Grande compositor, Simão estreou oficialmente sua carreira musical como cantor em 2020 lançando suas quatro primeiras canções.

O sucesso foi tanto que o artista já acumula mais um milhão de visualizações no You Tube dos clipes, além de ter conquistado 50 mil ouvintes mensais no Spotify.

O novo trabalho do Simão é EP “(tipo) Acústico”, com novas roupagens para seus primeiros singles e que celebra essa nova fase da carreira iniciada no ano passado.

O Portal Me Gusta teve a felicidade privilégio de entrevistar o cantor pelo Zoom, fazendo uma conexão São Paulo / Santa Catarina. Ele contou detalhes de sua carreira, sua música, seu novo projeto e os próximos passos.

Saiba na íntegra tudo o que Simão contou.

Portal Me Gusta: Como surgiu o seu amor pela música?

Simão: A música na minha vida surgiu desde muito pequeno, porque meu pai era músico já e além disso, ele era meu professor de música no colégio e regente do coral do colégio. Era muito envolvido com a música. Na minha escola tinha música com meu pai e em casa tinha o meu pai como meu pai com a música. Então era uma coisa muito presente. Para eu ir embora do colégio, precisava esperar ele terminar e desde muito pequenininho, eu tava no coral esperando ele e depois já participando. Algo que não sei dizere m qual ano. Pra ter noção, nunca nem tinha dito isso antes na real, mas no dia que nasci o meu pai estava tocando e já tinha agendado e não podia cancelar. Minha mãe foi pro hospital e quando acabou ele foi pra lá correndo. É uma coisa que está presente desde muito cedo.

Me Gusta: Como se dá seu processo de composição e suas inspirações?

Simão: É uma loucura, poque o fato da inspiração tá muito atrelado ao lado de um dia massa na vida do cara, como qualquer coisa que tu vai escrever, por exemplo, um texto ou uma matéria, às vezes você tá inspirado e tá fluindo legal. E na vida do compositor é a mesma coisa. Tem inspirações que realmente dá uma música e isso fica martelando na cabeça e você chega em casa e bota na caneta. Mas eu acho que o fato de ter um dia bom, alegre, um dia que tudo esteja fluindo é bom para escrever. Eu também me policio para sempre estar escrevendo e me forçar a escrever um pouco pra não ficar sempre esperando vir uma luz do além para poder escrever. Às vezes sai e às vezes não sai, mas é um importante sempre tentar escrever e daí tu tira uma música boa. Tu faz várias músicas, umas são meio assim, outras meio assado e tu vai pincelando as músicas mais legais.

Me Gusta: A música “Te Arquitetei” é uma composição sua com o GP do Atitude 67. Como surgiu essa canção e como foi compor com ele?

Simão: Foi muito massa. Conheço os meninos do Atitude 67 desde quando eles tinham gravado o DVD que tinha a “Cerveja De Garrafa”. Conheci eles uns 15 dias depois e não tinha estourado nada ainda, estava no começo. Virou uma amizade muito legal. Eles me apoiam muito, me ensinam e a gente escreve juntos e faz muita coisa juntos, e calhou de eu ser formado em Arquitetura e Urbanismo e o GP também. A gente falou ‘a gente não trampa com isso de arquitetura e faz a mesma coisa que é música, vamos ter que escrever sobre isso’. Aí, Ele me mandou uma melodia no culelê e comecei a pensar na letra e no que podia linkar com arquitetura. A ideia era linkar com um romance, algo assim e veio a minha ideia inspirada em Oscar Niemeyer, porque a maioria das coisas dele tem curvas. Ele se inspirava nas curvas das mulheres e nas curvas das montanhas de Minas Gerais também. Inclusive por isso veio a parte ‘te arquitetei em curvas e por entre meus rabiscos, seu corpo estava lá’.

Me Gusta: Você lançou o novo EP “(Tipo) Acústico”, com novas versões dos quatro singles já lançados. Como surgiu a ideia?

