O tão aguardado novo álbum de Alejandro Sanz, já está entre nós. “Sanz” é um trabalho íntimo e que resgata as raízes do cantor espanhol mais amado do Brasil.

Sobre a essência de suas canções e as deste disco, Alejandro ressalta, “A canção é um produto artesanal, o resultado da transformação e manipulação de materiais essenciais, comuns a qualquer partitura. A letra e a melodia são as partículas elementares de qualquer canção. Elas interagem umas com as outras, se irradiando para o ouvinte em um processo intangível, que está ligado à magia. Quem quer que aspire dominar o ofício de compor deve conhecer a natureza dessas partículas. Aprender a combiná-las em uma rigorosa disciplina de tentativa e erro. Assumir a tarefa de um aprendizado sem fim, o desafio que aguarda no próximo verso e na próxima roda de acordes”.

O cantor e compositor há anos escreve belas canções e estudou a fundo sua anatomia, aprofundou sua genealogia, experimentou as múltiplas permutações da somatória de melodia e letra. O novo projeto foi construído a partir desses materiais essenciais, e surpreende por sua consistência e também por seu dinamismo e variedade de registros.

Capa do álbum “Sanz” – Foto: Jaume De Laiguana

São ao todo dez faixas que resgatam a essência do Flamenco que se funde em boa parte com o acústico e o eletrônico, e por arranjos orquestrais ambiciosos. A produção musical é de Alfonso Pérez com Alejandro Sanz e Javier Limón.

O álbum é aberto com a surpreendente “Bio”, com palavras faladas em uma melodia acústica com piano e breves notas de cordas. Uma bela reflexão sobre vida e carreira de Alejandro, que conta suas fadigas, alegrias, ilusões, decepções e superações.

Trazendo um pouco mais de alegria “Yo No Quiero Suerte”, uma música acústica e que vai crescendo em seu arranjo, dando ainda mais intensidade a letra que fala sobre aquele amor que ajuda a gente a superar tudo. Uma faixa que lembra as músicas de início de carreira do artista.

Foto: Jaume De Laiguana

A única participação desse album é do talentoso Paco de Lucía, que gravou sua participação em “La Rosa”, um pouco antes do seu falecimento em 2014. Uma música linda homenagem. A faixa deliciosa e romântica, mistura o Flamengo com a Música Cigana e Salsa, aquecendo nosso sangue latino.

Mais uma canção leve marcada por piano e cordas e que chega para conquistar todos nossos corações, é, uma das melhores do álbum, “Si Yo Quisiera Y Si Tú Pudieras”.A letra nos lembra que nunca é tarde para recomeçar e que podemos cair várias vezes, mas sempre nos levantaremos.

“Mares de Miel”, a favorita de quem vos escreve, é sem dúvida, a mais alegre do álbum. O cantor mais uma vez explora o Flamenco com muita maestria e cativa a todos com o arranjo e também com a letra positiva, É um hino sobre viver a vida com alegria, sempre aproveitando cada momento como se fosse o único e com muito amor.

Foto: Jaume De Laiguana

O Flamengo também está presente e numa forma mais leve, intimista em “Uno Nada Más”. Uma das mais sensíveis canções do projeto que fala sobre amar de forma completa e com muita cumplicidade.

Por falar em sensibilidade, é dessa forma que o álbum se encerra com a emocionante “Y Ya Te Quería”. Poética e uma das mais linda as faixas do álbum, a letra fala de amor, aquele amor puro e leve. O arranjo é lindíssimo e traz bastante cordas de piano, em uma atmosfera intimista e que casa muito bem com o choro na voz de Sanz, que é tão característico dele.

Foto: Jaume De Laiguana

O novo álbum de Alejandro Sanz é uma verdadeira obra de arte e realmente toca os nossos corações. Em cada música percebemos a essência de Alejandro e o amor e sensibilidade que ele coloca em cada verso, cada arranjo, cada canto e cada mensagem.

O projeto é uma verdadeira viagem pela essência pessoal e artística do cantor, com algumas faixas que lembra bem o início de carreira dele. Um disco que traz muita latinidade e orgulho às origens. Sensível e visceral, um lindo presente de fim de ano para todo fã de Alejandro Sanz.