Paula Fernandes – Coletiva de Imprensa

Paula Fernandes – Coletiva de Imprensa

Dando pontapé inicial ao projeto “30 & Poucos Anos“, Paula Fernandes lança a canção “Era Eu”, inspirada em sua vida e sua carreira.

Para falar sobre o novo audiovisual, que celebra seus 30 anos de carreira, Paula convocou a imprensa de todo o país para uma coletiva online. E o Portal Me Gusta teve o privilégio de participar.

Artista contou um pouco mais sobre o single novo, sobre o projeto comemorativo, sobre sua carreira e sobre seu retorno ao palco da Festa do Peão de Barretos.

Paula Fernandes durante a Coletiva

Confira a seguir o que Paula Fernandes contou:

Nova Música “Era Eu”:

Antes de responder às perguntas dos jornalistas, Paula contou um pouco sobre a nova música e o que ela representa pra cantora. Segundo ela, “Primeiro quero agradecer vocês por, né, pela pela presença aqui em casa. É, é um momento muito importante para mim de celebração de trinta e poucos anos, que são exatos 34 anos. Vamos por partes, né, porque são muitas coisas, são muitas informações. É, essa música ela é, ela é muito, ela é muito especial para mim, não que as outras não sejam, mas ela, vem num momento muito bom, vem na hora certa para mim, porque eu, eu vivi uma busca insana a vida toda. Vocês sabem que eu comecei a cantar muito nova, e eu sempre vivi com aquele ‘se’, né? ‘E se eu não tivesse começado a cantar, como é que seria a minha vida?’. E, e eu sinto mesmo que, quando minha família percebeu que tinha uma criança prodígio em casa, eles pegaram aquela criança pela mão. A Paula Fernandes, que eu costumo separar uma uma da outra, porque eu acho isso importante, que pouca gente conhece a Paula de Souza, e, talvez, eu possa até mostrar um pouquinho mais dela para vocês hoje. Eu sinto que aquela Paula de 8 anos ficou lá, porque eu sempre senti uma uma discrepância muito grande na minha evolução como pessoa, como ser humano, como mulher e como artista. Então, o artista voou e a menina continuou lá, e isso foi por uma vida assim. E nessa música, eu pude resgatar quase como, não é terapia, mas é terapêutica, como se eu tivesse tido a oportunidade de vir reencontrar essa figura, essa pequena Paula, e eu achava que eu ia me deparar com uma criança triste, num lugar escuro, num cantinho, sentada. Eu sempre via ela assim, agachada, assim. E, e quando a letra da música foi vindo, eu fui entendendo, primeiro, que se tratava de mim, que era aquela pessoinha que eu estava encontrando, era a Paula pequena, e ela estava num lugar bom, ela não estava num lugar triste. E aí a emoção da música, que é um é algo real, porque aconteceu para mim, e nesse, realmente, encontro interno, é que eu pude descobrir que ela era eu e pude dizer para ela que a gente tinha andado certo. E que um dia ela seria, eu, ela seria, né? E, é impossível não me emocionar todas as vezes, porque eu acho que contra a verdade não existem argumentos. E ela é muito muito profunda. E esse choro aí do show, realmente, eu não pude conter, porque foi uma sensação de alívio e de cura, ao mesmo tempo, para mim. Porque esse encontro, ele era necessário para que eu pudesse equilibrar as duas Paulas. Porque eu ainda continuo tentando resgatar a criança, a adolescente, aquela mulher de 20 anos que eu fui, que eu deixei de ser, por conta do meu trabalho, eu sempre trabalhei demais. Eu sempre fui uma máquina de trabalho, então eu acabei por uma questão de necessidade, e eu acabei deixando essa pessoa mesmo, essa menina para trás. E ela me faz muita falta, só que hoje eu sinto que ela está muito mais presente, ela está muito mais perto de mim, e eu sei que tem um longo caminho para frente, já que não vai dar para brincar e nem ser uma adolescente rebelde, né? Mas eu acho que esse resgate vai acontecer cada vez mais forte na minha vida, para que eu seja uma pessoa mais feliz, porque eu sou muito realizada no meu trabalho, mas a pessoa, às vezes, eu sinto, sabe, aquele desequilíbrio natural que me faz com faz com que eu, eu às vezes me sinto um pouco incompleta. Mas cada dia mais completa diante desse meu reencontro comigo mesma, sabe? Então é isso, é, essa música realmente foi muito difícil de cantar, mas eu estava bem ansiosa. Eu tô muito orgulhosa dela, porque é muito legal a gente poder escrever a história da gente, contar a história da gente através de música, e música é a mensagem mais bem assimilada do que que falando. ‘Era Eu’, eu acho que dá o pontapé inicial nessa comemoração, nessa celebração, para dizer que eu não sou um produto fabricado, eu não sou uma artista produzida para fazer sucesso, eu sou uma artista genuinamente original. Acho que aquela menina sempre teve talento, eu vejo as coisas que eu gravava naquela época, eu achava ela meio um etezinho, assim, porque ninguém me ensinou aquilo, né? E, eu acho que é isso mesmo que eu vim para fazer na vida, e que bom que eu estou tendo a oportunidade de não só exercer essa minha missão, mas também poder resgatar, celebrar, viver esse momento tão legal, assim, sabe? Porque eu sou uma jovem veterana, e tem um mundo aí pela frente, mas muita coisa para comemorar”.

