Coletiva – Michele Andrade

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Nesta Quarta (20), Michele Andrade reuniu a Imprensa de modo Online para uma Coletiva sobre o novo audiovisual “Michele No Sertão Das Maravilhas”, onde ela contou detalhes sobre o projeto, os  bastidores da gravação na Paraíba, participações especiais e o novo momento da carreira. O Portal Me Gusta teve a felicidade de participar deste momento tão importante pra Michele.

Muito simpática e emocionada, a cantora atendeu aos jornalistas e antes das perguntas aproveitou pra deixar um recado a todos. “Ah, eu só queria dizer que é uma honra estar aqui batendo esse papo com vocês, gente, falando de um projeto tão importante para mim, se não o mais importante até hoje, né? Desde o comecinho da minha carreira, como o Júnior falou, eu já passei por várias vertentes do forró, e eu acredito que o Nordeste é isso, né? O Nordeste é pluralidade. Eu acho que o Nordeste, ele é rico em arte, em cultura, dá para a gente realmente fazer isso, passear, fazer o que eu fiz ao longo dos anos, e é por isso que o projeto é inspirado em Alice no País das Maravilhas, né? Eu me vejo… Muito naquela menina imparável, criativa, lúdica, sonhadora”, disse ela.

A baixo confira o que Michele Andrade nos revelou, nesse bate papo tão incrível e inspirador:

Sertão Das Maravilhas:

O novo projeto que mistura Forró, referências lúdicas e diferentes sonoridades, vai além do audiovisual tradicional, Segundo Michele “A gente já tinha em mente fazer essa mistura de Michelle ao longo dos anos em um projeto. E aí, eu não vou mentir para você, essa ideia surgiu no dia que eu estava fazendo uma viagem. Era uma viagem… Inspiradora, né? Eu tava indo pra Disney, que é um sonho pra mim, né? Sempre foi um sonho muito grande. E aí, eu coloquei a Alice pra rever. Eu sempre revejo a Alice todo ano. Quando eu comecei a assistir a Alice, eu falei, gente… Eu sou ela, a Alice sou eu. Ela é imparável, sabe? Ela sonha demais. E aquele mundo lúdico pra ela é normal. Ela acha super normal. Então isso sou eu. Fui eu ao longo dos anos”. E ela completa, “E essa inspiração de Alice no País das Maravilhas se juntou ao sonho de gravar um projeto mostrando faces da Michelle. Eu também tenho um projeto chamado ‘Faces’, ele foi basicamente o novo ‘Faces’. Essas várias facetas, eu gosto muito de cantar, mas também gosto muito de dançar. Eu também gosto muito de atuar no palco, tem muita atuação, muito storytelling durante o meu show. Então a gente juntou isso tudo, né? E essa vontade de mostrar o Nordeste desse jeito foi para o papel e aí a gente gravou”.

