Texto e Entrevista por André Rossanez

Baterista da Banda Lupa, o talentoso Junin se lança como cantor solo em paralelo ao grupo e mostra também sua faceta como um compositor de mão cheia. Suas canções são simplesmente apaixonantes e sua voz linda e marcante.

O Portal Me Gusta teve a felicidade e o privilégio de entrevistar Junin através do aplicativo Zoom, fazendo uma conexão São Paulo – Brasília. Conversamos sobre carreira, seu lado cantor e compositor, os singles “Atenção” e “Tá Tudo Bem”, sua relação com os fãs e próximos passos. Inclusive ele falou sobre tocar bateria e ainda deu dicas pra quem quer aprender o instrumento. Sensacional! Ah, e com direito a Spoiler!

Foto: Julia Bandeira

Foi uma entrevista muito bacana, inspiradora e que nos faz conhecer um pouco mais sobre o artista super talentoso e esse cara simpático, good vibe e gente boa. Saiba tudo que Junin contou, na íntegra:

Portal Me Gusta: Como apareceu o seu amor pela música e trajetória até entrar pra Banda Lupa?

Junin: É difícil falar um ponto, onde percebi que eu era apaixonado pela música, porque ela está presente, desde as primeiras lembranças que tenho. Lembro que meu ai sempre esteve envolvido em produção musical, quando eu era pequenininho ele era produtor de uma banda aqui de Brasília e ele ficava me levando pras passagens de som, pra montagem de palco e tudo isso. Lembro eu pequenininho, são as primeiras lembranças que eu tenho, realmente estando nesse meio da música. E a minha mãe é uma pessoa que nem eu, viciada em show, a gente ama. Então os primeiros shows da minha vida e até hoje, ela sempre foi minha maior parceira de show e que me levou pra todos. Então desde pequeno meus pais me influenciaram a estar nesse meio. Quando eu tinha uns oito anos, que foi quando comecei a tocar bateria, foi quando não teve volta. Eu olhei e falei ‘fodeu, vou ter que ser isso pro resto da vida, não tem como’. E ai comecei a tocar bateria e entrei na minha primeira banda, com oito anos de idade e, de lá até a Lupa, foram bandas covers, bandas autorais, não só de Brasília, até descobrir um caminho assim. A Lupa começou, eu e o Múcio, que é meu primo. A gente decidiu formar uma banda juntos e foi ai que surgiu toda essa loucura da Lupa. E a gora essa fase da minha vida, esse momento que a gente tá vivendo, eu descobri coisas que eu não tinha consciência ainda, eu não sabia que eu ia viver isso. Eu ficava só admirando e pensando, ‘cara como é que vocês conseguem’ e quando veio isso de cantar na minha vida, foi uma surpresa muito grande e tô aqui agora. Cada dia me descobrindo mais, me entregando um pouquinho mais do que é o Junin nesse mundo da música.

Me Gusta: Você está acostumado a tocar em banda, produzi em conjunto com a Lupa. Como está sendo a adaptação e esse momento de estar sozinho produzindo e cantando?

Junin: Sempre tive banda e tenho muitas saudades deles e tudo, porque é muito divertido fazer tudo em conjunto. E agora, eu fico responsável por todas as frentes e depende só de mim, na verdade, do meu gás, da minha energia em estar fazendo tudo. Tá sendo desafiador e ao mesmo tempo tem sido um processo de autoconhecimento muito grande, porque agora tudo tem um pouquinho mais a minha cara. E tá sendo muito legal ver pra onde tudo isso tá indo, tem sido um processo de autoconhecimento, eu diria, estar nesse trabalho solo.

Me Gusta: Como surgiram as canções “Atenção” e “Tá Tudo Bem” e a escolha desses dois primeiro singles?