Qual conselho Paula daria a ela mesma, mais nova sobre como lidar com a fama e sobre sua carreira?

Ah, eu assim, eu faria tudo de novo. Mesmo porque deu certo. Eu acho que, talvez pelo fato de ser muito perfeccionista, eu acabei me cobrando demais. Eu acho que se eu pudesse voltar no tempo, isso eu faria diferente. Essa minha autocobrança, essa necessidade de fazer a melhor entrega, um rumo. Há uma perfeição que não existe. Eu acho que eu diria para ela, tipo ‘você vai errar, não vai ter jeito, vai ter seus tropeços. A hora que você tiver em dúvida, respira, mas perfeito não vai sair. Faça o seu melhor e não inventa nada, faça só o que você sabe fazer’. Eu fiz isso, mas, talvez, eu tenha me cobrado demais. Eu sempre fui muito severa comigo mesma. E isso acaba tirando um pouco da espontaneidade, sabe? Essa espontaneidade que eu acho que, nesse momento, eu tô vivendo muito mais. Eu até falo, ‘poxa, eu tô vivendo a melhor fase’, porque eu hoje tenho esse equilíbrio, né?

Eu tenho essa leveza diante do que eu estou fazendo, que me permite mais ser mais espontânea e curtir também mais o que eu tô fazendo. Não me cobrar tanto. Porque isso é do meu instintivo, eu não sei, ninguém me ensinou isso, a minha mãe não ficava me cobrando, ‘porque você tem que ser a melhor cantora’, ‘porque você tem que ser a melhor aluna’, ‘porque você tem que ser a melhor no basquete’. Eu jogava basquete, e eu lembro que eu me cobra a vida inteira, de milhões de maneiras, e eu lembro que quando eu tinha uns 13 anos, eu disputava em casa quem tirava mais A na escola. E o dia que eu tirei meu primeiro C, eu tive quase febre. Era um excesso de cobrança minha interna, de entregar, de ser, de encontrar essa perfeição que não existe, que realmente eu acho que me atrapalhou bastante, mas já faz um tempo que eu tô trabalhando isso em mim, sabe? De maneira que eu consiga oferecer sempre o meu melhor, porque eu não sei trabalhar e nem fazer nada sem excelência, porque eu não acho que vim aqui de viagem de férias, eu não acho que eu tô aqui para brincar com a vida, com as coisas, mas de uma forma mais leve, sabe? Eu acho que eu consegui agora encontrar esse, esse equilíbrio, assim.

Fazer diferente do que diziam para Paula fazer. Teve algo nesse sentido, que marcou a artista, por ela ter ido na contramão e ter dado certo?