Michelle, você faz maravilhas. Maravilha, obrigado, Michelle. Lembrando que está sendo gravado, tudo sendo gravado e vai ser enviado para vocês também. Não esqueci esse… Esse detalhe. Mas a gente já tem aqui então a segunda pergunta é do André do Senapop. O sertão aparece como protagonista do novo projeto, tanto na estética quanto na narrativa. Sobre a missão de representar a cultura nordestina, a artista revelou “Eu quis mostrar o sertão da forma maravilhosa que ele é, né? Geralmente, quando as pessoas vão falar do Nordeste, eles mostram apenas o Sertão, apesar do nosso Nordeste ter praia, ter, sabe, vários ambientes, ter frio, ter calor, ter serra. Mas a galera, quando se refere ao Nordeste, usa muito o Sertão como referência. Então eu quis falar do Nordeste da forma certa. O Sertão é lindo, o Sertão é rico, o Sertão é farto, principalmente na época do São João, que esse projeto foi um projeto feito para o São João. Nosso São João é fartura, não é do jeito que é mostrado, não é do jeito que muitas pessoas mostraram. Eu quis mostrar ele sem preconceito, porque não precisa mostrar daquela forma, de que o Sertão é seca, que é tudo vermelho, que é tudo laranja. Não! O Sertão, quando chove, a gente faz festa, sabe? Fica tudo verde, fica tudo lindo. Na época junina aqui, é fartura de coisa de milho, de canjica, de pamonha, é comida demais. Então, eu quis mostrar isso dentro desse projeto de forma lúdica. A beleza da nossa vegetação, sabe? Se você for assistir o DVD, a gente deixou os cactos bem verdes mesmo, do jeito que é. Quando a gente entra no sertão na época junina, nesse período que eu gravei agora, a gente gravou, inclusive, numa cidade do Sertão, referência, que é no alto sertão da Paraíba, Cajazeiras, famosa por faculdades, pelas maiores notas, no Enem… Então, eu quis trazer isso, eu quis trazer a referência que o Sertão merece ter, que merece ser mostrado para o Brasil inteiro, que o sertão é lindo, é maravilhoso”.

Segundo ela também, “Inicialmente, a ideia da Cuscuzeira Gigante ali no palco era uma ideia de portal. Sabe? Onde eu entrasse no portal e saísse no meu mundo, que é um mundo lúdico, um mundo onde eu me sinto livre, é um mundo onde eu me sentisse na casa de maínha pequenininha, quando maínha fazia um cuscuszinho pra mim, e eu pegava o controle pra imitar Samia, pra imitar Joelma, para imitar Calcinha Preta, sabe? Então a ideia inicial do portal era esse. Eu falei, ‘gente, eu quero um portal que quando eu saio eu me sinta à vontade, eu me sinta eu, sabe? Eu me sinta livre, eu me sinta num lugar que eu me sinta confortável fazendo o que eu amo’. E aí, logo depois, eu falei, ‘E se for um Cuscuzeira Gigante?’ Todo mundo me chamou de doida, né? A minha equipe, ‘Uma Cuscuzeira Gigante?’ e eu falei, “Sim, gente, porque é um mundo lúdico, é um mundo inspirado na Alice, então se é lúdico’. A Alice não cresce no filme, porque eu não posso ter um Cuscuzeira Gigante?” Aí todo mundo: “Caramba, Michelle, mas pensando bem…” “Boa ideia!” E aí eu lembro que quando… Na passagem geral, eu estava de costas, não tinha visto ainda, ninguém tinha mostrado nada. Eu estava de costas, passando com a turma, eles começaram a encher e gravando, sabe? E aí, quando eu virei, que eu vi, eu falei, gente, deu certo, vocês fizeram, eu não acredito. Sabe, estava lindo lá, a Cuscuzeira, com um portal gigante, acho que tem uns 4 metros a Cuscuzeira por aí, mais ou menos”.

E ela completa, “Michelle No Sertão Das Maravilhas é diferente de tudo que eu já lancei. Acho que a conexão do tema, da escolha do tema, que se conecta com as músicas, que se conecta com o lugar que eu gravei, que é realmente no Alto Sertão da Paraíba, e essa sintonia, tudo isso torna esse projeto diferente de todos os outros. Todos os outros eu não tive a chance, a oportunidade de fazer e tudo se conectar. Eu não tinha tempo, eu não tinha investimento, eu não tinha equipe. Quando a gente está numa fase melhor da nossa vida, a gente consegue realizar, sabe, as coisas do jeito que a gente pensa. E isso se torna diferente de todos os outros, porque quando eu pensei em gravar, quando eu pensei no tema, eu pude gravar. No Sertão, porque eu já tinha público. Nos outros, eu não estava na fase que eu estou agora, sabe? Como é que eu ia juntar aquela multidão? As pessoas não me conheciam nos outros projetos. Então, os outros são maravilhosos, são incríveis, mas nesse, quando eu pensei em gravar com o público, eu podia gravar  e eu tava na fase certa. E antes, eu não podia fazer um projeto no Sertão da Paraíba. Como eu ia eu ia colocar ali, a carroça na frente dos bois? Nesse eu não precisei colocar, porque eu realmente tô caminhando de acordo com os meus passos, sabe? Todos os anos a gente faz assim, a gente dá os passos curtos, porém muito firmes. Isso faz a gente crescer muito, evoluir muito. Então esse tem algo muito especial e diferente de todos os outros, porque a gente sente a energia. Quando a gente escuta os áudios desse DVD, a gente escuta a voz da galera cantando em todas as músicas”.