Simão: Gravar sempre é massa, um experiência que o cara sempre se põe a pensar no que vai fazer de diferente do que já fez e a galera vai gostar. Isso é muito legal, de tentar descobrir o que fazer. Dá combustível pro músico. Lancei a primeira música em Maio e as outras vieram numa sequência durante a pandemia. Então a gente não tinha muita resposta do público no show, algo assim; a gente tinha e tem só feedback da internet. Como a gente tava no meio da pandemia e lançando só trabalhos novos, meio que sente uma necessidade de dar mais um gás nessas músicas que lancei e veio a ideia. ‘Será que faço um acústico? Com as mesmas músicas vai ficar igual?’. E aí pensei, ‘vamos fazer um arranjo diferente no formato tipo acústico que visualmente vai parecer acústico’. Mas como tem o contrabaixo e guitarra não é um acústico. Assim surgiu a ideia. Conheci dois produtores muito legais de Curitiba e a gente foi lá e gravou. A gente ensaiou num dia pra gravar no outro e saiu com um resultado fantástico. Toda vez que vejo o clipe eu falo ‘pô velho, é isso que eu queria’. Ficou muito legal.

Me Gusta: Você já era conhecido como compositor e do ano passado para cá, começou a investir na carreira como cantor. Como tem sido esse momento e sua relação com os fãs?

Simão: São coisas que são semelhantes mas ao mesmo tempo diferentes. Saber lidar com o público, com os fãs da internet e sabe lidar com o público do show. Coisas diferentes, mas pelo fato de envolver sentimento nos dois, são parecidas. Sempre ralei muito tocando em tudo aqui na região, em Curitiba, Floripa, Praia da Rosa, todo litoral catarinense. Quando tu tá no show, coisa que fiz muito em 2019, a gente vai aprendendo que a energia do público e a troca de energia é muito intensa. É muito diferente da energia da internet que também é legal demais, onde tu troca ideia com a pessoa e vê que elas gostam do seu trabalho. Mas você cantar e ver as pessoas cantando junto as músicas que tu fez, sente o quanto é uma energia muito louca. Acho que aprendo um pouco com os dois. Tocar é muito massa e tu aprende muito como saber lidar com o público e saber o que falar. Tu lança sua música e faz uma carreira, cria fãs e tudo mais, e tu vê que tem fã lá no Nordeste, que é longe de onde eu moro e tu vai trocando ideia. Isso é muito legal. São coisas diferentes ao mesmo tempo similares.

Me Gusta: Como foi produzir um EP em plena quarentena? Como foi para você ter que produzir e ficar em isolamento durante esse período?

Simão: Acho que cada um vai ter uma opinião, até porque cada um tá num momento diferente da carreira. Como eu tava bem no início, não foi legal, assim, uma coisa um pouco triste, porque era o momento em que eu ia levar minha música pra galera cantar no show e sentir aquela energia, era um combustível e inspiração para escrever mais coisas. Sempre quis levar uma energia muito boa pras pessoas e não ocorreu isso. Mas não parei de escrever, sempre me forcei a escrever, mas deu uma parada assim do tipo ‘escrevo, escrevo, mas não vejo o feedback da galera e não sinto aquela paixão, que é o legal da parada’. Agora tô torcendo muito pra essa vacina chegar para todo mundo logo e voltar a sentir essa coisa toda. Tô há um ano já lançando músicas e trabalhando e não pude ainda cantar pras pessoas e me dá muita vontade que aconteça isso logo. Fico esperando e isso é bom também.

Me Gusta: Como você tem visto a cena musical de Santa Catarina?

Simão: É bem louco, porque são poucas bandas de Santa Catarina que vão pra um cenário nacional. Mas ao mesmo tempo, a gente tem músicos de primeira categoria muito bons e que em questão de instrumentos, são os melhores musicistas do Brasil, e tem vários. Na cidade de Itajaí tem uma faculdade de música e um conservatório de música popular brasileira, e então é bem focado para MPB, para o chorinho e para Bossa Nova. São pessoas muito talentosas. Mas por ser mais focado no início da MPB, acaba ficando aqui os conhecidos no meio, desse gênero. E a nível nacional, a gente tem o Vitor Kley, que é meu amigo e gaúcho, mas que morou em Balneário por 15 anos e já é meio catarinense. E existem outros artistas, como o Bryan Behr que tá indo bem para caramba, a banda Das Aranhas, uma galera massa de Floripa que participou do The Voice, João Napoli, a banda Das Aranhas e uma galera bem legal dessa nova geração. Por conta da internet, também conseguem levar mais músicas para o cenário nacional. Essa Nova geração tá vindo levantar bastante o nome de Santa Catarina.

