Celebrando seus 80 anos, Gilberto Gil anuncia o álbum compilado “Duetos 2”.

A coletânea de hits que será lançada em 22 de Julho, pela Warner Music (um dos primeiros contratados da gravadora quando ela se instalou no Brasil), foi idealizada e produzida pelo jornalista e pesquisador Renato Vieira e resgata canções que o cantor e compositor registrou em discos de amigos e projetos especiais. Algumas delas se perderam no tempo e chegam pela primeira vez ao CD e às plataformas digitais.

Uma delas é “Ilha da Ilusão”, que Gil compôs para Pery Ribeiro. Antes de gravarem a faixa juntos, os dois se encontraram casualmente e Pery sondou a possibilidade de ter uma música inédita do colega no disco independente que estava planejando. Tempos depois, Gil viu pela televisão o filho de Herivelto Martins e Dalva de Oliveira desfilando no carnaval carioca pela escola de samba União da Ilha do Governador, se impressionou e fez o samba.

Outra raridade presente no repertório é uma versão de “Eu Só Quero Um Xodó”, gravada ao lado de Anastácia, letrista da música, para um disco lançado apenas em vinil que comemorava os 30 anos de carreira dela. Com Dominguinhos, parceiro de Anastácia neste clássico, Gil teve uma ligação ainda mais sólida. Os dois fizeram e foram para o estúdio registrar o sucesso “Abri a Porta”, que ocupa o honroso espaço de primeira faixa de “Duetos 2”.

Não poderiam ficar de fora da compilação encontros de Gil com artistas que conheceu quando ainda dava seus primeiros passos como profissional, em Salvador. No caso do Quarteto em Cy, bem antes disso. Para as irmãs, Gil era o garoto Beto, que tocava acordeom e as acompanhava ainda adolescentes em pequenos shows na cidade de Ibirataia, no interior da Bahia. Em 1994, o grupo vocal convidou o velho amigo para participar de uma releitura de “Tempo Rei” no álbum “Tempo e Artista”.

Capa do álbum “Duetos 2”

Maria Bethânia, a primeira integrante do chamado “Grupo Baiano” a se profissionalizar, recebeu de presente de Gil o samba-canção “Se Eu Morresse de Saudade” para incluir no disco Maricotinha (2001). Os dois interpretaram juntos a música no show que comemorou os 35 anos de carreira da cantora. Já Gal Costa participou de Vida, incluída em um álbum do grupo Obina Shok.

Logo que chegou a São Paulo, ainda como funcionário da Gessy Lever, Gil se destacou como compositor. Dois exemplares dessa fase estão presentes nesta compilação: “Amor Até o Fim”, gravada com Maria Rita (filha de Elis Regina, a primeira a registrar esse samba), e “Mancada”, um dueto com Beth Carvalho. Nessa mesma época, Gil abriu sua cabeça para os Beatles e conheceu Milton Nascimento. Décadas depois, os dois cantaram a pacifista “Imagine” em um tributo a John Lennon.

Nos ambientes efervescentes dos festivais de música e da cena cultural do Rio e de São Paulo, Gil teve os primeiros contatos com vários contemporâneos que futuramente lhe convidariam para álbuns de duetos. O primeiro deles foi Erasmo Carlos, que teve a ideia de chamar o amigo e sua banda para uma releitura do samba-rock “Mané João”. Francis Hime deu a ele uma música para letrar e daí nasceu “Um Carro de Boi Dourado”, gravada por ambos. Já “Monsieur Binot”, uma das canções mais conhecidas de Joyce Moreno, é uma homenagem a Vitor Binot, professor de ioga dela e de Gil. Portanto, nada mais natural do que uma reunião dos dois para interpretá-la.

No festival da TV Record de 1967, Gil se destacou com “Domingo no Parque”. Mas naquele mesmo evento uma belíssima música de Johnny Alf passou despercebida e sequer chegou à final: “Eu e a Brisa”. O tempo faria dela um clássico e Alf, um dos pioneiros da bossa nova, fez um dueto com o colega 33 anos depois. Já “Meu Coração”, parceria de Gil e Pepeu Gomes, fez sucesso radiofônico logo que saiu e “Duetos 2”traz uma releitura da canção interpretada pelos dois autores.

Fecham a compilação duas faixas registradas no início dos anos 1980: “Marcha da Tietagem”, que marcou o encontro do cantor e compositor com o trio elétrico de Dodô e Osmar e As Frenéticas, e “A Força Secreta Daquela Alegria”. Esta canção, que originalmente tinha o título de “Samba da Roseira”, foi gravada a convite do parceiro musical e amigo Jorge Mautner, de quem Gil se aproximou durante o exílio em Londres após ser preso pela Ditadura Militar.

A obra de Gil, no entanto, sempre foi livre e jamais se prendeu a fórmulas. Como disse Torquato Neto na contracapa de “Louvação” (1967), primeiro disco do artista, “há várias maneiras de se cantar e fazer música brasileira: Gilberto Gil prefere todas”. É o que se vê em Duetos 2.

A pré-save já está disponível em https://fpt.fm/app/34119/duetos-comemoracao-80-anos.