Eu acho que, de bate-pronto, eu sofri pressão para mudar de lado várias vezes. Desde o princípio, desde quando eu pareci na gravadora a primeira vez, e disseram que a música lenta não dá certo, que ser compositora não dá certo, que mulher não dá certo. De cara, só por ser mulher, só por ser compositora, só porque quer cantar música de mensagem, eu sofri pressão uma vida. E depois que as coisas aconteceram para mim, aí começou outra pressão, e ‘aí e o hit? E o hit? O próximo hit? E o próximo estouro? E o pipoco? E o hit? Espera aí, gente, eu levei 15 anos para poder compor um um álbum que vendeu 2 milhões e meio de cópias, vocês estão querendo que eu componha um sucesso em 15 minutos, não funciona assim, né? E, e eu meio que vim contra a maré, uma vida, porque, eu sei que as coisas mudam, que vai renovando, mesmo, e tudo bem, eu acho que é isso mesmo. E a gente tem que se repaginar. Mas, perder minha essência, sabe? De jeito nenhum. Eu acho que se eu quero ser referência, eu tenho que me permitir ser o que eu sou e arriscar mesmo. Porque erros eu vou cometer, mas eu acho que eu acertei muito mais que errei, mesmo porque eu tô aqui, celebrando 30 e poucos anos de carreira, e com força total, assim, vivendo uma fase mais equilibrada de agenda, de entrega, de tudo.

Tipo, hoje eu tô aqui na minha casa, hoje, entendeu? Eu não tô na loucura de uma estrada agora. E no final de semana eu vou estar com o meu público, eu vou estar com meus fãs, entendeu? Eu acho que do jeito que eu estava vivendo era insano. Eu faria de novo, faria, mas eu acho que tudo tem uma fase. E, e eu acredito que esse equilíbrio me trouxe um bem-estar assim, e eu posso estar mais plena naquele momento lá. E, então, respondendo à sua pergunta, queriam que eu lançasse uma música mais tendência porque todo mundo está fazendo. E eu não sou todo mundo, eu não vou ser todo mundo, eu não sou melhor que todo mundo, mas se eu sou uma referência, eu tenho que me bancar, posso me bancar. Me banco desde os 8 anos de idade, quando o povo me perguntava: ‘Você canta igual a quem?’. Eu olhava: ‘Igual a eu’. ‘Mas se tá compondo igual a quem?’ ‘Ué, do jeito que eu gosto, que eu quero’. E eu me banco, entendeu? Certo, errado, agradar, desagradar, isso faz parte. Mas é muito importante a gente não esquecer quem a gente é, de onde a gente vem, e o que é que a gente quer da vida, né? Eu vim para fazer música original, entendeu? Música que sai do coração mesmo para as pessoas.

A nova turnê de Paula terá sua estreia no palco de Barretos, após de 10 anos. Como está a expectativa da artista? Paula está mais emotiva? Virão surpresas?

Ah, eu tô emotiva com tudo. Eu lembro que fui recordista de público lá, não sei se há alguém que já tenha colocado numa quinta-feira tanta gente lá em Barretos, eu tenho até procurado saber. Eu tenho muitos motivos para ficar feliz e emotiva, porque primeiro que eu tive que mexer nos meus guardados todos para para compor o álbum, para cantar o álbum, para produzir o álbum, para dirigir o álbum. E mexer nos meus baús, minhas fotos e tudo, e de repente a gente vai estrear uma turnê nova no Barretão, né? E é uma grande responsabilidade, coincidentemente vai ser no dia do meu aniversário, um presentão que eu vou receber. E essa turnê vem com um pé na porta assim mesmo, sabe? Porque é uma virada de chave em mim, e, muito mais madura. É um show que vai ter muito do álbum, mas eu também vou adaptar muita coisa pro pro Barretos, porque eu acho que é bem importante, sim. E como eu canto inglês também, e nós tivemos vários embaixadores aí, durante esses anos de Barretos, eu vou trazer um pouco disso, que também acaba sendo referência para mim desde sempre. Agora também tá mais na moda, né, o o cowboy, o Western, né, a música Folk, mas eu faço música Folk desde que eu entendo por gente, eu faço com música Country desde que eu entendo por gente, mas quando eu apareci, existia uma certa resistência com esse rótulo, né? Tanto é que eu usava chapéu, o pessoal ficava: ‘Ah, mas você tá limitada demais ao chapéu’, e acabaram tirando o meu chapéu da minha cabeça durante um tempo e tal. Mas agora eu estou igual pinto no lixo, gente. Porque eu sempre fui Folk, sempre fui Country, e com esse sertanejo trazendo a mineridade, o sertanejo que é a cara do Brasil. E agora realmente posso botar espora, entendeu? E botar minha bota lá, botar chapéu na cabeça, trazer a roupagem, os elementos que eu sempre gostei para as canções e e deixar o show muito mais ainda, mais ainda a minha cara, assim, sabe? Essa coisa tradicional mineira misturada com a musicalidade muito do Brasil e muito minha, porque eu não gosto de me rotular desde que eu entendo por gente também, porque eu acho que eu faço uma música muito Paula Fernandes, sabe? Eu acho que outras pessoas podem até cantar as minhas músicas, mas ninguém vai interpretá-las como eu interpreto, porque são genuinamente Paula Fernandes.

