Por André Rossanez

Finalmente o tão aguardado “Chromatica”, novo e sexto álbum de Lady Gaga está entre nós e já estreou em primeiro lugar nas paradas do iTunes em 58 países. A produção foi por conta de BloodPop, Morgan Kibby, Klahr entre outros e o lançamento pela Universal Music.

Sobre o novo projeto, Gaga conta “É feito por uma fã de música eletrônica que canta letras às vezes escapista e outras vezes com mensagens importantes, mas sempre diretas. Na parte musical, não tem meio termo, é um Eurodance sem sutilezas”. E ela ainda conta “Estou muito orgulhosa, porque, ao mesmo tempo em que é divertido e comemorativo, se você ouvir as músicas, você vai conhecer meu coração”. Segundo Lady, “`E como se a música te desse permissão para ir em frente. Mesmo se você teve o pior dia possível, você pode dançar”.

A introdução épica de “Chromatica I” já nos deixa com muita expectativa e vontade de conhecer este novo trabalho. E “Alice” já chega conversando com esta intro e de repente nos contagia com uma pegada bem, mas pop eletrônica e com o vocal potente de Gaga, bem explorado do jeito que a gente gosta. Uma música onde ninguém fica parado e que lembra o Eurodance dos anos 1990.

A já conhecida “Stupid Love” é encorpada e solar e lembra bastante as canções de início da carreira de Lady Gaga, não trazendo muito novidade, o que pode ter frustrado muitos fãs como um primeiro single. Mas uma música muito boa sim e a cara dela. E um dos pontos mais fortes do disco, é sem dúvida a parceria dela com Ariana Grande em “Rain On Me”, que combina duas vozes potentes, uma mais aguda e outra mais grave, mas que combinam e conversam muito quando estão juntas. A parceria chegou ao primeiro lugar global do Spotify , além de ser a colaboração feminina mais executada na história da plataforma de música.

“Free Woman” é responsável por lembrar a força da mulher e como ela é livre pra fazer e conseguir tudo que ela quer e deseja. A batida eletrônica da faixa, inclusive, dá a nós a sensação de liberdade. Inclusive, esta faixa tem a ver com o abuso sexual, que Gaga sofreu de um produtor musical, quando tinha 19 anos e que deixa claro que ela se curou e é uma mulher livre.

“Chromatica II” já vem como um prelúdio mais calmo, com bastante instrumentos de corda e já emenda em “911” que trás de novo elementos eletrônicos, mas com batidas mais marcadas, tipo Eurodance e com bastante efeitos de voz e até uma batida mais de Disco, que dá um toque todo especial. E na pegada Eurodance, “Plastic Doll” é gostosa de ouvir e tem um quê de sedução. Mais uma vez, a voz de Gaga se encaixa no arranjo como uma luva, aparecendo sem exageros e mostrando toda a potência vocal da cantora.

Lady se rendeu ao K-Pop ao chamar o grupo Blackpink para uma parceria em “Sour Candy”. Ao melhor estilo Pop Coreano, a letra fala de empoderamento e de forma divertida não nos deixa esquecer que todos temos que ser quem somos de verdade, sem mudar e sem medo. Realmente o Eurodance predomina e a prova disso é que ele aparece mais uma vez e de forma bem pura mesmo em “Enigma”. E uma curiosidade, o nome da música é o mesmo da turnê da cantora em Las Vegas, entre 2018 e 2020.

Mais um prelúdio, “Chormatica III” é calmo e trás um instrumental meio mais clássico. E um dos maiores nomes da música mundial e ídolo da artista, Elton John toca seu piano e empresta sua linda voz para o hit “Sine From Above” e ele entra no clima dançante de Gaga para falar de uma cura vinda do céu. A faixa tem um que de musical de teatro, principalmente pela forma em que as vozes dos dois são divididas (em que parte estão separadas e quais estão juntas). E para fechar com chave de ouro, temos “Babylon”, uma música que lembra bem o sucesso de Madonna, “Vogue” e se parece com músicas de desfile de moda. E pode ter certeza que muitos fãs, já a querem nas pistas de dança.

O novo albúm de Lady Gaga resgatou a artista lá de trás, antes do disco “Joanne” que apostou no Country. Neste novo trabalho, ela volta às raízes do Pop com Música Eletrônica e Eurodance com muitas faixas bem dançantes, aliás praticamente todas. Um disco agitado, frenético e dançante do começo ao fim. Empolgante.

Talvez seja questionável os três prelúdios. Estão lá, porém não faz bem uma divisão em três partes do disco. Soua mais como um respiro, um fôlego em meio à músicas mais frenéticas.

Um projeto que não trouxe muitas novidades, mas que foi feito com muito capricho e que soube extrair a essência da cantora. Muito bem produzido, com faixas que nos conquistam do início ao fim e com uma sonoridade que nos fazem lembrar grandes hits do passado de Lady Gaga e que tem uma vibe bem próxima de “Artpop”, o disco mais emblemático dela. Mais uma vez a cantora vai por todo mundo pra dançar e se divertir. Não é o melhor disco dela, mas é muito bom. Não sei se supera a expectativa de todos, mas é um ótimo trabalho de uma das maiores cantoras do planeta.