Michele durante a Coletiva de Imprensa Online

Participações Especiais:

O novo DVD trás a participação de diversos artistas. Segundo Michele, “No meu caso, sempre que vou escolher uma participação, não é escolha por escolha. Tem gente que escolhe muito por engajamento, tem gente que escolhe muito, sei lá, por algum outro motivo, o meu, são escolhas que realmente combinam com a música, que conectam. Eu não poderia gravar, por exemplo, ‘Xamê’ e ‘Guxavé’ sem chamar a Samia. Tipo assim, eu não me via cantando essa música sem ela, sabe? E aí a ideia foi muito legal ali da nova geração versus anos 2000, que é uma música de 2002. Calcinha Preta, eu vejo que eu e a Paulinha, a gente tinha um bom relacionamento. Ela torcia muito por mim sempre que a gente se encontrava e eu tava no comecinho e eu admirava muito ela porque não é normal do mercado você olhar para uma pessoa com uma admiração e torcer sem aquela pessoa ter nenhum resultado ainda. Não é comum e a Paulinha me via assim como se eu já tivesse crescido E aí, quando me veio a ideia de gravar com a Calcinha Preta, eu falei, ‘Gente, eu quero o Marlos da Calcinha’, porque a Calcinha Preta tem vários vocalistas maravilhosos. As meninas também são maravilhosas, além dos caras. E eu falei, ‘Não, eu quero gravar com o Marlos, porque eu quero cantar uma música da Paulinha como homenagem’. Porque a gente tinha um bom relacionamento, se dava super bem. E geralmente as pessoas não cantam muito, né? Tipo, não regravam as músicas dela. Eu fui até um pouco corajosa porque eu vi que surgiram algumas comparações., ‘Ah, sou mais a Paulinha’ nos comentários. ‘Ah, mas eu prefiro a música com a Paulinha’. E de forma alguma a gente nunca competiu, nem vai competir. A Paulinha realmente é única. Ela é referência, eu tenho ela como referência, foi uma honra. E foi assim que eu escolhi a participação da Calcinha e do Marlos”.

E a estrela completou, “E as outras participações também. Tipo assim, todas a gente conectou, todas têm uma conexão ali. Não foi por nada. O Mani Vaqueira eu não preciso nem falar, né, gente? A gente já tem uma relação. E toda música que a gente grava, todo mundo fica assim, não, vocês têm que gravar um feat todo ano, porque combina muito quando a gente se junta pra gravar aquela resenha toda, né? A galera criou uma fanfic aí que a gente alimentou também por um tempo. E aí foi muito legal poder voltar a gravar Com o Maninho, com o Japãozinho também, que foi a história do vestido, porque aquilo ali foi sem querer. Pra você ver, eu sempre escolho a participação que vai conectar. O Japãozinho, porque combinava com a música. A voz dele combinava com aquela música. Eu falei, ‘Caramba, nessa música aqui, aquela voz do Japãozinho cantando assim com aquele sotaque, sabe da Paraíba de Campina Grande vai combinar’. E aí quando ele chegou rolou aquela história dele porque tu bota o vestido aí eu postei e tô né virá-la isso a galera querendo me ver vestido todo mundo sabe que eu odeio usar vestido isso é real e aí a galera querendo me ver de vestido eu coloquei um vestido para gravar no clipe então tudo ali conectou muito sabe com muita naturalidade. Eu queria fazer um adendo aqui, porque eu acho que dentro dessas participações a gente tem até uma cronologia, que são pessoas que fizeram muito sucesso nos anos 2000 e pessoas também da nova geração, A Samia Maia, que inclusive o clipe já está liberado, já bateu aí acho que um milhão de visualizações. Por muitos aqui existe uma coisa mais popular, chamam ela de Britney do Forró, porque dentro da música em que ela performou junto com a Michele, criou-se essa cultura da cantora de Forró também dançar. Então eles trouxeram nessa releitura essas duas visões de mundo, de 2004 e de 2026. E isso é maravilhoso, porque… Muitas pessoas vão passar a conhecer essa obra a partir da gravação da Michele”.

