Texto e Entrevista por André Rossanez

Aposta da Lab 344 e do Portal Me Gusta, a cantora e compositora Bella Schneider lança “ELA”, seu incrível álbum de estreia em todas as plataformas musicais com direção musical de Diego Marx (vencedor do Grammy com a banda Scalene).

As canções, quatro singles e quatro inéditas, todas autorais falam de amor, experiências de vida e superações e sonoridade deste disco flerta com o pop eletrônico e alguns ritmos de Pernambuco. Além disso, tem a participação mais que especial de Romero Ferro na faixa “Take Me”.

Foto: Kauana Araújo

O Portal Me Gusta teve o privilégio e a felicidade de entrevistar Bella através do Zoom, fazendo uma conexão São Paulo – Pernambuco. A talentosa artista contou um pouco mais sobre sua carreira, como começou seu amor pela música, detalhes do disco novo e música. Foi uma conversa muito produtiva e inspiradora com essa artista tão carismática, simpática, alegre e muito gente boa.

Confira na íntegra tudo que conversei com Bella Schneider:

Portal Me Gusta: Como surgiu o amor pela música na sua vida?

Bella Schneider: Meu amor pela música eu diria que vem desde bebezinha. Porém, já com cinco anos de idade eu compus minha primeira música e que já tinha letra e melodia, então é uma coisa que vem desde muito pequenininha, mas que foi se desenvolvendo com o passar do tempo. E eu pude estudar música a partir dos 7, 8 anos. E quando eu tinha 11 anos, aconteceu uma experiência que me marcou muito e foi aí que basicamente, veja bem, com 11 anos, eu decidi que eu queria isso pra minha vida. Na verdade eu fazia ballet, em uma academia de artes e eu tava passando em frente da aula de coral quando eu tava indo embora pra casa e eu vi como era bonito aquilo e eu já gostava de cantar, gostava de música, mas ainda não tinha isso em mim, e gostava  de arte, de dançar e de tudo ligado á arte. Eu fiquei olhando lá na porta e a professora me pediu pra entrar e eu fui lá pra trás e fiquei na minha. Era uma música de Elvis Presley, diga aí, uma pessoa de 11 anos, tudo bem, e comecei a cantar junto, nem sabia a letra direito e eu fui mais pra frente e eu continuei indo mais pra frente. E pensei, ‘o que essa mulher quer de mim’ e continuei indo, até que ela disse ‘sobe no palco’ e eu subi e ela disse ‘cante’ e eu cantei. E como uma criança, eu tinha uma voz grave e eu lembro que a música era aquela “Love Me Tender”, bem gravona e eu cantei alí e não foi difícil, foi uma coisa que fluiu fácil e ela falou ‘você vai ser a primeira voz do coral’ e terminou que fui a solista do coral. E quando me apresentei, aquela experiência de ver todo mundo ali me assistindo e assistindo o grupo e vendo todo mundo cantar junto, me deu ali, uma energia criada no palco e saí de lá querendo isso pra mim. Essa é a história mais marcante do início de tudo.

Me Gusta: Como é o seu processo de criação, composição de uma música?

Bella: Eu diria que não existe um padrão. Eu acho que definitivamente, tem músicas que fluem e elas vêm naturalmente, meio que você vomita elas, quando eu vejo já estão ali no papel. E tem outras que você tem que lutar mais por elas. Inclusive, “ELA” foi uma música assim que eu tive de lutar, porque eu queria muito colocar ela ali, mas não tava encontrando as palavras e foi um processo pra chegar onde eu queria chegar com essa música. Já a música “SIM” foi uma que veio em minutos e já estava praticamente finalizada. Inclusive uma parte, eu sonhei com ela, acordei e escrevi. Então não existe realmente algum padrão. Acho que quando a gente entra na vibe da composição e quando a gente tenta entrar naquilo ali, flui. E se não fluir, às vezes a gente precisa respirar um pouquinho, se desligar e ver se vale a pena mesmo continuar, pra então voltar e mergulhar naquilo ali e novamente fluir.

Capa do álbum “Ela” (Foto: Verner Brenan/Direção de arte: Tiago Selva)

Me Gusta: Como foi escolher o repertório e gravar o seu novo álbum “Ela”?

Bella: Olha, não foi fácil. Teve muita música que eu cheguei e mostrei pro Diego (produtor) no início, mas eu ainda tava passando por essa transição de estilos musicais. Eu era do Rock e também já tinha feito projetos de música eletrônica e tava curtindo cada vez mais o Pop e toda essa visão tem também um pouco de estética de anos 70, anos 80, literalmente um mix musical. E só que eu sentia também que queria por um pouco de cultura dentro, porque eu sou uma pessoa que gosta de World Music, assim como eu sou do Recife. Então no Pernambuco, no Nordeste, a gente tem a cultura mais forte do país, eu diria. A gente tem muitos estilos musicais e eu queria muito colocar isso no álbum, então você vê que tem ai tem berimbau em “NADA”, tambores africanos em “WILD”, tem instrumentos árabes em “TAKE ME Me”, então assim, é um mix literalmente musical. As primeiras músicas que foram negadas estavam muito Rock ainda, então quando eu cheguei realmente nessas oito músicas, que eu sabia que se entenderiam bem entre si e representavam bem todas as mensagens que tem nesse álbum, afinal cada música tem sua mensagem específica e elas se unem, se englobam. Depois veio “ELA”, que tem um lado feminino e uma mensagem bem forte de representatividade e foi quando eu disse, ok “são essas músicas”.

