Após participação no The Masked Singer Brasil, Serjão Loroza potencializa espaços à negritude e canta belezas de Madureira em “Afronauta”.

“O primeiro brasileiro preto a ir para o Espaço, na verdade, fui eu”, disse Loroza, fazendo referência à viagem interior realizada para a criação de seu novo single e ao seu personagem Astronauta no programa musical da Globo.

A canção, com participação do também cantor e compositor Pretinho da Serrinha, é fruto de uma imersão e celebra o subúrbio em que nasceu, Madureira – berço do samba no Rio de Janeiro. O clipe chega com inspirações afrofuturistas.

Foto: May Bandeira

Serjão compôs a letra com Doralyce, Jonathan Ferr, Pedro Amparo e Douglas Bastos, se inspirando na história da criação do Programa Espacial da Zâmbia, que pretendia levar a primeira mulher negra ao Espaço, em 1960. A partir dessa ideia, a composição trata das potencialidades de Madureira e da vontade sentida por uma pessoa vinda da favela de alçar grandes voos. Loroza pontua que o bairro carioca representa todas as periferias, inclusive a global, como guetos da América Latina e da África, e que a letra busca valorizar quem vem desses lugares. “Eu acho muito importante voltar os olhos para essa galera, que é tão potente – tem muita gente muito boa de onde eu venho”, afirma ele.

Querendo ir além, sem deixar de valorizar as suas origens, Serjão tem mostrado sua versatilidade como artista, inclusive se jogando como o Astronauta do reality show apresentado por Ivete Sangalo. Ele, que diz ainda estar em processo de despressurização e relata sua participação no programa como um processo de autoconhecimento. “O Astronauta voou longe, mas depois de sair da Via Láctea, passar por outras galáxias, por buracos negros e até por Alpha Centauri, o mais longe que eu consegui chegar foi dentro de mim mesmo”, reflete o ator, comediante, cantor e compositor.

Foto: Victor Vieira

Para explorar a viagem interna feita pelo “Afronauta” Serjão, Jonathan Ferr, também nascido em Madureira, assina a direção do videoclipe. Misturando referências do Egito Antigo ao sci-fi, com algumas reflexões acerca do autoconhecimento, a criação da narrativa do audiovisual foi pautada pelo afrofuturismo. “Quando eu fui escrever o clipe, já pensei no conceito afrofuturista, com o Serjão indo para o espaço em um foguete, e, ao mesmo tempo, busquei trazer uma ideia mais espiritual e etérea de que o Universo não é só pra fora, é pra dentro também”, explica o diretor.

Em breve, Serjão Loroza lançará mais um single e dará continuidade de seu desenvolvimento como “dono preto de uma empresa”, que acredita no poder transformador dos negócios feitos com propósito. Por meio de ações como a oferta de emprego para pessoas negras, para o também empreendedor, “o mundo dos negócios pode ser uma ferramenta para modificar o status quo”. Dono da marca de cachaça DoLoroza, ele brinca: “A verdadeira ‘cachaça’ é o empreendedorismo, vi que não preciso vender só cachaça, posso vender outras coisas”.