Ainda segundo ela, “Se a gente considerar que você tem nos anos 2000, a nova geração, e a Michele está exatamente no meio, porque a Michele pegou ali as últimas fatias de um comportamento de uma geração que consumiu o Forró, os ritmos nordestinos de uma forma, e entrou também nessa imersão com o digital. Então, é um adendo que eu queria fazer. Até comento com a minha equipe, com a Larissa, que é minha sócia, eu falo, ‘caramba, parando para analisar, assim, eu sou das duas gerações, que coisa interessante’. Então, para mim, é muito especial quando eu pego, por exemplo, um raiz, Saia Rodada, que eu vivi a fase do Raí, do Raí da Saia Rodada, do Saia Elétrica, e chamei ele para cantar no meu DVD, então fica ali eu no meio das duas. A gente inclusive gravou uma música que é mainstream, ela pode ser considerada mainstream, é uma música de dancinha, de passinho, sendo que no Forrozão, tem que ter a cara do Raí, tem que ter Forró, é um projeto para o Nordeste, para o São João, então a gente acaba no projeto inteiro, misturando esses dois mundos”.

Representatividade:

Sobre sentir que estava cantando, não apenas como artista, mas como mulher nordestina e representante de uma história que muitas vezes precisou ser forte antes mesmo de ser ouvida, Michele revelou, ?”No final de toda a gravação, eu caí ali no choro, porque entrando um pouquinho nessa pauta sobre ser mulher, sobre representar mulher forte, nordestina, é bem complexo, sabe? É difícil ser mulher e estar à frente de um projeto e ser a própria líder da sua equipe por tantos anos. Então, assim, a gente trabalhou demais, não só para esse projeto, mas até aqui. Se é difícil ser mulher no Brasil, imagina numa música onde a maioria são homens que dominam ali. Então, para mim, como mulher, representando assim, poder gravar um projeto grandioso como esse, porque foi grandioso, graças a Deus, quando eu cheguei ali, que eu vi toda a estrutura, eu vi as participações que a gente conseguiu levar e todo mundo ter topado, a consideração de todo mundo, o carinho de todo mundo em poder estar ali. Exemplo,  o Marlos foi junto com o empresário da Calcinha, chegou com uma galera lá, e eles passaram 24 horas de aeroporto em aeroporto para chegar lá. A logística era totalmente inviável para chegar lá, não tinha como. E aí a gente avisou dias antes, ‘gente, é melhor cancelar a participação de vocês, vai ser muito cansativo, eu não quero explorar’. E eles, ‘não, a gente vai de todo jeito’. Então, para mim, me sinto muito honrada ter conseguido esse feito, sabe? Porque às vezes a gente se diminui muito. Eu sou tão acostumada a lidar… Com um meio em que a maioria são homens no meu meio, que às vezes a gente se diminui, né? Não, mas não vai.  A gente vai se diminuindo. E no final eu olhei assim, e ‘caramba, eu e minha sócia, a Larissa, somos as duas únicas líderes do projeto’. De mulheres, só somos duas. Então, quando você fala nesse assunto assim, como é pra você representar? Eu me sinto realmente muito honrada e eu espero que mais mulheres do meu meio, sabe, tenham coragem mesmo de ir pra cima, porque vocês conseguem, sim, aí é realizar todos os projetos. E eu consegui, com muito trabalho, E é muito bom poder ter a admiração das pessoas, o carinho, o respeito, não só das pessoas que acompanham e que consomem minhas músicas e meus vídeos, mas de equipe mesmo, de trabalho. Estava todo mundo ali dando o seu melhor para fazer acontecer. Eu fico até emocionada falando sobre isso, sobre esse assunto, mas eu me sinto muito honrada”.