Me Gusta: A faixa “TAKE ME” tem a participação de Romero Ferro. Como surgiu a parceria e como foi gravar com ele?

Bella: Como o Romero é daqui, eu já conhecia ele, por conviver no meio da música e a gente foi se tornando cada vez mais amigos. Ironicamente essa parceria tem a ver também com meu namorado que é o Tiago, que também é o diretor de arte de todo esse disco. E a gente curtia muito o estilo do Romero Ferro e íamos muito nos shows dele e aquilo já participava do nosso relacionamento também. “TAKE ME” eu escrevi por conta desse relacionamento e a gente queria colocar uma voz que representasse um pouco mais daqui (Pernambuco). E também pelo que tivemos nos nossos primeiros encontros, foram muito culturais. E então a gente queria trazer essa representatividade. Além disso, o Romero é um baita artista, que tem uma energia linda, um estilo próprio e que vejo muito além do que apenas representar aqui. Ele é um artista que já vem alcançando cada vez mais espaço nacional, super merecido e que admiro pacas. Então foi todo esse conjunto que fez a gente decidir por gravar com ele. Ele topou de primeira. Foi cool pra caramba, a gravação foi linda também e a gente curtiu muito esse processo.

Bella ao lado de Romero Ferro (Foto: Tiago Selva)

Me Gusta: Como está sendo este período de quarentena pra você, principalmente na parte artística?

Bella: Eu diria que não foi fácil, mas foi possível. A gente até pensou em adiar o álbum, teve que replanejar, mudar ordem de música, afinal dá pra fazer as coisas como uma mix, à distância e questões de arte, tanto que a própria capa de “TAKE ME” foi feita pelo ilustrador, que é também o ilustrador da capa de Luísa Sonza, que é o Kin Noise, daqui do Recife. E a gente teve que colocar maneiras de tornar isso possível. Porque eu queria muito que isso saísse esse ano, e as músicas não poderiam envelhecer, porque cada música representa o momento de vida da gente. Então se eu esperasse muito, talvez estivesse muito diferente daqui um ano, dois anos, sei lá. E também é uma maneira de aliviar as pessoas nesse momento que não está sendo fácil. Cada artista trouxe alguma coisa, seja Netflix, ou música ou livro, cada um trouxe alguma coisas sua e essa é a minha maneira de trazer um pouco mais de energia positiva pras pessoas e pra elas terem força nesse momento.

Me Gusta: Atualmente como é o cenário musical no Recife?

Bella: Eu diria que está todo mundo na mesma Vibe de Lives, Tem alguns lugares que estão começando a ter eventos, mas eu tenho tentado ainda me manter nesse pensamento de ‘dentro de casa’. E eu diria que está borbulhando, tem muito artista maravilhoso surgindo aqui. Um exemplo, que eu posso citar é o Ciel Santos, que é amigo tanto meu como do Romero e que é um baita artista e que traz muito daqui do Nordeste na essência dele e tudo isso tem que ser valorizado. E acho que a partir dessa pandemia, por conta do acesso à internet, a gente pôde acessar públicos que talvez não tivessem presentes se a gente só tivesse no presencial, digamos assim. São públicos diferentes, com idades diferentes e objetivos. E a mentalidade de quem está presente, às vezes nas redes sociais, é em parte diferente de quem vai a um show. Então acho que se isso for usado de uma maneira inteligente e criativa, a gente pode ter bons resultados. Mas claro, não foi fácil pra ninguém e nem está sendo.

Foto: Tiago Selva

Me Gusta: Como é sua relação com seu público, seus fãs?

Bella: É maravilhoso. Todas as pessoas que tem aparecido ao longo da minha carreira, são pessoas que tem muito a ver comigo, os mesmos pensamentos. E geralmente a gente se adiciona e tenho os fã clubes. Amo essas pessoas. São pessoas que estão ali pra dar e eu também adoro retornar obviamente. Então existe essa troca muito sincera, que acho que é muito importante existir entre o artista e seu público. E só quero que isso cresça, aumente. Mas não sei como é pros grandes artistas dar conta de tanta gente, né. Porque eu quero tá perto de todo mundo, eu quero dar atenção pra todo mundo e estar com todo mundo. Eu mando áudio, eu gosto de estar próxima e realmente valorizo isso de estar pra todo mundo como amigos, afinal são pessoas que estão valorizando algo tão importante pra mim. Então não tem como ser diferente.

Me Gusta: Dentro do que puder adiantar quais os próximos passos da carreira? Já pensa em algo pós-quarentena?

Bella: O objetivo é que aos poucos eu possa estar presente, de uma forma muito cuidadosa, como um show mais reduzido, com menos pessoas e para públicos menores. Fazer apresentações quando isso for liberado realmente, mas como falei por aqui já tem sido liberado por um bom tempo, mas vou manter, digamos, o meu próprio ritmo nisso, mas eu quero muito ter contato novamente com as pessoas, por mais que não seja totalmente físico, mas quero muito trazer essa energia, além da internet. E tô muito grata que a gente tem essa tecnologia atualmente pra estar presente dessa maneira, porque não seria possível ter lançado o álbum se não fosse por isso.