Então lá eu vou estar com a minha digital, com a minha com a minha essência toda lá no palco, e a gente tá com o cenário lindo, o conteúdo tá lindo, a gente vai ter uma mega banda lá, o figurino tá lindo. E eu vou apresentar um dia antes, né, que a gente vai e também receber um presentão de poder estar na arena grande, montada num cavalo, para cantar ‘Ave Maria’ na arena, para abertura lá do rodeio. ‘Ave Maria’, para quem não foi, foi uma música que colocou comida na minha mesa há muito tempo, e era o sustento da minha casa, porque eu cantava ‘Ave Maria’ nos rodeios, quando eu era pequena, e até os 15, 16 anos. E eu fiz isso depois de adulta também, mas naquela época era bastante. Então, eu acabei colocando ela no DVD também para em agradecimento mesmo, né? Não podia faltar ‘Ave Maria’ nesse DVD, que eu chamo de DVD, mas é audiovisual.

Pergunta feita pelo Portal Me Gusta: Paula, você está fazendo 30 anos de carreira, muita coisa mudou no meio da música. E a gente tem todas essas cantoras maravilhosas, poderosas da Música Sertaneja. Como que você vê, a mulher no Sertanejo, e essa evolução de 30 anos atrás até hoje? Como foi? Como é hoje ser mulher no Sertanejo?

Olha, eu, eh, eu tenho muito orgulho da minha história, muito orgulho de tudo que aconteceu até agora. Nós tivemos aí, cantoras valentes, né? Eu acho que antes de mim ainda era mais difícil do que quando eu cheguei, estreei como artista, porque naquela época, eu acho que o preconceito era muito maior, era um negócio meio que bem de casa. As mulheres não podiam usar em querer virar artista ou cantora, porque os pais mesmos já diziam que era coisa de mulher da rua. Aí se casava, o cara queria limitar, não queria deixar cantar. Acho que tem vários motivos para gente não ter tantas cantoras femininas. Quando eu cheguei e que eu estreei mesmo no cenário, claro que eu, obviamente, senti muita resistência, mas na hora que as coisas realmente aconteceram foi muito gratificante ver que na época as plataformas estavam acontecendo. O YouTube, porque quando eu estourei mesmo, não tinha internet, não tinha esse poder que tem hoje. E quem dera. Seria incrível. Aí eu comecei a perceber que realmente é um movimento diferente, em que as meninas estavam começando a cantar, o jeito de mato, o pássaro de fogo e tal, beleza. Eu acho que agora a gente vai engrenar e colocar a mulher onde ela merece. E aí, quase 10 anos depois começaram a aparecer as meninas, né, a Marília, a Maiara e a Maraisa, depois também a Lauana, e a Simone agora que tá super bem, a própria Ana (Castela). E é realmente motivo de orgulho saber que de certa forma, lá atrás, eu comecei a pavimentar uma estrada que hoje vai ser pavimentada por elas, por nós.

