Texto e Entrevista por André Rossanez

Aposta da Sony Music e Portal Me Gusta, a banda curitibana Jovem Dionísio continuou a série de lançamentos do ano, com a divertida “Amor De Cão”, um single conjunto com a talentosa Clara Valverde.

O quinteto, que tem um som único e cheio de personalidade, vem conquistando cada vez mais o Brasil e em apenas 2 meses, deu um grande salto de 20 mil para 1,2 milhão de ouvintes no Spotify, além de ganhar destaque na Apple Music. 

O Portal Me Gusta teve a felicidade e o privilégio de entrevistar a banda via Zoom, fazendo uma conexão São Paulo – Curitiba, pra conhecer melhor a trajetória, a arte e as inspirações de Jovem Dionísio. [Os integrantes são Bernardo Pasquali (vocal, guitarra. trompete e baixo), Gabriel Mendes (bateria, vocais), Gustavo Karam (vocal, guitarra, baixo), Berbardo Hey (teclado, violino, baixo) e Rafael Durna (vocal, guitarra)].

Foto: Divulgação

Foi um bate apo muito bacana e inspirador que você confere a seguir na íntegra:

Portal Me Gusta: Como surgiu a banda? E como foi a escolha do nome Jovem Dionísio?

Bernardo Pasquali: A banda surgiu, porque a gente é colega de colégio e a gente meio que estudava junto num colégio aqui de Curitiba e andava de skate juntos. E começamos a nos encontrar na casa do Fufa, que é o Rafael, algumas vezes depois de andar de skate e nessas de começar a tocar, a gente tocou em alguns churrascos de amigos, em festas e começaram a chamar gente e chamar a gente, e aí a gente começou a tocar em alguns bares e festas de Curitiba, principalmente festas universitárias, mas a banda tinha um outro nome e um outro propósito, tocávamos cover e tal. Sempre a gente tocou cover nas festas e baladas e a gente estava juntando dinheiro pra gravar as nossas músicas e no começo de 2019, a gente juntou um dinheiro legal dessas festas e resolvemos gravar as primeiras músicas da banda. Aí a gente começou a sentir a necessidade de criar um projeto, que começou no começo do ano passado. O nome vem de uma homenagem nossa ao nosso boteco favorito daqui de Curitiba. O nome do dono do boteco é Dionísio e agente sempre frequentou lá e amava e sentia essa necessidade de homenagear o bar e quando a gente tava decidindo o nome, uma das ideias era a de chamar a banda de Dionísio e ficou nessa de “Dionísio, pô.  É nome de velho e talvez a galera vá associar Dionísio como sendo talvez o cantor por ser um nome próprio”. E a gente teve a ideia de botar ‘jovem’ na frente, pra dar esse contraste de uma palavra que é literalmente jovem com uma palavra não jovem que é Dionísio. Daí que veio o nome.

Me Gusta: Como é o processo de composição das músicas e as inspirações?

Gabriel Mendes: Quem compôs as últimas músicas fui eu. Basicamente me inspiro nas coisas que eu vivo, que vejo. Fico no meu quarto, dou uma enxugada na toalha, pra tirar tudo o que tem e passo tudo pro meu violão e basicamente faço a composição e levo pra banda. Aí a galera meio que dá uma olhada, no que faço de mais e de menos e adequo as melodias também. E começo meio a fazer uma pré-produção e da pré-produção vai indo pra frente. As vezes componho junto com a produção, mas é algo mais recente, que tô experimentando mais e vendo que tá dando certo também. E agora é acessível pra todo mundo fazer produção, faz tudo no computador, á grava o violão e tal, e cada vez tem sido mais assim, que a gente ta fazendo. Acho também legal falar que nosso processo de produção  das músicas veio caminhando e amadurecendo com o passar dos tempos. E no final de 2018, a gente não sabia direito o que era um produtor musical, mal sabia nem como produzir uma música e era uma opção. Era tudo focado na banda, a gente tocava todos os instrumentos e a gente começou a caminhar com isso, evoluir com isso e começou a puxar mais essa produção pra gente e sem depender tanto de produtor musical e isso aconteceu mais da (música) ‘Pontos de Exclamação’ em diante e a gente começou a produzir mais no computador e que tem uma infinidade de nos que a gente pode trabalhar. A gente foi moldando e é isso que a gente faz até hoje, já com o processo que a gente pegou.

Me Gusta: Como surgiu a faixa “Amor de Cão” e a parceria com Clara Valverde?

Gabriel Mendes: É engraçado. Tipo, o nome dela já diz basicamente do que vai se falar na música, mas se não tivesse esse nome com ‘cão’ dava muito pra colocar essa música como se fosse um relacionamento mais jovem, com muita emoção, fervoroso e com bastante coisa acontecendo . Mas essa música foi baseada nos meus dois cachorros que tenho aqui e que são novinhos e ficam brigando muito e depois já ficam se lambendo e estão bem nessa fase agora. Daí achei legal essa situação, peguei uma melodia no violão e comecei a fazer uma letra em cima. Antes tinha feito uma pré-composição, uma partezinha só e botei um dia no stories e a galera curtiu bastante, e quisemos  por pra banda e a gente começou a evoluir na ideia e juntar ideias que a gente tinha juntos dentro da banda e pensou que ter a voz de uma menina ia ficar muito da hora. E a gente sempre pensou em fazer um hit com a Clara Valverde e aí a gente pegou o contato dela e conversou com ela e ela curtiu demais. A gente começou a engrenar as coisas e ela fez também uma parte da letra e aí a gente conseguiu  finalizar a composição com ela.

Jovem Dionísio e Clara Valverde – Foto: Leo Silva

Me Gusta: Como tem sido pra vocês esse processo de criar, produzir e gravar durante a quarentena?

Bernardo Pasquali: Acho que isso tá sendo muito bom na verdade. No começo da quarentena a gente se desesperou com isso. A gente sempre trabalhou com produtor e as músicas que a gente tinha lançado antes da pandemia eram todas feitas em estúdio e tudo mais. A gente se viu numa posição onde a gente ia ter de ser virar com o que tinha e acho que isso nos botou numa posição de quase sobrevivência e a gente descobriu uma nova coisa. A gente sabia que existia produção em casa e que ela funcionava em muitos casos. E a pandemia nos colocou nesse lugar, que hoje a gente olha o processo que tá fazendo e a gente sente que realmente é o processo que a gente deveria estar fazendo mesmo. Então fez a gente crescer bastante.

Me Gusta: Dentro do que podem adiantar, quais os próximos passos da carreira? Vocês já têm planos para pós-quarentena?

Bernardo Pasquali: Acho que a gente tem muito a falar, muita coisa mesmo. Tanto que um dos maiores trabalhos que a gente tem é o de se organizar pra saber como a gente quer fazer e soltar isso pro mundo. O que a gente pode adiantar é que tem coisa esse ano ainda e a gente tá trabalhando bastante. E o ano que vem a gente pretende fazer bastante coisa maluca, mas é só até aí que dá pra falar. Mas a gente vai fazer bastante coisa louca mesmo.

Foto: Renan Klein

Me Gusta: Em dois meses, vocês tiveram um grande crescimento de números de streams em todas as plataformas digitais. Qual é a sensação? E o que vocês diriam pros artistas e bandas que estão começando agora?

Gustavo Karam: Foi uma loucura pra gente. Até agora a gente não se acostumou e nem entendeu direito o que aconteceu. Sei lá. Estamos assustados até. A gente não consegue ter noção palpável e física do que tá acontecendo, mas sim virtualmente. A gente vê em números e estatísticas, mas a gente não passa disso, porque estamos em um momento de pandemia.E não sabemos como está tocando as nossas músicas, mas pelas coisas que a gente vê, a gente vai aos poucos acreditando no que tá acontecendo.  E pras bandas que nos vêm, é muito foda que elas usam a gente de referência. E eu digo pra elas, que é dedicação total e fazer por amor também.  E persistência. Se tem uma dúvida, vai atrás até ter o felling de como faz. E invista tudo o que você tiver ganhando no começo, bota dentro da banda, não espera.

Bernardo Pasquali: Acho que a gente não tá muito numa posição de dar conselhos pra alguém, até porque a gente ainda não entende o que tá acontecendo. Mas eu digo que o lance é fazer as coisas com amor, porque é o que a gente tá fazendo agora.  

Gustavo Karam: Tem um pessoal que fala ‘como vocês conseguem tirar um tipo de som diferente?’, ‘porque estão fazendo um negócio diferente?’, ‘o que motivou a isso?’. Acho que é junção de tudo que a gente faz, seja música, seja criação de clipe e qualquer coisa que a gente faz, a gente tem que gostar do que tá fazendo a cima de tudo, a cima de achar que alguém vai gostar ou não, se aquilo funciona ou não. O primeiro patamar pra gente, é que a gente tem que estar gostando do nosso som, a gente tem que fazer o som que a gente quer ouvir e vejo que isso muitas vezes, tem pessoas que esquecem disso, que pensam primeiro em outras coisas. Pra gente, o que a gente faz, não que seja o certo ou o errado, é  se importar com nosso som a ponto de a gente querer ouvir ele.

Foto: Lívia / @solmostarda