“Música Preta Brasileira”, de Sandra de Sá, ganha sua primeira versão em vinil.
Um dos trabalhos marcantes da trajetória da cantora, acaba de ganhar uma nova edição para os apaixonados por música e pelos formatos físicos. O projeto lançado originalmente em 2003, chega pela primeira vez ao vinil, em edição dupla disponibilizada pela Universal Music.
O álbum nasceu como uma continuação natural de “Pare, Olhe, Escute”, lançado por Sandra de Sá em 2002, quando a cantora revisitou em português clássicos da lendária Motown, gravadora fundamental para a história da soul music. No ano seguinte, a artista ampliou essa proposta e voltou seu olhar para grandes obras da música preta brasileira, reunindo em um mesmo projeto sucessos que atravessaram diferentes gerações.

Produzido pelo britânico Paul Ralphes, “Música Preta Brasileira” foi registrado ao vivo no Universal Up, espaço que funcionava na antiga sede da Universal Music Brasil, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O local, que tinha o formato de café-concerto, recebeu diferentes projetos importantes da MPB durante seu período de funcionamento.
O repertório evidencia a força de Sandra como uma das grandes intérpretes brasileiras. Entre Funks, Sambas, Soul e Baladas, estão alguns dos maiores sucessos de sua carreira, como “Demônio colorido”, primeiro grande hit da cantora, apresentado no “Festival MPB 80”, da TV Globo; “Olhos coloridos”; “Joga fora (no lixo)”; “Vale tudo”, composição que Tim Maia presenteou Sandra em 1983; e “Enredo do meu samba”, de Dona Ivone Lara e Jorge Aragão, que se tornou tema de abertura da novela “Partido Alto”, da Globo, em 1984.
O disco também recupera momentos importantes da carreira da cantora em canções como “Retratos e Canções”, “Solidão”, “Bye, Bye Tristeza” e “Sozinha”. Esta última, composta por Peninha, havia sido lançada por Sandra em 1996. Anos depois, a composição também ganharia uma conhecida interpretação de Caetano Veloso.
As participações especiais ajudam a ampliar a diversidade do projeto. Gabriel o Pensador aparece em “Boralá (Criolo Brasileiro)”, uma das duas músicas inéditas do álbum. A outra novidade é “Com Você Tudo Fica Melhor”, parceria de Sandra de Sá com Zé Ricardo.
Outro destaque é “Não Vá”, composição de Sandra com Mirna, que conta com a participação de Toni Garrido. O repertório ainda apresenta releituras de clássicos internacionais que já haviam sido incorporados ao universo musical da cantora, como “Qual É?”, versão de “What’s Going On?”, de Marvin Gaye, e “Nada Mais”, adaptação de “Lately”, de Stevie Wonder, que havia alcançado grande repercussão no Brasil na voz de Gal Costa.
Entre as surpresas do projeto está “Black Is Beautiful”, sucesso associado à interpretação de Elis Regina em 1971 e que, nesta versão, reúne três grandes vozes da música brasileira: Sandra de Sá, Alcione e Luciana Mello. O álbum também revisita “Não Pode”, do repertório de Tony Bizarro, e “As Dores Do Mundo”, um dos grandes sucessos de Hyldon, lançado originalmente em 1975.
A chegada de “Música Preta Brasileira” ao vinil duplo resgata um projeto que celebra a diversidade e a importância da música negra na construção da música popular brasileira. Mais de duas décadas depois de seu lançamento original, o álbum ganha uma nova possibilidade de ser apreciado por colecionadores e por uma nova geração de ouvintes, preservando um registro ao vivo que reúne diferentes momentos, estilos e referências da carreira de Sandra de Sá.
A edição em vinil duplo reúne as 19 faixas do projeto, distribuídas entre quatro lados.
Com essa edição, “Música Preta Brasileira” reafirma sua importância dentro da discografia de Sandra de Sá e ganha um novo capítulo em sua trajetória, agora também como peça de coleção em um dos formatos mais tradicionais da história da música.







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