Foto: Divulgação / Instagram (@micheleandrade)

Entrando pra história:

A cantora foi  questionada, se em algum momento nos bastidores pensou que o projeto ficaria pra história. Para ela, “Pensei sim, com certeza. Principalmente pela comoção da região, né? Dois dias antes do anúncio, eu não acreditava no que me falaram, porque a gente anunciou esse projeto. E inicialmente ele era menor, era na pracinha da igreja de Cajazeiras, do tamanho que eu visualizava. Eu falava, ‘não, assim tá bom’, a equipe foi lá, fez a pré. Quando a gente anunciou que anunciou o local, a prefeita ligou doida, e o secretário, e o pessoal nos comentários, ‘não vai caber, não vai caber’. E eu não tinha noção de nada, nem eu e nem minha equipe. A gente nunca tem noção, assim, do nosso tamanho. A gente caminha com os pés no chão ali, né? Por mais que eu tenha muitos seguidores na rede social, a gente faz tudo com muito pés no chão, porque é uma coisa, acredito, que não tem nada a ver com a outra. A gente está falando de um trabalho na rua, diferente de rede social. E aí a gente teve que mudar de local, em cima da hora, a gente teve que mudar toda a estrutura que estava vindo de fora. Aquela cuscuzera, aquele material, muita coisa ali artesanal. Então se a gente aumenta a estrutura, a equipe vai ter que fazer crochê, pra aumentar, porque tinha muita coisa de crochê, tapete de crochê, os balões eram de crochê, muita coisa manual, acho que 90% do cenário ali foi todo feito artesanal. A gente teve que mudar de local porque eu não tinha noção do tamanho e da repercussão que teria eu anunciando um DVD no sertão da Paraíba. Assim, a gente não tinha dimensão. E aí a gente teve que mudar pra um local muito maior, E lotou, lotou, tinha um telão de rebatedor pra galera poder assistir. E no dia da gravação eu me emocionei muito, toda hora, enquanto eu tava me arrumando, porque chegava as pessoas falando no meu quarto, entrava uma, entrava outra, aquela agonia de DVD e falava ‘Tá lotado, seis da noite, tá lotada a praça, tu não vai acreditar quando tu subir, tá lotado’. E eu fiquei muito, muito emocionada e arrepiada da cabeça aos pés o tempo inteiro, porque eu não esperava, sabe? Tamanha repercussão assim. Eu não esperava que ia comover tanto o Alto Sertão da Paraíba. E sempre que eu toco nesse assunto eu fico muito emocionada”.

O que o audiovisual representa na carreira de Michele:

Segundo Michele, “Michele No Sertão Das Maravilhas é o projeto mais lindo de toda a minha carreira. Todos são muito lindos, mas esse é lindo pela sua representação. Quando a gente fala de Nordeste, a gente escuta muito por aí falar, né? ‘Ah, Paraíba!’, então eu quis trazer uma Paraíba do jeito que a Paraíba é. Eu quis representar do jeito que ela é, sabe? Eu fiz um 360 graus ali de maravilhas do sertão da Paraíba. A Paraíba é rica de cultura, de beleza. Inclusive, a galera fala que quando vai falar de Sertão, Sertão é muito seca e tal. Essa cidade que eu estava gravando, tem uma açude que é a coisa mais linda do mundo, que é o ponto turístico. Eu ouvi dizer que esse ponto turístico de Cajazeiras ganhou até premiações nacionais, é um grande açude, é a coisa mais linda do mundo. Parece uma praia, mas é um açude, é um rio. Então, eu falei, ‘não, gente, se for o Michele no Sertão das Maravilhas, eu quero fazer um Sertão do jeito que é para ser’. É verde, é lindo, é do jeito que a gente vive aqui, não é do jeito que é representado. Então, em sua representação, esse projeto é o meu projeto mais lindo”.

