A cantora Day recebeu os fãs pra noite de autógrafos de seu primeiro livro “Esta Não É Apenas Uma Carta De Amor” em São Paulo.

O Portal Me Gusta teve a felicidade de cobrir este momento e poder entrevistar a cantora antes dela começar autografar os livros. Ela contou algumas curiosidades sobre o processo de escrita, repercussão e se há vontade de escrever outro livro.

Antes de fazer a primeira pergunta, comentei com ela que estava gostando muito do livro e que os dois primeiros capítulos, após ler, me fizeram ficar pensando sobre o que ela tinha dito por alguns minutos. E ela revelou sobre esses capítulos, “São muito intensos. Não conseguia ler eles inteiros, tipo, quando eu fui ler, tive que parar pra respirar, meu Deus!”.

Foto: André Rossanez

Saiba a seguir tudo que Day contou na íntegra:

Me Gusta: Como surgiu a ideia de fazer o livro?

Day: Em algum lugar na minha cabeça, na minha memória afetiva, eu lembrava que já tinha começado a escrever algumas histórias quando eu era adolescente. Eu tinha essa mania de escrever fanfics, pegar histórias que já existiam e eu mudava e colocava do meu jeito e dava o meu toque para as histórias. Sempre tive mania e essa facilidade de contar histórias de um modo geral. Só que isso estava meio adormecido dentro de mim e tudo mais. Então quando eu estava no processo de criar o meu álbum “Bem Vindo Ao Clube” eu percebi que a história era muito interessante, mas que não era o suficiente aquelas músicas pra contar e eu precisava ir mais fundo e tinha-a necessidade de fazer alguma coisa com o meu primeiro álbum, que fosse disruptiva, que fosse uma coisa que eu não via ou não costumava ver as pessoas fazendo. Não costumo ver as pessoas laçando álbuns em 2022 com histórias de começo meio e fim e falei “mano, isso até já vi, mas será que alguém já lançou um livro?”. Já vi gente lançando filme, série, curta, mas livro eu nunca tinha visto. Então optei pelo mais disruptivo, revolucionário e que mais proporcionasse uma experiência em que as pessoas poderiam ir além, do que simplesmente parar pra ouvir um álbum, e uma forma de eternizar ele um pouco mais, nesse mundo em que as coisas acontecem tão rápido.

Me Gusta: Ao compor uma música existe um processo criativo. Com o livro isso também aconteceu?

Day: Foi diferente, porque tenho costume de escrever música, sou compositora. Então, precisei de ter ajuda pra entender esse formato e que as vezes precisava fazer um pouco mais de sentido, e que as histórias precisavão se conectar mais e precisava um pouco mais de referências e vocabulário. Então, foi uma viagem fazer esse livro, mas foi uma viagem que foi compartilhada e por isso que não foi tão difícil e impossível, quanto no começo eu achei. Eu não sabia nem como começar, como editar e de repente, veio a editora, a Fato, e abraçou o projeto. É muito massa estar realizando esse sonho.

Foto: André Rossanez

Me Gusta: Atualmente é raro o lançamento de um álbum físico. Como é pra você poder lançar este livro em formato físico e ter um lançamento palpável?

Day: Gosto dessa coisa de ser palpável, poder ser tocado e ser real, especialmente ter isso nesse mundo onde isso tem faltado um pouco, então pra mim de certa forma é massa. Queria muito ter um disco físico também, mas aí já é verba, já é foda. A gente foca no nosso marketing digital e aí fica sem dinheiro para fazer um disco físico, mas é uma vontade que eu tenho.

Me Gusta: Você já recebeu de alguém, algum feedback do livro que tenha te marcado?

Day: Tem uma galera que está postando alguns trechos do livro e falando como isso tem afetado elas. Hoje recebi a mensagem de uma psicóloga, que é mais velha que eu até, falando da minha influência nas pessoas mais novas e como isso é importante e que é muito massa a forma como eu estou abordando os assuntos que os jovens passam, dando um jeito até de colocar Deus no meio do rolê, e que isso é muito doido, muita rebeldia, mas que é de certa forma como uma coisa que as pessoas precisavam ler, ao contar minha história de uma maneira que as pessoas se identificam.

Me Gusta: Durante a escrita do livro, você chegou a mostrar algo pra alguém ou deixou guardado à sete chaves?

Day: Até mostrava pra minha namorada, mas era uma coisa muito minha ainda. Então eu ficava o tempo todo trocando com a Alessandra, que foi a pessoa que colaborou comigo, então era a pessoa com quem eu trocava, fazia reuniões de horas e trocava textos por horas pra entender exatamente o que precisava falar, contar. Foi a pessoa com quem mais compartilhei, mas pra outras pessoas assim, eu tinha medo de mostrar e dar errado, era aquela coisa de “quando der certo, as pessoas vão saber que deu certo”. Essa foi a minha tratativa com o livro.

Foto: André Rossanez

Me Gusta: Você tem vontade de escrever outro livro?

Day: Acho que uma hora pode ser que venha, depois que saiu o primeiro pode ser que venha mais. Agora não. Agora tô focada em viver coisas novas, novas experiências pra ter outras histórias para contar, porque isso aqui é como se fosse a história de quase 20 anos. Tenho 26, então sou ainda um bebê e estou vivendo um monte de coisas e acho que vou contar sobre essas coisas nas minhas músicas e quem sabe, pode vir um livro mais pra frente.

Me Gusta: Enquanto estava escrevendo, você teve algum momento em que foi mais difícil de escrever e na hora de pensar algum tópico?

Day: Era muito difícil ter as analogias perfeitas e as referências perfeitas e eu acho que os capítulos mais difíceis de escrever, foram os finais que talvez foram os mais honestos, no sentido de serem menos romantizados. Então foi dolorido dar nome às palavras e colocar os pingos nos is. Como experiência pessoal, do ponto de vista emocional, foi o mais carregado.