A banda Fresno lança o tão aguardado nono álbum “Vou Ter Que Me Virar”, produzido pelo vocalista Lucas Silveira.

O disco começou a ser desenvolvido logo após o anterior lançado em 2019. A ideia original era introduzir algumas faixas inéditas em uma versão deluxe. Mas chegou a pandemia que interrompeu a divulgação do álbum e Lem disso novas canções surgiram. A Fresno então percebeu que já havia alí um novo projeto. O plano era lançar em Dezembro de 2020, mas como não dava para fazer shows ainda, foi adiado. Agora está entre nós.

Capa do álbum “Vou Ter Que Me Virar” – Foto: Camila Cornelson

O grupo continua experimentando novas sonoridades e no novo trabalho vemos influências além do Rock. Toques de Punk, elementos eletrônicos e sintetizadores foram encorporando nas onze faixas. Um viagem musical muito rica e empolgante.

A faixa-título, “Vou Ter Que Me Virar”, já chega mostrando a vibe do álbum, Com bastante elementos eletrônicos e os impecáveis falsetes e agudos de Lucas. Uma música sobre superação que é a vida e a luta por si mesmo, para ser um vencedor.

Dessa vez até temos crítica à política atual. “Fudeu!!!” faz uma reflexão sobre o desgoverno do Presidente da República do Brasil e o tanto que este político fudeu nosso país e nossas vidas. Muitos sonhos foram roubados e a cada dia tentamos superar os dilemas que enfrentamos no dia-a-dia. A sonoridade do arranjo é envolvente e tem um que de David Bowie, de décadas de 80 e 90.

Foto: Camila Cornelson

Com bastante sintetizador e um arranjo mais melódico de Rock, “Casa Assombrada” Fala sobre aqueles fantasmas internos que todos nós temos e que temos de enfrentar tendo ou não alguém do nosso lado. Outra faixa que fala sobre superação é a serena “Caminho Não Tem Fim”. Com uma letra bem emocionante, nos inspira em sempre seguir em frente, sem desistir, mesmo que em algum momento, nós nos perguntemos se estamos no caminho certo. Destaque pro final, que chega com uma orquestra de cordas, na parte da letra que é mais intensa.

O novo álbum também tem as participações especialíssimas. O divo pop, Lulu Santos divide os vocais com Lucas em “Já Faz Tanto Tempo”. O rock com a essência da banda e um toque pop a la Lulu. Um tema sobre superar um amor pelo qual não se deu valor.

Foto: Camila Cornelson

Já para “Tell Me Lover”, a música metade em português e metade em inglês, os convidados foram Scarypoolparty e Yvette Young. A linda letra toca nosso coração e fala daquele amor que é tão bom, tão grande, que muitas vezes faz a gente se perguntar se é mesmo merecedor.

Destaque também para “Agora Deixa”, que traz bastante elementos eletrônicos em sua sonoridade e que combinam muito bem com os agudos e falsetes emitidos com perfeição por Lucas. Técnicas vocais que dão uma intensidade a mais na canção. Ouvindo a faixa, confesso que me lembrei bastante, da trilha sonora principal da série Stranger Things. A letra traz muita identificação. Quem é que nunca percebeu que durante a vida, vira e mexe, mudamos de sonhos e desejos? E quem nunca também teve dificuldade de não se prender a ilusões?

O conjunto das 11 canções do álbum, nos faz refletir sobre a vida, os caminhos que seguimos, nossas escolhas, se estamos no caminho certo e como é importante, focar para superar obstáculos e desafios e não ter medo de tentar. Tudo isso são coisas que todos passamos e assim, ao ouvir o conjunto da obra, acabamos nos sentindo mais próximos uns aos outros e também próximos dos integrantes da banda.

O novo disco, reafirma a capacidade da Fresno de inovar e experimentar sonoridades, sem medo de arriscar e de errar, e sem perder sua essência. O mais bacana é que a sonoridade da banda, neste trabalho, é bem harmônica e empolga que está escutando e o melhor, é uma sonoridade nada óbvia e deliciosa.

A banda entregou um de seus melhores álbuns e que com certeza vai conquistar os fãs ainda mais, a cada vez que cada que eles escutarem o disco. O Fresno está de parabéns!

Fresno é formada por Lucas Silveira, Thiago Guerra e Gustavo Mantovani (Vavo).

Foto: Camila Cornelson