Ton Carfi busca conscientização e humanização do próximo, algo muito propício para os tempos atuais, em “Lázaro”.

Ton comenta que se identificou muito com esta música composta por Samuel Messias, porque, além de contar a história bíblica literal da ressurreição de Lázaro pela ação milagrosa de Jesus, ela se encaixa na história atual da humanidade, no contexto do passar “da morte para a vida”, no sentido conotativo, em várias situações. “Pessoas que estão mortas emocional e espiritualmente, mas que foram curadas nas emoções e no espírito, então, reviveram. Pessoas que estão mortas no sentido da esperança, que perderam a fé, não têm mais esperança de nada e se acomodaram, mas que renasceram com um novo olhar, uma nova visão de vida. Outras que estão mortas pelo uso de drogas ilícitas e que, muitas vezes, renascem para uma nova vida. Por isso, eu gosto tanto de fazer ações em casas de recuperação”, declara ele.

O cantor também diz que, por transitar entre estes dois grupos de pessoas, algumas mortas em seus sonhos e esperanças, outras que estão vivas na fé, vivendo seus sonhos, ele entende a necessidade de uma canção como esta. “Uma mensagem para trazer vida àquele que está morto e, consciência para quem que está vivo. Jesus era um homem cheio de compaixão, Ele não abandonava as pessoas ainda que estivessem mortas. Jesus não abandonou Lázaro mesmo depois da sua morte e, mais que isso, Ele lhe deu nova vida!”, explica.

Ton Carfi cita a parábola do Bom Samaritano, contada por Jesus, para falar sobre a necessidade de se importar com o próximo. Ele diz que o sacerdote e o levita não ajudaram o homem à beira do caminho porque pensaram que ele estava morto. “Eles não se aproximaram, não se importaram, antes, passaram de longe, ‘de largo’. Por isso, não ajudaram àquele pobre homem. Contudo, o samaritano, que não tinha nenhum envolvimento com religião, condoeu-se e se aproximou do homem à beira do caminho. Ele viu que ainda havia vida nele e o ajudou (Lucas 10.30-37)”, conta. E ele acrescenta: “Esta música, ‘Lázaro’, veio para conscientizar os que estão vivos nas emoções e no espírito, para olharem para as pessoas e não lhes decretarem o fim, mas ajudá-las para que tenham um recomeço. Foi isso que Jesus nos ensinou”.

A música chega junto a um clipe gravado na comunidade de Paraisópolis, a segunda maior de São Paulo e que completou um século de existência neste ano de 2021. Com atores da própria região, a produção mostra a trajetória de um homem que se perde nas drogas e com muita fé dá a volta por cima.

Gravar um clipe em Paraisópolis foi uma decisão em comum acordo entre Ton Carfi e Ricardo Porpeta, seu produtor, para o roteiro, “justamente por ser um lugar onde grande parte da sociedade acredita ser um lugar de ‘mortos’, de pessoas sem futuro, sem valores. O errado e o certo existem em todo lugar, tanto no bairro nobre quanto na periferia. Gravar o clipe em Paraisópolis foi um meio de mostrar que ali também há muita vida e esperança, pessoas que se esforçam para fazer a coisa certa, que vão à luta para conseguirem um futuro melhor para si e para a família”. 

“A minha oração para você que assiste a este clipe ou que ouve a música ‘Lázaro’, é para que, se você estiver ‘morto’, que esta canção lhe dê nova vida, esperança, fé e força para sair de tantas situações difíceis, de algum vício, talvez das drogas, de amizades erradas. Que ela venha lhe dar força. E, para você que está ‘vivo’, que olhe com mais carinho para aquele que você acha que está ‘morto’. Que trate o seu próximo com mais atenção e compaixão e não lhe atire pedras. Estenda sempre a mão para ajudar e as coisas vão acontecer para você!” (Ton Carfi)