EQUILIBRIVM II

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Anitta acaba de lançar o tão aguardado álbum “EQUILIBRIVM II”, a segunda parte do projeto mais conceitual da carreira da cantora, e que aprofunda ainda mais essa jornada espiritual em um lugar mais contemplativo e maduro. O conceito continua sendo o equilíbrio, mas agora entre o sagrado e o terreno. A própria cantora já definiu a obra como um ritual.

Capa de EQUILIBRIVM II – Foto: André Nicolau

“Você Já Sabe Quem Chegou”, com participação de Los Brasileilros, abre o álbum com chave de ouro dando um gostinho do que vem por aí já de cara mostrando o quão delicioso está esta nova era da cantora. Uma faixa com toque de Funk, que fala sobre generosidade dar a volta por cima e levantar toda vez que cair. Seguindo a mesma linha e falando também sobre orgulho de sua origem, “Sal Grosso” (feat com KBrum), nos traz um Funk bem gingado e que faz referência a símbolos de proteção como patuá e sal grosso. Um convite a deixar o mau olhado pra trás.

Trazendo ainda mais brasilidade ao projeto nomes incríveis da MPB entraram em ação junto a Anitta. Em “Não Me Cutuca”, ela ia Alceu Valença trazem uma canção bem MPB com bastante Forró e que fala sobre não mexer com quem está quieto. Já Mestrinho acompanha a cantora em “Eu Não Sou Santa”, um hino sobre fé resiliência e nunca desistir por mais que o caminho seja difícil.

Aquele Sambinha não podia faltar. Em “Feitiço” Anitta e Mart’nália unem forças para nos lembrar que por mais que tentem nos derrubar nunca vamos desistir e nunca cairemos e que quando se faz o bem tudo dá certo.

Foto: André Nicolau

Já Maria Bethânia e Letícia Fialho, chegam para habilitar ainda mais o projeto em Ogum me rodeia. Uma grande homenagem a Baía de todos os Santos e a Ogum o orixá da guerra, da coragem, da força, do trabalho e dos caminhos.

Mais uma vez a Anitta mostra que sabe fazer MPB da boa com “Ponta Do Pé”, que traz um delicioso violão e instrumentos de sopro que dá um toque todo especial esta canção que mistura bossa nova e samba. Um grande hino sobre liberdade.

Anitta também trouxe Reggae do bom em duas faixas. A primeira, em parceria com Alexandre Carlo, “Abre Caminho” fala sobre viver a vida livre sem pressa, sem medo e buscando sempre a felicidade. Já “Tudo Isso”, uma das melhores do álbum, Anitta canta sobre a maturidade nos mostrar que não temos controle de tudo e que tá tudo bem e que não devemos nos preocupar com o que é desnecessário. Um lembrete de que jamais devemos negociar nossa paz e nosso tempo.

Foto: André Nicolau

Trazendo muito empoderamento feminino, mc tá chega com tudo junto a Anitta mais uma vez lembrando da importância de seguirmos com a cabeça erguida curtindo as coisas boas e simples da vida. Uma música leve e gostosa que com certeza é uma delícia, ouvir para começar mais um dia de rotina começar.

O feat swingado com KING Saints, “Deus Mãe” exalta a figura materna, que devemos sempre valorizar, e que representa tanto as mães, como a nossa ancestralidade.

Anitta também trouxe o Grupo Ofa, em “Contemplação”, uma música deliciosa que começa com um mantra, que conduz uma letra sensível e poética e que nos faz lembrar, que cada obstáculo no caminho e nossa resiliência, nos faz evoluir, e que assim ficamos muito mais fortes para enfrentarmos qualquer obstáculo. Quem vos escreve se sentiu muito conectado com esta canção.

Outra canção belíssima é “Pra Você Gostar Dê Mim”. Seu arranjo com bastante violão combina demais com a sensibilidade que a letra traz. E além de tudo isso ganhamos um belo sample da canção “Ta-Hí (Pra Você Gostar de Mim)”, um clássico composto por Joubert de Carvalho e eternizado na voz de Carmen Miranda em 1930. Que homenagem linda!

Foto: André Nicolau

Em uma homenagem à Bossa Nova e ao Rio de Janeiro, “Divino Sexual” nos faz sentirmos, estando lá pela década de 1930, pertinho de um rádio de pilha e ouvindo aquela canção clássica. Já “Respira”, nos lembra que devemos sempre aproveitar a vida e as coisas simples que fazem toda a diferença e que o que mais importa na vida é ser feliz. A canção traz uma linda referência à carreira de Anitta e de todos os pré julgamentos que ela sofreu, e que foram combustível, para que ela simplesmente brilhasse, e o melhor por esforço próprio sem desistir.

E uma grata e deliciosa surpresa do disco é a versão em espanhol do clássico de Djavan, “Azul”. Sem dúvida é uma das coisas mais lindas que a Anitta já gravou.

E para fechar o disco também com chave de ouro, temos “Okê”, em parceria com Brô MCs e Katu Mirim. O nome da faixa é uma saudação em Iorubá a Oxóssi, orixá da mata, da caça e do conhecimento. No Candomblé e na Umbanda, o grito ecoa como “Okê Caboclo!” ou “Okê Arô!”, uma chamada ao caboclo, o dono da mata, o guardião da floresta.

Foto: André Nicolau

Brô MC’s, é o primeiro grupo de Rap indígena do Brasil. Formado no Mato Grosso do Sul, em Dourados, pelos manos Bruno Veron, Clemerson Batista, Kelvin e Charlie Peixoto, do povo Guarani e Kaiowá, o grupo canta em guarani e português. Já Katú Mirim, é rapper, cantora e ativista do povo Boe Bororo, de Mato Grosso. Um dos nomes mais potentes da nova geração do Rap indígena feminino.

O novo álbum de Anitta é, simplesmente, uma delícia de ouvir. Assim como o primeiro volume de “EQUILIBRIVM”, o trabalho entrega uma experiência que transita com naturalidade entre momentos de introspecção e explosões de alegria. Como a própria cantora definiu, é um projeto que nos leva “da meditação à completa folia”. E essa proposta funciona muito bem, resultando em um disco leve, envolvente e que nos convida a nos permitir sentir cada emoção.

Foto: André Nicolau

Inicialmente, Anitta revelou que a segunda parte do projeto seria composta por músicas em inglês e espanhol. No entanto, a decisão de mudar os rumos e apostar, majoritariamente, no português mostrou-se um grande acerto. Com apenas uma faixa em espanhol, inspirada em um clássico da música brasileira, e outras 16 canções em português, “EQUILIBRIVM II” fortalece a identidade do projeto e preserva sua essência. Caso o álbum tivesse seguido o plano original, com predominância de outros idiomas, parte da personalidade e da autenticidade que marcam essa era poderia ter se perdido.

Mais do que complementar “EQUILIBRIVM”, esta segunda parte aproxima Anitta ainda mais do público brasileiro, sem deixar de dialogar com os fãs ao redor do mundo. O álbum transmite uma mensagem inspiradora sobre valorizar as próprias raízes, abraçar a própria identidade e confiar na própria intuição. Ao seguir aquilo que realmente fazia sentido para ela, Anitta entrega uma obra sincera, que reforça a importância de acreditar no próprio caminho e de nunca ter medo de ouvir o coração. No fim das contas, é exatamente isso: um convite para celebrar quem somos, com leveza, coragem e muita música.

– Ouça o álbum em sua plataforma predileta : anitta.lnk.to/EQUILIBRIVM_II.

Foto: André Nicolau
Foto: André Nicolau

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