As estrelas colombianas do Bomba Eestéreo lançam seu novo EP, “Tierra”

O trabalho com 3 canções é uma pequena amostra de “Deja”, o primeiro álbum da banda em quatro anos com previsão de lançamento para 10 de Setembro. Uma das faixas, “Conexión Total”, tem a participação da superestrela nigeriana Yemi Alade (Yemi tem 14 milhões de seguidores no Instagram e foi destaque no álbum ‘Lion King’ de Beyoncé).

“Colaborar com Yemi é uma grande honra, pois nossa música foi profundamente inspirada pela África em todos os sentidos desde que começamos”, conta o fundador da Bomba Estereo, Simon Mejia. E ele completa, “A música folclórica colombiana deve muito ao continente-mãe, essa poderosa mistura de tambores africanos e marimbas, com flautas e cantos indígenas, é a base da incrível paisagem sonora deste país. Yemi é um grande artista e tem uma voz incrível. Nós estamos muito felizes em continuar ampliando os laços culturais e ancestrais que unem a África à América do Sul.”

Já Yemi revela, “Fiquei muito animado quando a Bomba Estéreo nos contatou. Na verdade, as colaborações entre a África e a América Latina são poucas, e pode-se dizer quase inexistentes. Aceitei imediatamente, fiquei maravilhado com a ideia de exportar minha cultura urbana africana para o mundo latino e promover a cultura latino-americana na África. É como uma volta ao lar. Esse tipo de experiência é única e nos mostra como a música não conhece fronteiras”.

O álbum “Deja”, que terá inclusive versão em LP, está conceitualmente dividido em quatro seções que correspondem aos quatro elementos: Agua, Aire, Tierra e Fuego. “O álbum é sobre a conexão e a desconexão dos seres humanos – do planeta, de si mesmo”, disse Samuet. O artista conclui, “É sobre como estamos desconectados, mais conectados a dispositivos eletrônicos e coisas virtuais do que coisas reais. Então decidimos usar os quatro elementos, porque eles fazem parte do equilíbrio dos seres humanos.”

Bomba Estéreo tem como membros principais o beatmaster e compositor Simon Mejía e a vocalista e compositora Li Saumet. O grupo tem sido uma grande força na cena alternativa e do Caribbeat/dance desde o sucesso de 2010, “Fuego”. Lançamentos seguintes indicados ao Grammy “Elegancia Tropical” (2013), Amanecer” (2015) e Ayo (2017) os colocaram na vanguarda, além de estourarem de Nova York à Tóquio.

Para “Deja”, Simón e Li queriam fazer um álbum com maior senso de “comunidade”. Simon descobriu sua química fazendo shows com o guitarrista José Castillo e com o percussionista Efrain Cuadrado, o Pacho. Li recrutou sua amiga de longa data Lido Pimienta para a sessão e a colaboração, “Nada”, acabou na playlist “Best of 2020” de Barack Obama.

“Queria colaborar com o Lido para experimentar novos sons com a minha voz”, explica Li. “Ela tem aquele toque underground que eu gosto e também convidou algumas colaboradoras cubanas com ela, uma dupla chamada OKAN. Foi super bonito ter mais mulheres comigo, me senti mais apoiada, mais segura e à vontade”.

Dessa vez, a banda decidiu produzir o próprio álbum (exceto com alguns produtores convidados como Trooko) e construiu um estúdio improvisado na casa de Li em Santa Marta. “Todos nós acabamos lá e fizemos um álbum que tem um pouco do melhor do clássico de Bomba, como Elegancia, e muitos novos elementos de composição que José e Pacho trouxeram”, conta Simon. Os efeitos da pandemia também deram à banda bastante tempo para produzir e mixar Deja com uma grande assistência de Damian Taylor, conhecido por seu trabalho com Bjork e Arcade Fire.

Deja é um daqueles álbuns que, mesmo em suas seções díspares, formam uma unidade. É um álbum que transmite alegria, perda, êxtase e tristeza ao mesmo tempo. “Algumas coisas pesadas estão acontecendo com o mundo e temos que compartilhá-las”, diz Li. “Fizemos esse álbum para que você possa dançar em uma boate, mas ao mesmo tempo tem um significado profundo. É para você dançar o perreo com consciência”, completa.

Para ouvir o EP “Tierra” clique aqui.