Para uma nova geração que vai se renovando, eu acho que muitas portas vão se abrindo, e eu sinto que tem um caminho longo ainda pela frente, porque, infelizmente, desde que o mundo é mundo, existe um preconceito cruel contra a mulher, uma negligência e uma brutalidade, assim, para falar da mulher. Mas eu acho que já melhorou muito. Eu sempre falo nas minhas entrevistas, que acho que as grades de shows ainda tem homens demais e mulheres de menos. Eu acho que a gente merece mais espaço nesses grandes eventos, porque cada um fazendo do seu jeito, com um repertório incrível, levando entretenimento, levando sua mensagem, a gente precisa desse palco, entendeu? Mas estamos aí, firmes e fortes. A gente vai alcançar o que a gente merece, mas ainda tem um caminho pela frente.

E quais versões da Paula Fernandes a gente vai conhecer nesse novo álbum? Tem alguma outra música que vai falar sobre a Paula de Souza adolescente, ou a Paula Fernandes jovem adulta e outras versões?

Então, é provocativa a sua pergunta, e tem coisa que eu ainda não vou poder contar. É, eu não vou dar spoiler, não. Mas digamos que lá eu tenha outros resgates, sim. Eu não posso falar. Algumas canções resgates, sim, mas eu acho que aquela Paula que tá no palco lá, ela é por si só, ela já fala na postura, sabe? E na entrega, porque ali eu já estava à borda desse equilíbrio, desse resgate de nós todas. Essa mistura toda, eu pude trazer através dos conteúdos também. A gente teve um cenário, acho que o cenário mais incrível que eu já tive na minha vida, todo feito em projeção mapeada. A gente teve a Epson como parceira nesse, nesse projeto que trouxe uma grandiosidade para um cenário que é orgânico, e ao mesmo tempo, todo tecnológico. Não era cortina de LED, mas todo mundo podia ver e quase que a sensação que podia tocar naquelas imagens, assim trazendo uma continuidade dentro do palco, daquela boca de cena. Então, acho que o conteúdo também vai retratar um pouco dessa minha evolução e desse meu resgate, sabe? Porque, eu trouxe, e levei a minha casa, a minha casa para aquele palco também. Eu pude levar a Paula de Souza para aquele palco, eu levei as minhas costuras, porque agora eu, além de desenhar as minhas roupas, pude confeccionar uma delas para o show. Então a gente captou imagens daqui, imagens dos cavalos, imagens do meu lago, e eu pude trazer um pouco dessa garota. Então, a parte visual, vocês vão poder ver bastante e a parte musical, paro por aqui, porque eu não posso dar spoiler.

Resgate e fazer as pazes com o passado. Paula Fernandes sentia essa necessidade de revisitar a Paula Souza lá de trás, há um tempo? A quanto tempo estava pensando num projeto desse para se reencontrar?

Olha, a terapia existe a vida toda. A música é que foi um presente, porque eu acho que não tem nada por acaso, né? E tudo meu sempre foi muito orgânico, assim, muito natural. Aconteceu num processo de composição do álbum, eu sentada com alguns compositores. Inclusive, ela (‘Era Eu’) é minha parceria com o Juan Marcus, que, inclusive, é uma parte da história. A gente estava ali compondo, ele veio aqui para casa, a gente estava compondo, e no intervalo de uma composição a outra, a gente saiu para caminhar. Eu contando a minha história para ele, e ele falou: ‘Poxa, Paula, mas foi uma menina que não foi criança. Por que que você não escreve sobre isso?’ Então, a coisa meio que caminhou, a partir disso, ele foi o gatilho, para depois a gente sentar. E aquilo ali acabou como uma luva, sabe? Simplesmente caiu. Então, eu acho que nada acontece por acaso, esse resgate meu, terapêutico, vem acontecendo uma vida, porque eu faço análise, faço terapia a vida inteira, mas a música acabou sendo um grande símbolo desse encontro meu com ela. O que acontece todos os dias e a cada vez que eu ouço, eu me empolgo, não tem jeito, porque é muito profundo meu, é muito genuíno, é muito. Tocou num lugar que na alma que eu, nas minhas terapias eu não consegui. Então, respondendo, eu acho que era uma busca minha há muito tempo desse resgate, mas musicalmente, eu recebi um presente, né? Porque a inspiração veio e eu pude trazer esse encontro aí para para as pessoas, e é engraçado, das primeiras pessoas que eu mostrei, uma foi minha manicure. Eu não queria mostrar para ninguém que tivesse nenhuma relação afetiva comigo. Essa mulher saiu daqui soluçando, ela tava em prantos. A gente vai lá, independentemente da história, você vai na criança que você foi, não tem jeito, e a música faz realmente um portal e ela foi uma uma das minhas cobaias. E ela a curtiu muito. ‘Era Eu’, todo mundo que eu mostro acontece, tem essa essa mesma reação.