Junin: “Atenção” foi a primeira musica que escrevi, o primeiro de tudo, a primeira que saiu de dentro de mim e que eu falei, ‘caraca, será que eu fiz uma música?’ Nem sei dizer como é o meu processo de composição, porque eu diria, que ainda estou descobrindo isso. Eu sei só que é uma energia muito maluca que vem e parece que eu coloco pra fora, assim. Então ela veio nesse momento em que eu tava passando, assim como todo mundo, por um momento difícil de entendimento geral do que tá acontecendo. Acho que por tudo que estamos vivendo, os sentimentos se afloraram um pouco mais e juntou com estar em estúdio a muito temo. Como tinha muita coisa pra fazer, eu já estava em estúdio por um bom tempo. E acho que surgiu por essa junção dos sentimentos mais a flor da pele e muito tempo em estúdio. E “Atenção” foi a primeira música que escrevi fruto de vários relacionamentos que eu tive na minha vida, não só amorosos, mas familiares e de amizade. Tudo isso, de relacionamentos que a gente tem e se apega e num momento chega ao fim ou munda de um ciclo pra outro. E logo em seguida veio “Tá Tudo Bem”, que veio como uma resposta à “Atenção”, porque as duas falam basicamente do mesmo relacionamento, mas uma fala de uma coragem de terminar e a outra é mais sobre o pós término, e a responsabilidade afetiva de quando se acaba. E eu escolhi as duas e mais as que ainda vão sair, que vou até dar um spoiler aqui, de antemão o EP vai sair em Novembro. Até essas próximas que eu escolhi, eu fui meio que pela energia que elas me passaram e do momento que a gente tá. Eu decidi que eu queria lançar essas primeiras músicas, da maneira mais crua possível, da maneira mais direta e mais quarentena, que a gente tá vivendo. Foram produzidas e gravadas em casa. Gravadas na casa do Vaz, que é o produtor das músicas, Elas foram gravadas de uma forma tão verdadeira, tão aberta, tão crua, que eu queria que elas ficassem da maneira que vieram pra mim. Os jeitos que elas vieram pra mim, me ajudaram bastante, me ajudaram, me abraçaram e é isso que eu quero passar pras pessoas. Então as canções que lancei e as que tão vindo, escolhi mais pela energia que senti delas E guardei algumas outras pro ano que vem, conforme as coisas vão acontecendo.

Foto: Julia Bandeira

Me Gusta: Como está sendo pra você esta questão da quarentena, com isolamento e produzindo em casa com tantos cuidados?

Junin: Mais difícil, principalmente a parte dos clipes, porque a gente tenta fazer da maneira mais enxuta, mais segura possível, mais protegida possível de tudo, mais difícil de elaborar. Então tem sido um processo desafiador de tentar buscar ideias simples, mas que vão ter um resultado bonito e grandioso até. Antes era tudo mais elaborado e com muita equipe, muitas facilidade e aí, quando veio tudo isso, a gente teve que pensar sempre de uma maneira diferente. Então pra clipe tem sido bastante desafiador. Pras músicas em si, não consigo nem dizer muito, porque antes da quarentena eu não escrevia música, fui escrever a primeira na quarentena e então, não sei qual o processo de composição fora da quarentena e quando tiver correria de estúdio e tudo isso. No quesito composição, tem sido muito bom, porque eu tenho todo tempo do mundo, no estúdio ou em casa escrevendo as minhas músicas. Então vou ter que te contar depois como é fazer as músicas após a quarentena. A parte da composição tem sido mais fácil, o mais difícil mesmo é a parte do clipe da gravação, tenho até gravado com participações especiais, mas tem sido tudo mais enxuto, mais simples e mais fácil de fazer. Pra consegui tomar melhor os cuidados necessários.

Me Gusta: A cena musical de Brasília é muito rica, desde a década de 80, por aí. Como você tem visto o cenário musical de Brasília hoje em dia?

Junin: Eu sempre fui muito apaixonado pela cena musical de Brasília e também pelos artistas. Eu trabalho também com produção de eventos e sempre fui apaixonado por toda movimentação cultural da cidade. São artistas que realmente acreditam, que batalham, que levantam um manifesto muito grande, pelo país que vivemos. Sempre fui apaixonado nessa cena e principalmente, no começo de tudo, já tinha uma cena bem grande de novos artistas da música começando no mesmo barco, e é muito importante todo mundo, seja da música, seja do audiovisual, de tudo, se ajudando, querendo que o outro evolua. Então, pra mim, eu sempre adoto isso de ajudar muito qualquer artista que esteja surgindo, querendo crescer, porque acho que só assim que vai fluir uma energia e tudo numa energia semelhante e vai dar tudo certo. Não tem como a gente ser egoísta neste momento e querer fazer tudo só. E eu tenho muito orgulho dos artistas que tem em Brasília; os que conheço, apoio os projetos e sou fã. Tem muitos artistas dos quais sou fã aqui em Brasília.

Foto: Julia Bandeira

Me Gusta: Como é sua relação com seus fãs?

Junin: Isso é outra coisa que vou ter que te contar depois, porque ainda não deu pra sair de casa, poder fazer show, pra conhecer a reação deles e tá sendo tudo muito novo. Pela internet, é uma relação louca de amor. O carinho que as pessoas têm comigo, acho tão incrível. Essa energia, que a gente consegue trocar, eu fico realmente embasbacado. De relação próxima, tenho mais com meus fãs da Lupa, e que sempre foi incrível. A gente sempre amou estar com eles. A gente sempre falou, a Lupa não é só música, a Lupa sempre foi mais que isso. Assim como o trabalho solo do Junin. Não é só música, é também sobre energia, sobre troca. Então, as mensagens que tô recebendo das pessoas, do tipo ‘cara, sua música me ajudou, mexeu muito comigo, senti tal coisa’, já tá sendo uma relação muito boa e me ajudando muito. Tô muito feliz e muito realizado de saber que minha música tem ajudado toda essa galera mundo a fora. Mas tô realmente sentindo muita saudade do contato, do abraço, do cheiro e de estar realmente no palco e conhecer as pessoas, cara a cara, nesse Brasil inteiro. Tô morrendo de saudade. Vai acontecer já, já e aí vou te contar exatamente como vai ser essa relação. A certeza que tenho é que vai ser incrível, como sempre foi.

Me Gusta: Muita gente tem dificuldade com a parte de coordenação ao tentar tocar bateria. Como foi pra você aprender bateria? Você tem alguma dica pra quem acha que não tem coordenação?

Junin: Eu não me lembro muito como foram meus primeiros dias na Bateria. Lembro de mim fazendo aula, de eu sentado alí, mas não lembro se eu tive muita dificuldade e essa questão da coordenação, mas o que falo é o seguinte: pra qualquer um que quer aprender Bateria, qualquer pessoa que queira aprender algum instrumento, não acredite em qualquer fator limitante. Não ache que sua coordenação vai ser limitante pra isso ou qualquer coisa. É força de vontade. É só querer, treinar. É treino todo dia e acreditar que você pode. Sem dúvida você vai evoluir. Os processos podem ser mais lentos pra algumas pessoas, pode ser mais rápido pra outras. Mas isso nunca pode ser um fator pra impedir você de fazer algo. Você é incrível, vai conseguir com certeza. Vai conseguir tocar Bateria.

Foto: Julia Bandeira

Me Gusta: Dentro do que puder adiantar, quais os próximos passos da carreira? Já há algum plano pós-quarentena?

Junin: Muitos, muitos planos. Podem esperar muitas coisas. Tô super empolgado, super animado, energizado com todo esse projeto. Ainda estamos fechando todo o planejamento, mas o que a gente já pode esperar, e que vou dar o spoiler aqui, é que em Novembro tem o lançamento do meu primeiro EP chamado “Músicas Pra Janela”. Nele vão ter duas faixas novas, serão quatro ao todo, com essas que já lancei. E logo depois do lançamento desse EP, a gente começa a planejar o ano que vem. Com certeza a gente vai começar o ano, já lançando o álbum. Já vou estar vindo com o álbum, vindo com tudo isso. E o que mais estou esperando é voltar tudo ao normal, pra eu poder voltar a fazer os shows. Os fãs podem esperar, que vou rodar esse país inteiro caçando vocês e vai ser como sempre fiz, com todo carinho do mundo e tudo isso que amo fazer. Quero levar um pedacinho de mim, pra cada um de vocês. Podem esperar muita coisa boa.

Junin durante a entrevista ao Portal Me Gusta