A espera acabou! Após dois anos, finalmente Dulce Maria lança seu quarto álbum solo, “Origen”.

O projeto demorou um pouco para ser liberado devido à pandemia, gravidez e principalmente, pelo processo burocrático de lançar um álbum independente. No repertório, uma das mexicanas mais amadas pelo Brasil, resgata composições escritas ao longo da carreira, muito importantes pra ela, com uma roupagem Folk Pop.

Abrindo o álbum, a faixa “Origen” chega ressaltando a importância de cuidar mais do meio ambiente e de olharmos para trás, sempre nos lembrando de onde viemos e valorizando as nossas raízes. Uma homenagem aos povos indígenas. Além de uma letra linda, ouvimos Dulce usando a sua voz um pouco mais aguda do que o convencional, mostrando sua técnica vocal unida à emoção. No fim da música, a cantora é acompanhada por um coro, que pelo menos pra quem vos escreve, é como se as vozes ancestrais falassem com ela.

Capa do álbum “Origen”

A cantora trouxe também sua veia romântica, com duas músicas lindas e sensíveis que falam direto só coração. Com arranjo de cordas que dá todo um charme e beleza, “Sin Ti” fala de forma poética sobre amar demais e como é difícil estar longe dessa pessoa. Já “Nunca”, um Pop Folk, com uma linda instrumentação, fala com delicadeza sobre uma dolorosa superação, após o fim de um relacionamento. Duas faixas emocionantes e com doçura na voz de Dulce.

Uma curiosidade de “Nunca” é que ela foi composta há mais de 10 anos, e estaria a princípio no repertório do primeiro álbum solo, “Extranjera” de 2010, o que não aconteceu.

Uma das melhores músicas do disco é “Lo Que Ves No Es Lo Que Soy”, que tem um arranjo bem Folk chegando a lembrar um pouco o Country. Sua letra foi escrita há uns sete anos e surgiu segundo a artista, “como uma parte da instabilidade que é às vezes estar em turnês, em shows e viajando”. Outra inspiração foi o fato que muitas vezes as pessoas vêm o artista em cima do palco e não imagina por tudo que ele passa.

O mais bacana desta canção é que ela nos faz refletir como é importante termos empatia e que muitas vezes vemos as pessoas e temos uma impressão delas, porém na verdade não sabemos o que se passa de verdade.

Dulce Maria resgatou também duas músicas que escreveu e fizeram parte do repertório do RBD. “Más Tuya Que Mía” tem uma das letras mais bem construídas da carreira da artista e nos lembra a importância de nunca anularmos quem somos e nossos sentimentos, quando amamos alguém. A faixa ganhou um andamento Um pouco mais dinâmico e rápido do que a versão original, do álbum “Empezar Desde Cero”.

E da versão deluxe do mesmo disco do sexteto, a música “Te Daria Todo”, que sempre foi uma das queridinhas dos fãs da artista, ganhou uma roupagem acústica que valoriza muito a voz de Dulce e traz muita emoção e nostalgia.

Uma música inédita e que tem de tudo para conquistar os fãs, é “Cupido Criminal“. Trazendo um Folk bem puxado para o Country, a faixa é animada e muito divertida, o que traz muita alegria e leveza. Uma daquelas músicas que você quer ouvir e ouvir de novo, sem se cansar.

Dulce também resgatou, “Quién Será”, uma música do seu primeiro álbum solo, “Extranjera”. Com percussão bem marcada, a nova roupagem é bem gostosa de ouvir e mesmo que diferente da original, tem a mesma essência.

Dulce Maria, em seu novo trabalho, não teve medo nenhum de arriscar e se reinventar como artista, trazendo uma sonoridade bem diferente. E o resultado foi um álbum belíssimo, que mostra todo amadurecimento vocal, artístico e pessoal de Dulce, que imprimiu toda sua personalidade das canções.

É muito lindo ver uma artista sendo ela mesma, sem se preocupar em fazer uma música comercial e colocando todo seu coração e sua alma, em cada verso, cada palavra cantada e em cada arranjo.

“Origen” é um álbum delicioso e especial, que trás toda essência de Dulce Maria e que ao ouvirmos, no sentimos verdadeiramente, conectados à cantora.