Foi o maior desafio na carreira e na vida, reconhecer a Paula de Souza, diante do sucesso?

Eu acho que desafio a gente vive todo dia, né? Porque a gente está sempre construindo uma pessoa melhor que ontem. Resgatar agora foi difícil, eu acho que tudo, nossa, tanta coisa foi difícil. Viver miséria foi difícil. Sair de onde eu saí foi difícil. Não tinha dinheiro para nada, morava num barraco com a minha família, com lá em São Paulo, e, sabe o que eu nunca passei fome, mas muita coisa difícil. Ser mulher no meio foi difícil. Aí, depois que conquistei, começou a vir um bombardeio de informação e uma criação de repente de uma personagem que eu não sou, isso também foi difícil. Ir se mantendo o sucesso é mais difícil que chegar, eu acho. Mas eu tenho muito orgulho de ser uma representante de quem conquistou, quem chegou e se mantém. Eu acho que é cíclico, a gente sabe que às vezes vai ter uma turbulência ou outra, mas o importante é manter o vento. Eu até falei esses dias que quando tá no céu é mais fácil soprar. Tirar do chão que é difícil. Então, depois que eu tirei a Paula Fernandes do chão, está difícil, não é fácil, continua não sendo fácil. Mas a experiência vai trazendo novas formas de encarar esses desafios e tudo, e tá legal, tá bom. Eu tô curtindo, eu tô curtindo a vibe.

Paula se reconstruiu durante os anos e foi difícil. Após essa reconstrução, o que podemos esperar dessa nova mulher, mais forte, com mais imposição e com mais poder hoje sobre a própria vida?

Então, eu acho que essa nova Paula já vem acontecendo desde o momento em que eu comecei a não me cobrar tanto. E já tem alguns anos isso já. E o que mais o as pessoas podem esperar é, sempre, o meu comprometimento com o que eu faço, sabe? Porque eu sou altamente confiável. Se é para pegar para fazer um trabalho, eu vou fazer bem feito, se é para relacionar vou fazer bem feito, se é para ter amizade vou fazer bem feito, eu tento ser a melhor filha, a melhor companheira, a melhor irmã, a melhor amiga, e eu tento dar o meu melhor sempre. Então, eu acho que essa garantia de tentativa de acerto, as pessoas sempre vão poder contar com ela, de comprometimento, dedicação, e principalmente o meu trabalho. Eu sempre fui muito dedicada. Mas acho que essa leveza, que essa força, e sem perder a doçura. Tem uma frase que fala, da gente endurecer sem perder a doçura. E esse empoderamento, acho que nada como fazer 40 anos, e você se aceitar mais. Eu sempre fui muito complexada com tanto de coisa. Era complexo de tudo que você imagina. Era a época que eu me entupia de maquiagem, porque eu achava meu olho pequeno, aí eu fazia, usava não sei o quê, porque eu achava que isso aqui não estava bom. É uma auto cobrança que hoje não existe mais, entendeu? Então, essa aceitação, empoderamento e foco, e sem desfocar com bobagem, com coisa pequena, pouca coisa. Principalmente, eu acho que é essa coisa de aproveitar melhor o tempo. Tempo de qualidade, para estar com as pessoas, para estar no palco, para me dedicar às coisas, porque o tempo tá passando. A vida tá passando e o tempo não vai esperar ninguém. Então, eu acho que é isso que o meu público pode sempre esperar, de que eu seja realmente uma boa referência, assim, de quem erra, acerta, mas que não desiste.

Comments

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Portal Me Gusta

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo