A espera acabou! Jão lança seu terceiro álbum, que fala sobre amor e desamor de forma mais leve e com canções biográficas.

Em carta aberta pelo Instagram, o cantor comentou que após o término de um relacionamento que inspirou o álbum passado, ele viveu muitas coisas coisas diferentes, que o fez sentir que ele pertence a ele mesmo novamente. Tudo isso serviu de inspiração para esse novo trabalho que sobretudo é sobre liberdade e recomeços.

Capa do álbum “Pirata”

Abrindo o álbum temos uma grata surpresa a música clarão. No começo ouvimos vozes, bolão de repenteFaça se transforma em um arranjo eletrônico empolgante com tom de celebração. Tom esse, que combina muito com a letra positiva e que é um brinde à vida e à sermos nós mesmos, além de nos lembrar da importância de deixar um amor ir embora por mais intenso que seja.

Se mantendo na pegada eletrônica, dessa vez lembrando uma sonoridade do fim dos anos 80 começo dos 90, “Não Te Amo” de forma bem humorada, mostra formas para não sofrer tanto com o fim de um relacionamento. Outra música que também fala de uma maneira leve sobre amor, é “Idiota” que tem um arranjo bem Pop e que narra como é “amar como um idiota ama”.

Uma faixa bem marcante é “Você Me Perdeu”. Um tema bem sentimental, que fala sobre aquele momento em que a gente vai se afastando de alguém que ama, pois esta pessoa vai cada vez mais dando mancadas. Uma canção que com certeza, muita gente vai se identificar e se lembrar de algum momento parecido que viveu.

Uma das músicas mais biográficas do disco é “Meninos e Meninas”, Bem ritmada, as batidas do arranjo acompanham o canto de Jão em suas intensidades e tons. A letra fala abertamente sobre a descoberta de si mesmo, bissexualidade e os casos e amores do artista com garotas e garotos. A inspiração veio das experiências que o artista viveu em 2013, após passar no vestibular da USP e sair da cidadezinha em que vivia. A partir disso ele foi se autoconhecendo e vivendo experiências que o marcaram e o fizeram entender quem ele era em sua essência.

Uma das melhores músicas com certeza é a já conhecida “Coringa”, que fala sobre amor livre, sem amarras. Destaque para a sua sonoridade Pop e marcante que traz um tom um pouco mais leve.

Encerrando o álbum, mais uma bela surpresa. “Olhos Vermelhos” tem um início mais introspectivo, com bastante violão e que mais pra frente ganha novos instrumentos e um ritmo mais animado. A guitarra que aparece no final traz um toque todo especial. A letra fala sobre andar sozinho, se arriscando e vivendo intensamente sem medo do fracasso. Uma grande inspiração para todos nós.

Algo que você pode estar estranhando é o fato da música “Amor Pirata” ter ficado de fora do disco. O próprio Jão explica o porque isso aconteceu. “Escrevi ‘Coringa’ e ‘Amor Pirata’ no mesmo processo do álbum e não planejava que ‘Amor Pirata’ fosse trabalhada em algum momento. Quando fui lançar ‘Coringa’, quis lançar uma música como um presente, um lado para que as pessoas se alimentassem do que eu estava fazendo. Mas eu gosto de álbuns curtinhos, sempre que fazemos [pensamos] ‘o que daqui está contando a história mais de uma vez?’, ‘o que tá sobrando?’. Sempre corto coisas e 10 é um número bom, até acabei exagerando e colocando 11. ‘Amor Pirata’ naufragou”, explica ele.

O novo álbum de Jão é um verdadeiro presente, que chega para ficar nas playlists e ser muito ouvido. Um trabalho bem pessoal e até com faixas confessionais, que vem com um tom mais leve e descontraído. Um grande diferencial ao álbum anterior que tinha um tom um pouco mais ácido e em alguns momentos até mais triste.

O outro ponto forte do novo trabalho de Jão, é que ele trouxe inovações em suas sonoridades e explorou bastante elementos eletrônicos. Tudo isso sem perder a sua essência. Um disco delicioso de ouvir e que fala sobre amor e desilusão com bastante leveza e toda a personalidade desse artista impecável.

O próprio Jão destaca o espírito do novo álbum, “Pirata”. Segundo o cantor e compositor, “Meu último disco termina de forma densa e, nesse, o que fica é um sentimento bom. Mas as faixas que me sinto mais livres são ‘Clarão’ e ‘Meninos e Meninas’, que é uma faixa bibliográfica e uma memória da minha época de faculdade. ‘Olhos Vermelhos’ também, apesar de ela ser uma conversa comigo mesmo e ter esse sentimento muito dúbio de se perder e liberdade. Acho libertadora. Me sinto mais perdido talvez em ‘Não Te Amo’, é a mais delírio”.

Lançado pela Universal Music, o disco foi produzido pelo próprio artista em parceria com Paul Ralphes, Pedro Tófani e Zebu e possui 11 faixas.