso através da música e é isso que a gente tá preocupado nesse momento”.

Durante a Coletiva Online

Como será esse momento em que tudo está sendo virtual, na nova fase da banda

Fadi: “É muito complicado, porque é um momento novo. Não existe na história da igreja e nem da humanidade, um momento como esse. Então a gente tá tendo Lives, os cultos estão sendo onlines. Então a gente vai se reinventar dessa forma, com Lives nas igrejas, temos vários pensamentos e relação a isso, que vamos selecionar. As coisas ainda são incertas, a gente tá tentando apontar pra esse caminho mesmo, o online e a conexão com as pessoas e estar perto, mesmo longe”

Silas: “A gente tava até conversando sobre isso de aparecer de cara, no universo virtual e tentando trazer o máximo de verdade possível. Não só verdade quanto à mensagem, mas também verdade de som, de música. A nossa primeira aparição como nova temporada foi numa Live completamente orgânica, ou seja, a gente não tinha nenhum efeito pra maquiar a voz, nenhuma edição. Realmente foi o que as pessoas viram em casa. Foi a verdade da nova temporada. Acho que isso é muito importante da gente cultivar, daqui pra frente. Essa verdade independente se estivermos de maneira presencial ou a distância, que a gente consiga ser verdadeiro”.

Novo Single e Escolha de quem canta cada parte nas músicas

Silas: “Sobre o single, quando foi feita a proposta do grupo, o processo seria com um poucomais de tempo, mas tudo aconteceu mais rápido, até por causa da pandemia, nós queríamos fazer uma Live e aparecer logo pra todo mundo e então começamos a acelerar algumas coisas. Nós sempre tínhamos a ideia de ter uma música abrangente, e sempre vai ser essa proposta do Preto No Branco, de ser abrangente. Quando a gente se deparou com essa música, a gente já gostou muito por dizer em estarmos juntos e da necessidade que temos de convidar o próximo a alcançar algumas coisas e a fazer outras. E da necessidade que temos de falar como o outro é importante pra nós e nós para o outro. A gente se reunião dessa forma, primeiro pelo Zoom, depois a gente se reunião na gravação e no próprio dia da gravação a gente alterou algumas coisas, pra deixar mais com nossa cara”

Luã: “A música nasceu natural e virtualmente. Foi dessa forma. O produtor mandou a base e perguntou o que a gente achava e a gente foi cada um colocando um pedaço, modificando e chegando e gravamos e chegamos nesta questão das vozes. Foi muito natural. A gente se conheceu no dia de gravar a música, foi muito engraçado. Cada um cantou uma música própria e agente falou, ‘nossa como a gente é diferente’, mas quando junta fica um negócio bem legal”

Fadi: Foi muito legal. A gente chegou no estúdio e falou vamos dividir as vozes. Só que a gente mal conhecia como era a voz de cada um e foi uma descoberta de musicalidade, de propostas. Foi uma experiência única, de verdade. Normalmente surge como o Melim que são irmãos, ou sendo da mesma igreja faz tempo, mas não foi isso. E foi legal, porque a gente se dá oportunidade, não é só ‘eu quero fazer isso’. A gente repara ode o Luã vai se dar bem numa parte e a parte é dele, “Silas esse tom pra você é melhor”. A gente vai se conhecendo e não é só eu que imponho o que quero, eles mesmos me indicam o que acham melhor”

Silas: “Quando a gente se conheceu e como grupo e foi entendendo o que cada um tem de importante e cada um tem muita coisa importante pra agregar. Nós percebemos que eu tinha mais facilidade com grupo, porque eu já trabalhava em grupo. Então a gente definia o que cada um ia cantar e aí se não ficou confortável, não tem problema nenhum alterar. Por exemplo, se fizemos uma versão e não ficou confortável, a gente altera. Então nossa premissa é fazer o que é de verdade, o que é confortável e assim a gente se divide. Mas normalmente a Fadi fica com o que a gente chama de soprano, eu faço contralto e o Luã faz o tenor”

Durante a Coletiva Online

Preto No Branco levou a Música Gospel pra todos os públicos. A expectativa deles daqui pra frente

Fadi: ”Nossas expectativas é manter isso sempre, e continuar sendo grato pelo que foi feito e que como banda a gente consiga se conectar, onde a gente precisa se conectar. Como foi dito, é um gruo que quebrou padrões e rompeu números e saiu de dentro da igreja. E isso é muito importante, porque a gente precisa estar lá fora e não só entre as quatro paredes. Ele nos chamou pra nos impactar e transformar as trevas e não tem como a gente espera que as trevas busquem a luz. A nossa expectativa com o Preto No Branco agora é que a gente continue rompendo em números, continua avançando e que todas as pessoas consigam ouvir alguma música do álbum e falar ‘eu precisava muito ouvir isso’ ou ‘eu precisava falar isso e não conseguia, era o que tava no meu coração’”.

Luã: “A verdade liberta. O Preto no Branco rompeu barreiras por conta de uma verdade musical, verdade poética e isso a gente vai continuar trazendo. Isso é primordial, a verdade. Colocar nossa identidade e tocar as pessoas”

Silas: A minha expectativa, aliás, a nossa é conseguir continuar falando de coisas que as vezes, a igreja não fala. Quero dar um exemplo, muito menor do que tudo aquilo que a gente projeta em fazer como artistas. A gente fez a Live e a primeira preocupação, já no ensaio era se teríamos libras porque se estamos falando de inclusão, precisamos incluir de fato todos aqueles que precisam e querem nos ouvir. Se precisarmos acessar esse universo vamos acessar, se precisarmos falar de política vamos falar, se precisar nos posicionar a respeito de diferença social vamos nos posicionar. Um grupo é feito de diversidade. Temos o Luã que é da Bahia e nós dois que somos de São Paulo, mas a Fadi tem muito mais de Minas e Belo Horizonte e da musica regional, eu tenho muito da música americana. Nós viemos de universos diferentes, com histórias e família completamente diferentes, então não dá pra entrar no Preto No Branco e achar que vai ser diferente disso. Vamos falar de tudo, de quebrar tabus sim, mas também vamos aquecer os corações e alcanças as pessoas.

Fadi: “A nossa questão é, que a gente que se comportar como Jesus se comportaria. Não tem como olhar pra Jesus e falar ‘ele era uma pessoa que tava de boa com o que estava acontecendo’, porque a gente vê ele modificando a todo momento o contexto social dele e a gente tem que ser relevante nisso. Sempre brinco e falo, é que as vezes a igreja tem o costume de perguntar como é que Jesus andava com aquelas pessoas. Mas a gente não faz a pergunta certa, que era como aquelas pessoas se sentiam confortáveis em andar com Jesus, sendo ele que era. Eles amavam estar com ele. A gente tem que trazer a música que as pessoas amem ouvir e que a gente fale com todo mundo mesmo”.

Durante a Coletiva Online