Foto: Divulgação / Instagram (@micheleandrade)

Cão Caja:

Um momento inusitado ocorreu  o show. Durante a gravação, um cachorro subiu no palco e no final, foi adotado pela cantora, que hoje vive feliz com ele em casa. Michele contou sobre esse momento e sua relação com o cãozinho. Segundo ela, “Ah, o Cajazinho foi um acontecimento nesse DVD, né? Porque me falaram, e eu fiquei sabendo, que ele sobe nos palcos lá da cidade, subia, né? Porque ele agora tá comigo. Ele subia todo o show, e inclusive eu recebi vários vídeos, e tipo assim, de todos os artistas, ele subia. E ele morava em outro bairro na rua, e ele ia até essa avenida, onde tem as festas e ele subia no show de todo mundo. Ttem vários vídeos, altos vídeos, com a galera gritando, com as mãos pra cima, e o cachorro no palco, aquela resenha, né, do jeitinho nordestino de ser que a gente ama. Aí quando foi na minha vez, ele teve a sorte grande, porque eu realmente tenho muitos animais em casa, tenho um animal adotado, tenho muitos cachorros, E aí ele tentou subir várias vezes, eu não tava sabendo, ninguém me avisou. Como era gravação de DVD, a minha equipe tava tirando ele toda hora. Meu motorista tirou, assessor tirou, segurança tirou, equipe técnica tirou. E ele tentou subir várias vezes, eu não tava sabendo. No final eu tava me despedindo na última música, que foi na música que minha família tava comigo no palco. Ele acertou o momento, cara, porque eu já tava chorando, eu já tava ali muito emocionada. E aí misturou com aquilo, um animal abandonado, de rua, que eu não posso ver, que eu sempre ajudo, e coloco comida, e a gente anda inclusive com ração para alimentar os cachorrinhos. E aí, quando ele subiu, que eu virei de costas, lá veio o Cajá, que até então não tinha nome, né? Cajá é porque é de Cajazeiras. Na hora me veio a ideia, e eu perguntei, ‘tem dono, o cachorro?’. A galera começou a gritar, ‘tem não!’, porque ele já é bem conhecido lá, eu não sabia. ‘Tem não, tem não!’. Aí eu, ‘meu Deus, tá bem maguinho, não deve ter mesmo não. Vou levar, e o nome dele vai ser Cajazeiras’. E aí eu trouxe pra casa, inclusive tô indo encontrar ele agora, Ele está no treinamento, está sendo adestrado para conviver em harmonia lá no condomínio com os outros cachorros, com os seres humanos. E Cajá é o amor da minha vida, né? Ele é um cachorro carinhoso. Inclusive, eu aproveito aqui, estou tendo essa abertura para falar sobre ele. Eu aproveito para pedir que adote, adote. E eu acertei na adoção, porque o cachorrinho preto, eu fiquei sabendo, é o último a ser adotado, né, quando tem campanhas de adoção, até cachorro que vende mesmo, de canil, eles são os últimos a serem comprados. Às vezes a galera nem quer, nem compra, eles doam. Então, assim, se você tiver a oportunidade de fazer a adoção, adote, ele é o amor da minha vida, Cajá”.

