A banda de Pop Alternativo, The Groovy Motherfunkers, acostumada a gravar em inglês, sai da zona de conforto e lança a faixa “Quebra-Coco”.

O produtor da canção que faz parte do álbum “Xeno”, é o talentoso Pedro Canaan, que também faz parte da banda.

O Portal Me Gusta teve o privilégio de entrevistar por e-mail o Pedro e saber um pouco mais deste tema, da banda e da carreira dele como músico e produtor musical.

Saiba tudo que ele contou, na íntegra:

Portal Me Gusta: Como surgiu o seu amor pela música?

Pedro Canaan: Cresci ouvindo Supertramp, Pink Floyd, Rush, U2, por influência dos meus pais. O rock sempre foi o meu som preferido e foi o que me levou a começar a estudar música e guitarra. Aos 12 anos meus amigos da escola resolveram montar uma banda e precisavam de um baixista. Foi o momento em que decidi entrar para este grupo, mas não deixando de lado os estudos de guitarra. O amor pela música sempre foi algo natural, estava no DNA mesmo, não tinha como fugir. Depois que comecei a tocar um instrumento e poder participar de apresentações ao vivo, eu percebi que eu queria fazer aquilo para sempre. Entrar na área de produção foi algo que veio naturalmente, por eu ter uma paixão muito grande na parte de criação e também por eu ter me tornado uma pessoa bem eclética.

Me Gusta: Como surgiu a The Groovy Motherfunkers? E a inspiração do nome?

Pedro: A The Groovy Motherfunkers foi uma iniciativa que tive no meu segundo ano de faculdade na Columbia College Chicago. Eu tive a sorte de dividir o meu quarto com um outro aluno que é um compositor sensacional, o Tony Klacz. Formamos a dupla perfeita, ele compondo com uma facilidade enorme e eu produzindo. Começamos a produzir nossas músicas e isso acabou chamando a atenção de bastante gente que morava perto da gente, incluindo o Zeno Camera, que é um cantor e ator brasileiro, também estudante da faculdade, e que entrou no nosso grupo e começamos a colaborar desde o começo. Certa vez, o Zeno filmou um pouco das nossas sessões de gravação e mandou para o pai dele, que respondeu “Those groovy motherfuckers!”. Adoramos o nome logo de cara, mas pra deixar um pouco mais comercial e amigável, acabamos decidindo por The Groovy Motherfunkers, nome que caiu no agrado de todos por lá.

Me Gusta: Como surgiu a faixa “Quebra-Coco”?

Pedro: A faixa “Quebra-Coco” faz parte do álbum “Xeno”, do próprio Zeno Camera citado acima. A maioria das músicas foram todas originalmente compostas em inglês pelo Tony, mas como o conceito do álbum era realçar essa mistura entre a cultura Americana e Brasileira, achamos que deveria ter uma faixa completamente em português. Criamos Quebra-Coco, que era uma música com letra em inglês a princípio, mas que eu e o Zeno adaptamos pro português. A música fala de um sentimento contraditório de liberdade e aprisionamento, e também tem várias referências ao mar e ondas (cita no refrão “Swell da minha onda”). Foi com isso em mente que eu pensei no nome Quebra-Coco, que é o nome dado a uma onda menor que se forma a partir de uma maior, e se rebenta rapidamente. Ou seja, ela tem um momento de liberdade breve, que é destruído logo em seguida.

Me Gusta: Como surgiu seu lado produtor, Pedro?

Pedro: Desde que comecei a me engajar na música pra valer, aos meus 12 anos de idade, o universo da música me envolveu por completo. Tocar guitarra, baixo ou outro instrumento qualquer me atraía, tudo o que se referia à música me atraía e eu me envolvia. Queria conhecer tudo por inteiro. O conhecimento nunca me assustou, sempre gostei de estudar e ir a fundo em qualquer coisa que me envolvo. Então foi natural eu querer conhecer o mundo da produção, assim como tudo que envolve música. O produtor surgiu quando percebi a minha facilidade de desenvolver ideias e transformá-las em músicas completas. Embora eu não me considere um compositor tão bom, eu tenho uma grande capacidade de trabalhar temas e ideias que os artistas me trazem, desenvolver arranjos mais complexos a partir de motivos simples. Esse meu conhecimento de teoria e arranjos musicais somados com o conhecimento que adquiri de gravação e mixagem me fazem hoje um profissional bem completo no ramo da produção.

Me Gusta: Como é o processo de criação e inspiração na hora de produzir?

Pedro: Geralmente recebo as músicas só com voz e um violão, às vezes só a voz mesmo. Após ouvir e conseguir imaginar na minha cabeça uma estrutura básica pras músicas, tenho uma reunião com o(a) artista que vai gravar a música. Falo as minhas ideias pra ele, vejo se ele concorda, ouço o que ele tem mente pra cada faixa. Após chegarmos a um consenso sobre o rumo da música, tento entender da melhor maneira possível os sentimentos envolvidos na composição e falamos de ideias mais abstratas que eu posso acabar usando na produção. Minha intenção é realmente entrar na mente e no coração do artista pra fazer aquelas músicas soarem totalmente autênticas. É bastante divertido na verdade, acabo tendo que trazer muitas ideias abstratas para o mundo musical e isso é um desafio muito gostoso de se fazer.

Me Gusta: Como tem sido essa questão de quarentena e ter de se reinventar com esse ‘novo normal’?

Pedro: Estamos vivendo um momento que ninguém imaginaria. Tínhamos vários projetos e planos que tiveram que ser adiados devido à pandemia. Íamos lançar um álbum novo da minha banda no Brasil, a The Death Season. A ideia era divulgar e nos preparar para uma turnê, que teve que ser totalmente adiada.

Devido à pandemia, as aulas na faculdade de Chicago foram transferidas para online e eu voltei para o Brasil. Tudo está sendo feito com reuniões online. Tivemos que nos adaptar dessa forma, e está dando certo. Fizemos várias campanhas à distância e esse momento acabou unindo mais ainda todos os envolvidos. A produção e as ideias não param.

As aulas deste próximo semestre também serão online em Chicago, então só voltarei aos EUA nos final do ano. Até lá vamos continuar pensando em coisas novas adaptadas à nova situação. Não podemos e nem conseguimos parar.

Me Gusta: Dentro o que puder adiantar quais os próximos passos da carreira?

Pedro: Aproveitando que ficarei no Brasil até o final do ano, estou agilizando a montagem do meu estúdio para poder atender as produções que estão surgindo por aqui.

Consegui promover um concurso para compositores junto ao SBT interior. A ideia é selecionar 1 composição que será produzida por mim e que fará parte da trilha sonora de um seriado chamado “Justine” que será exibido no SBT Interior – Araçatuba, Presidente Prudente e São José do Rio Preto, já com data de estreia para 02 de outubro. Temos 1 mês para trabalhar nisso, o concurso ainda não está no ar, mas será divulgado em breve e tem tudo para ser bem bacana e ter muitos participantes.