Texto e Entrevista por André Rossanez

Uma das melhores bandas que surgiram nos últimos anos, a Big Up faz um Reggae de personalidade que se mistura com gêneros como Pop, R&B, do rap, do Hip Hop. E eles estão lançando seu primeiro EP “Azù” produzido por Rafael Tudesco.

O Portal Me Gusta teve o privilégio de entrevistar pela plataforma Zoom, os três integrantes Gabriel Geraissati, Ras Grilo e Lucas Pierro. Eles contaram detalhes do novo EP e do single “Luz do Bem” e seu clipe, além de falarem obre carreira, a parceria com Seu Jorge e projetos.

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Saiba tudo que conversamos, na íntegra:

Portal Me Gusta: Como surgiu a banda e o nome “Big Up”?

Gabriel: Tem uma coisa em comum que foi determinante pro surgimento da banda, é que os três são do mesmo bairro, Interlagos. E a gente se conhecesse há muito tempo da rua, de andar de skate, aquelas coisas e Interlagos é um bairro diferente dos outros de São Paulo, porque é um bolsão, é um bairro fechado e então tem pouco carro na rua e muita gente na rua, então a vida nas ruas realmente vigora, assim como era São Paulo, sei lá, uns 40 anos atrás. A gente se conheceu andando por aí e a música é uma coisa que todo mundo gosta, mas a aptidão e a vontade de fazer mesmo, são de poucos e isso uniu nós três. E tinha um estúdio lá na casa do Vi e a gente fazia lá um som assim de bobeira e com o tempo a gente deu o nome pro estúdio no começo, que era ‘Estúdio Big Up’ e o que era um estúdio acabou virando uma banda e quem deu o nome ‘Big Up’ foi o Grilo.

Grilo: O nome Big Up vem de uma expressão jamaicana, de incentivo pras pessoas se levantarem, se sentirem bem e como o Gabriel falou era o nome do estúdio e em uma grande sincronia com o universo se tornou o nome da banda e tem tudo a ver com as nossas letras e nossas músicas.

Me Gusta: Como se dá o processo de composição das músicas e quais inspirações?

Gabriel: No primeiro disco a gente compôs bastante coisas juntos e agora nesse EP que a gente acabou de lançar, tem um música só que a gente compôs. E acho que os três estão tão conectados que o que um diz representa todos, quase que 100% das vezes, é difícil alguém levantar alguma bola que não tem nada a ver. A gente nem considera que as composições são de uma só, e sim de todos, porque afinal a gente é um organismo só. E as letras vêm do nosso cotidiano, das coisas que a gente vive e das coisas que a gente acredita que podem transformar mesmo as nossas vidas e consequentemente a vida de quem tá a nossa volta e acompanha nosso trabalho.

Me Gusta: Como foi pra vocês escolher o repertório do novo EP? E como veio o nome dele, “Azù”?

Gabriel: O repertório foi uma coisa que já vinha vindo. O nosso primeiro trabalho em 2017 era até então nosso único trabalho, então a gente tem muita música de 2017 pra cá, mas de fato a gente sempre quis achar uma unidade entre as músicas e isso vai se dando com o tempo. Às vezes sai uma e entra outra e tal, e a galera da Universal e o nosso produtor, Rafael Tudesco ele auxiliou a gente nesse repertório. No primeiro momento a gente queria incluir outas músicas, mas depois a gente foi entendendo e absorvendo e o repertório ficou muito legal e realmente tem um 360 aqui, porque a dificuldade em encontrar um repertório legal, é achar aquele repertório que dialogue com toda a verdade e a pluralidade da banda e acho que o repertório desse EP trás isso.

Grilo: O nome azul veio devido às sensações que todas as músicas trouxeram pra mim no processo de criação do nome e vieram tantas sensações e eu não consegui me segurar em só uma, foram muitas sensações e isso me levou pra um lugar assim amplo e que é onde me reconheço bastante, que no mundo dos minerais, que tem muitas flores e muitas variedades e por alguma conexão com o astral, recebi esse nome ‘Azul’, que vem só modificado mesmo e a grandeza do nome vem do próprio nome ‘Azul’ modificado e vem com essa conexão com os minerais e também com ‘Exù’, e o acento ao contrário vem de origem Iurubá e o ‘Exù’ é ligado aos minerais, ele é um orixá da terra mesmo. Então “Azù” vem dessa ligação e com esse nome diferente.

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Capa de “Azù”

Me Gusta: Vocês lançaram como single “Luz Do Bem”. Como surgiu a canção e como foi gravar o clipe?

Gabriel: Essa música já tem um tempo que a gente fez e ela trata da galera que vai ao show. Era uma época em que a gente tava vivendo uma vida mais livre, um amor mais livre também, todo mundo se relacionando com todo mundo. O show da Big Up por um tempo era bem isso e a música foi composta pras pessoas que vão no show e se sentem parte e iam pra beijar.

Lucas: É difícil você fazer uma pessoa sair de casa e você provocar uma ação na pessoa pra dar um like, fazer uma compra. Então sair de casa precisa realmente de um motivo muito grande. Então a gente homenageou as pessoas que saem de casa tendo esse motivo de irem ao show da Big Up e se sentirem bem, se divertirem. É uma homenagem pra galera, pra Família Big Up, e que fazem parte dessa energia.

Gabriel: O clipe foi feito no começo do Coronavírus e a gente precisava fazer de uma forma segura com a equipe de vídeo totalmente reduzida e aí gravei a minha parte na minha casa e eles gravaram as partes deles cada um em casa, um cara só filmou na minha casa e depois na de um e na do outro. E em casa, eu e minha companheira, a Bianca e os meus bichos, como numa Live mostrando o que tá acontecendo nesse momento. E a gente ficou feliz com o resultado, ficou simples e bonito.

Me Gusta: No EP, está presente a parceria com Seu Jorge, “Terra”, já lançada como single. Como surgiu a canção e como foi gravar ao lado deste artista tão bacana?

Gabriel: Essa música surgiu antes da possibilidade de gravar com o Jorge e já fazia parte de um possível repertório pra esse disco e um cara muito importante pra essa união do Big Up com Seu Jorge, é o João Gonçalves, um cara conhecido no meio artístico, no backstage, não pelo grande público e ele é produtor musical e artístico e é muito amigo do Jorge e nosso. E ele que teve essa ideia de fazer essa conexão e o Seu Jorge aceitou na hora também e a gente foi mostrar o que a gente já tinha, porque não tinha tempo pra compor uma coisa nova. E Jorge gostou muito dessa música e gostou de uma outra música que também tá no EP, que é a “África”, mas entre as duas ele gostou mais dessa. Ficou uma dúvida, mas ele gostou dessa e a gente foi pra cima. Foi uma honra gravar com ele. Ele é um cara muito generoso e um artista muito grande e representa muito bem nosso país e no mundo todo. Foi um trabalho muito especial, e foi bem legal estar junto do Jorge.

Me Gusta: 01 de Julho é Dia do Reggae. Falando neste ritmo, como é para vocês tocarem Reggae e misturando ele com outros ritmos?

Grilo: A Big Up desde o início veio com o Reggae nessa fusão bem forte, porque cada um trás a sua influência da sua vivência e da sua vida e o Raggae é presente na vidas dos três. Eu trouxe um pouco mais dessa vivência, por ter vivenciado em outros grupos de Raggae, e devido à cultura de rua do Reggae, que é o Ragga. Então a gente tem muito forte essa veia e a gente dá muito valor, porque como este estilo de música é pouco explorado e tem muito o que explorar e a gente tenta explorar da nossa forma original, que a gente sente verdadeira também e não se apegar a padrões. A gente expressa o Reggae da nossa forma.

Gabriel: E a gente tem muita gratidão ao Reggae e no Brasil é um segmento que é meio como o Metal também, os rastas são tipos metaleiros, meio preconceituosos com outros gêneros musicais. Tava até falando como Maneva esses dias, a gente até não sofre tanto preconceito, como esses grupos mais pops, se bem que o Natiruts sofre preconceito também, o que é um absurdo, porque afinal é a banda que mais representa o Reggae. A gente tem muita gratidão ao Reggae, mas a gente tem pouca conexão com a galera mais roots.

Lucas: E nesse novo Reggae que esta se formando, a gente tem um time muito bonito se formando e ‘vamo que vamo’, que a música é infinita.

Me Gusta: Com quais artistas vocês gostariam de fazer parcerias musicais?

Grilo: São muitos. Acho que o sonho, já que é pra sonhar, o sonho mesmo é Gilberto Gil, que é um cara que assim, o disco mais importante pra Big Up, é “Caia Na Gandaia” em que ele fez versões de Bob Marley é um disco absurdo, com produção impecável e que mostrou como é, que é fazer Reggae no Brasil e ele pegou o Bob Marley e transformou aquilo em algo brasileiro e algo radiante.

Gabriel: E tem os nossos amigos mesmo. A gente tem muita admiração pelo Maneva e tem muita admiração pelo Lagum, que a gente achou a banda autêntica e legal pra caramba. Tem o Onze:20, que a gente já participou do disco deles, mas com certeza vão vir mais músicas aí. Tem o Gabriel Elias, que é nosso parceiraço e muito amigo nosso e sangue bom.

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Me Gusta: A gente tá vivendo um momento muito complicado, que é a quarentena por causa da pandemia. Pra vocês, como está sendo essa fase que estamos passando, em termos de produção artística? E dentro do que puderem adiantar, quais são os próximos passos da carreira?

Grilo: No primeiro momento que veio a pandemia, eu fiquei particularmente numa cobrança muito grande de produção, porque sempre fui um cara que trabalhei muito, minha vida é trabalhar. Aí eu fiquei vendo que precisava me reinventar, no momento que eu tava dando murro em ponta de faca e tive que ficar quieto um pouco e observar as nuances da vida e enxergar com clareza. E agora o mercado tem conseguido encontrar caminhos, por exemplo, esse fim de semana vai ter um show do Maneva no formato Drive In com as pessoas nos carros. Então tem várias oportunidades surgindo e a gente tá de olho nelas. E agora no dia 05, a gente vai fazer nossa primeira Live do lançamento do EP “Azù” e vai ser um showzão. A gente vai tocar o repertório inteiro, tocar as nossas músicas e um monte de coisas que a gente gosta. E o momento é esse, de produzir conteúdos pela internet. E a gente se conectou muito mais com nossos fãs agora. Por mais que a gente tenha essa cara de molequinho, a gente já tá ficando velho e não saca muito de internet e agora a gente tá aprendendo mais, pra nos comunicar melhor.

Gabriel: Então os próximos passos são esses, estão vindo mais músicas, porque música é o que não falta, e ainda mais nesse momento, a gente acredita na nossa mensagem e do poder que ela tem nesse momento e tem esse espaço, de Lives e coisas pela internet e quem sabe até um show Drive In.