Estar fora do padrão da indústria musical:

Sobre ter percebido que não precisava mais se encaixar nos padrões da indústria para conquistar o seu espaço, Michele contou, “Já tem uns três anos que eu percebi que não precisava mais me encaixar nos padrões da indústria. Eu acho que o nosso meio, eu comecei a entender que tinha espaço para todo mundo, quando eu comecei a ser eu. Comecei a colocar minha personalidade em tudo, comecei a me sentir à vontade. Eu sempre participei de projetos onde eu precisava me encaixar. Exemplo, Limão com Mel, foi uma grande escola, eu tive uma oportunidade de ouro ali. Naquela época de ser vista, eu tive palco, mas eu precisei me encaixar em uma estrutura, em um projeto onde já tinha a sua história. Então, eu não era Michelle, eu era Limão com Mel. E em vários momentos, eu lembro que na Limão eu até tentei ser Michelle ali, e eu acabei atrapalhando um pouco, desrespeitando a história da banda, porque eu não posso mudar algo que já existe. E quando eu tive esse entendimento, eu criei a coragem de sair e tentar seguir o meu caminho. Sofri muito na época, sabe? Antes de tudo acontecer. Ralei demais. Eu tentei fazer várias coisas. Passei por várias vertentes ali. Até eu dizer ‘peraí, eu ainda não estou sendo eu, não’. Eu não tinha coragem. Porque na minha cabeça eu achei que eu ia decepcionar as pessoas que me seguiam nessa época, sabe? Achei que eu ia decepcionar se eu fosse eu. Mas não é sobre isso, sabe? É sobre você se sentir bem, ser feliz, fazendo o que gosta e ao mesmo tempo entregando tudo. Tem que unir tudo, né? A música é o meu trabalho, meu principal meio de sustento. E aí, quando eu comecei a ser eu, as coisas começaram a dar certo. O universo começou a conspirar ali. Parece que as pessoas sentem quando você está sendo você. Eu não sei explicar. Então, quando eu comecei a ser eu, as pessoas começaram a entender. Aí, junto a isso, veio muito hate na época. Que a galera que me acompanha das antigas viu. Não, mas não tem nada a ver. E eu continuei. Eu sustentei, segurei firme. Hoje, graças a Deus, estou vivendo um momento muito feliz, muito importante, assim, na minha carreira. Estou conseguindo realizar todos os projetos, como o ‘Michele No Sertão Das Maravilhas’, como o ‘Forrózinho’. Isso é graças a Michele, que teve coragem de não precisar se encaixar. Eu só preciso ser eu. Essa sou eu. Essa que as pessoas assistem sou eu”.

Foto: Divulgação / Instagram (@micheleandrade)

Papel Na Nova Geração:

Perguntaram a Michele, como ela enxerga o seu papel dentro da nova geração do Forró, uma geração que traz novas referências sem abandonar a tradição. Para ela, “O Forró tem várias vertentes, né, e ele caminha ao longo dos anos. Eu acredito que tem vários responsáveis pela nova geração do Forró, né, eu não vou levar, não vou carregar esse mérito aí. Eu sou mais uma, mas eu sou muito feliz em fazer parte dessa nova geração, em continuar dando voz e história, ao Forró do meu jeito, sabe? De um jeito que sou eu. Cada um tem o seu estilo, então eu também tenho o meu, mas tem outros nomes que continuam elevando o Forró e dando continuidade a essa história tão linda, O Forró, tem gente que fala assim, ah, o Forró tá evoluindo. Acho que não, acho que o Forró já é evoluído, desde lá atrás, sabe? O Forró é gigante, sempre foi, ele já é evoluído. Eu acho que cada um tem o seu estilo. Eu tenho o meu, o João Gomes, com toda a maestria, tá fazendo um trabalho impecável. O Henry Freitas, o Leo Foguete. Acho que fazer parte dessa geração é uma grande honra pra mim, é de uma alegria imensurável. Com esse meu estilo, com esse meu jeito de ser, a gente vem trazendo aí uma massa, um grande público que a galera chama de geração Z, né? Eu tô entre as duas gerações. A galera inventou esse termo agora e não sei onde eu me encaixo, mas na nova geração”.

