O álbum “Escândalo!”, de Angela Ro Ro, ganha relançamento em vinil pela Universal Music Brasil.
Este terceiro LP de Angela Ro Ro (1949-2025), que a Universal Music reedita agora, foi realizado e lançado num ano crítico de sua vida, o de 1981. Após a separação turbulenta de “uma colega de canto, como ela costumava dizer, com sua ironia habitual, virar manchete escandalosa (e homofóbica) de todos os jornais do país, e de ela ter batido com seu carro, escapando ilesa por milagre, ela pediu a Caetano Veloso uma música. Ele veio então com o Blues “Escândalo”, uma obra-prima que acabou batizando e inspirando a arte gráfica de seu álbum daquele malfadado ano, que ela jamais esqueceu e do qual falou até morrer em suas entrevistas.
Produzido e arranjado por seu fiel escudeiro, o talentosíssimo Antonio Adolfo, “Escândalo!” marcou também seu encontro com a percussionista Naïla Skorpio,
à época casada com Guto Graça Mello, e com quem ainda teria um longo romance. Ela assina nada menos que cinco ótimas faixas neste LP, duas com Guto, o envolvente bolero “Perco o rumo” e o fox-jazz “Tão beata, tão à toa”, que três anos depois seria regravada por Marina Lima como tema de abertura da novela global “Corpo a Corpo”. Outras três de Naïla são em parceria com a cantora Sonia Burnier, irmã do cantor e compositor Cláudio Cartier. Uma é “Vou lá no fundo”, bastante debochada com clima jazzy. A segunda é o delicioso e algo erótico blues “Na cama”. E, por fim, “Mistério” é uma canção abolerada e sensual, das mais inspiradas, que assim como “Escândalo”, integraram trilhas de novela da época: “Brilhante” (1981) e “Elas por elas” (1982), respectivamente.

De sua lavra autoral, as cinco músicas que entraram são totalmente autobiográficas. Com seu amigo e um de seus primeiros incentivadores, Sérgio
Bandeyra, ela assinou três. “Perdoai-os, pai” é uma resposta sarcástica a seus detratores: “Mas nunca se esqueçam, eu nunca padeço/ Mas nunca se esqueçam de mim”. “Passarinho” é uma metáfora de liberdade, sobre suas detenções corriqueiras em delegacias, na época. “Coitadinha, bem feito”, bem como o belo samba-choro “Fraca e abusada”, este só de Angela, são duas lavações de roupa suja lésbicas jamais vistas antes na discografia de música brasileira. A faixa mais executada desse LP e mais lembrada nos shows da cantora vida afora foi “Came e case”, uma declaração de amor despudorada, bem a seu estilo: “E quando eu respiro lhe tirando o ar/ Você abre as narinas, doidas e felinas, pronta a sufocar!”.
Texto por: Rodrigo Faour para Universal Music e Imprensa
– O álbum já está disponível para pré-venda na UMusic Store : https://www.umusicstore.com/angela-ro-ro.







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