Me Gusta: Com quais artistas que você gostaria de dividir o palco e/ou que gravassem músicas suas?

Simão: Tem vários. O Lenine é um cara que sou muito fã, do tipo que sabe quase todas as músicas. O Djavan também é um cara que sou muito fã. Sou um cara que escuta nas plataformas, uma playlist que tem as novidades e fici ouvindo essas novidades. Não sei se é o mundo que mudou muito e faz o cara escutar de tudo hoje em dia. Porque antigamente eu era vidrado em várias bandas. Eu era fissurado no Lenine e em outros artistas que eu escutava, acho que também por causa do CDs. Eu ouvia um disco inteiro e ficava viciado no artista e hoje com as plataformas a gente acaba escutando muita coisa. Tenho próprio Vitor Kley que é meu amigo, também tem o Lagum que eu curto muito e por aí vai.

Me Gusta: “Seu Nome” foi seu primeiro single. Como surgiu esta música e qual a importância dela para você?

Simão: Essa música lembro que escrevi quando ainda estava na faculdade de arquitetura e ainda não tava focado na música. Eu tava fazendo a faculdade e como era meio punk, a música acabou ficando de lado. Quando me formei eu falei ‘agora que tô formado, vou focar no que eu amo que é a música’ e quando comecei a escrever, peguei essa música e comecei a mandar para produtores que eu era fã, com a cara e a coragem, mandando mensagens no Instagram com a guia da música. Todos me responderam e se amarraram. Isso foi um combustível para mim e o Juliano Valle, que é um desses caras (e que produziu uma galera como Ana Gabriela e Anavitória e que tocou com Daniela Mercury e é um baita produtor), produziu essa música em 2018, faz um tempão. Quando ele me mandou pronta me apaixonei pela música, com o mesmo fonograma que a gente lançou em 2020. Fiquei com aquilo guardado a sete chaves. Como eu não tinha experiência de palco e de saber sentir o público, tudo que um show te traz, eu quis tocar bastante antes de lançar e toquei em tudo que é canto em 2018. Em 2019 acabei parando com o voz e violão e fiquei com a banda e a gente ralou muito, mais de 70 shows e era bastante coisa em um ano para quem não era tão conhecido. Em 2020, foi quando a gente parou e achou que era o momento de lançar e não contava com a pandemia. Foi um ano em que a gente lançou e começou a fazer um trabalho certinho. Eu tenho um carinho muito grande por essa música e ela é agora a primeira música de trabalho do (tipo) acústico, porque me toca de uma maneira massa. É uma música que não tem refrão, mas ao mesmo tempo tem uma coisa para cima e parece um mantra. É meio inexplicável.

Simão durante a entrevista

Me Gusta: Dentro do que você puder contar, quais os próximos passos da carreira e planos para a pós pandemia?

Simão: A gente tá planejando os novos lançamentos. A gente vai lançar uma música nova já, não sei a data ainda, mas acredito que no fim de Fevereiro. É uma música que também tenho um carinho especial e é bem legal. Quanto ao shows, já tô planejando tudo, fico aqui em casa matutando as coisas, programando o setlist e e ficou criando melodias no teclado e fico vidrado nisso para montar um show bem legal e quando voltar falarem, ‘pô, que massa o show do cara ‘. Como tenho esse tempo ocioso agora, fico pensando nisso e ensaiando toda semana com o pessoal da banda para fazer um show bem legal. A galera pode esperar um show bem massa, bem para cima, que é um show que gosto de fazer. Gosto de levantar a galera e por músicas animadas e tudo mais. Podem esperar um show bem legal. Tô ansioso para tocar