Liberdade Musical:

A cantora mostra muita versatilidade ao revisitar clássicos românticos e em trazer referências que fogem do Forró tradicional, mas sem perder a identidade nordestina. Sobre isso. Michele contou “Acho que eu acabei criando uma identidade que todo mundo entendeu, né? E eu gosto desse termo, liberdade musical. Porque cada single, cada projeto vem com uma sonoridade diferente e as pessoas entendem, sabem que sou eu que estou fazendo e que está tudo bem, que a Michelle é assim, sabe? Então eu fico muito feliz porque eu gosto realmente de não me encaixar. Eu pertenço a um lugar, eu nasci no Nordeste, eu sou do Forró, mas como que eu me encaixaria e seguiria um padrão, se eu posso passear por todos eles? Então com certeza, os outros projetos, vêm e as pessoas não sabem o que esperar de mim. Assim foi o Michele No Sertão Das Mravilhas. Aí eu venho com “Forrózinho Pagodinho”, que daqui a pouco vem volume 2 e que é uma mistura de Forró com Pagode. O projeto de verão, como será que vem? Eu tenho essa liberdade, eu acho muito divertido fazer isso. A gente se diverte muito nesse processo. E é um projeto sempre. Todo projeto tem o seu lado muito cultural ali, tem a sua história. A gente nunca lança nada por nada”.

O Futuro:

Sobre como Michele vê esse momento especial da carreira e seu futuro, ela contou “Eu estou muito grata, até aqui, eu estou realmente vivendo um momento muito especial. Mas trabalhei muito, né? Pra isso a gente trabalhou pra caramba. Fico muito feliz. Ontem foi um dia muito emocionante pra mim. Eu parei, assim, realmente pra assistir o projeto todo. E ao mesmo tempo, eu parei pra ver as mensagens nas redes sociais. Ontem eu tava tão emocionada, tão emocionada vendo tudo. Pra mim é surreal estar vivendo isso. Eu agradeço muito ao público, toda hora. Eu tento ser recíproca com o público. A todo momento, às vezes eles falam ‘Ah, a Michelle é tão massa, a Michelle faz isso, faz aquilo’. Participei de muita ação. Porque eu falo sempre com a minha equipe, ‘Gente, eu tento ser recíproca. Eu não quero ser uma artista que estou ali pra espalhar minha música e só vem a nós, escuta aí minha música, consome aí meu show’. Então, eu acho que eu sou tão abençoada por ter público, por estar em grandes palcos, que eu quero toda hora, eu fico querendo ser recíproca com o público e pagar de alguma forma, assim, sabe? Porque eles me colocam no lugar maior do que eu imaginava. Eu trabalhei muito, mas eu não imaginava, sendo bem sincera, que eu fosse tão longe, que eu fosse chegar até aqui. Isso tudo é muito grande pra mim, é grandioso demais. E os meus pontos pro futuro, eu nunca sei. Eu planejo projetos, a gente planeja, vamos planejar o segundo semestre. E quando eu olho, eu digo, não acredito que eu tô aqui, sabe? Então eu nunca sei, a gente tem projetos planejados, mas o próximo ano só Deus sabe, porque eu não paro, eu acordo e durmo pensando nisso, sabe? Em projeto, em trabalhar, em ir ao São João, como é que vai ser? A gente já tá falando de Verão, de Carnaval, o São João nem chegou. Então, sendo bem sincera, eu não vou falar aqui palavras bonitas de ‘ah, o futuro, porque temos um…’ Não sei. A gente está trabalhando muito para que seja especial. Mais um ano, o 2027, vai ser muito especial, se Deus quiser”.

Foto: Divulgação / Instagram (@micheleandrade)

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