“Tô De Bem Com A Vida”: 30 anos de um álbum que traduziu uma nova fase de Xuxa.
Em 5 de Outubro de 1996, Xuxa lançava pela Som Livre seu 16º álbum de estúdio. Mais do que um novo trabalho fonográfico, o disco representa um momento de transformação na carreira da apresentadora, que já percebia seu público crescendo e buscava uma sonoridade capaz de acompanhar essa mudança.
Produzido por Xuxa Meneghel, Michael Sullivan e Marlene Mattos, o álbum apostou em uma mistura bastante característica da música brasileira dos anos 1990, passando pelo Axé, Lambada, Merengue, Frevo e Pop latino. A proposta também era dialogar com crianças e adolescentes, público que continuava acompanhando a Rainha dos Baixinhos enquanto ela avançava em sua carreira.

O repertório trouxe 13 faixas, e guarda algumas histórias curiosas. “Ai, Ai, Ai”, por exemplo, foi composta originalmente para o cantor Falcão, mas acabou chegando ao repertório de Xuxa. Já “Brincar de Rimar” é uma regravação de uma música associada ao personagem Fofão, com a letra adaptada para a apresentadora.
Outro destaque é “Amiga”, uma homenagem a Marlene Mattos que teria sido gravada como surpresa para a então empresária de Xuxa. O álbum também ganhou ampla divulgação na televisão, com apresentações no Xuxa Park, no Xuxa Hits e videoclipes exibidos em especiais de 1996.
“Tô de Bem com a Vida” também carrega uma curiosidade histórica: Xuxa disponibilizou trechos das músicas na internet na época do lançamento, em uma iniciativa considerada pioneira para a divulgação de um álbum no Brasil.
Comercialmente, o álbum chegou ao 4º lugar entre os mais vendidos do Brasil, segundo o levantamento do NOPEM, e recebeu certificação de platina, correspondente a mais de 250 mil cópias.

Mas talvez o dado mais interessante esteja no que aconteceu com a faixa-título ao longo do tempo. Em levantamento do Ecad divulgado pelo gshow, “Tô de Bem com a Vida” apareceu como a 4ª música mais tocada de Xuxa nos dez anos analisados, ficando atrás apenas de “Parabéns da Xuxa”, “Ilariê” e “Estátua”.
E há ainda um marco simbólico: este foi o último álbum de Xuxa lançado em LP, em uma época de transição definitiva do mercado fonográfico para o CD.
30 anos depois, o disco permanece como um retrato de Xuxa Meneghel em plena transformação: ainda profundamente ligada ao universo infantil, mas experimentando novos ritmos, ampliando seu diálogo com adolescentes e incorporando novas formas de divulgação.

Um álbum que talvez não tenha alcançado o mesmo fenômeno comercial de alguns de seus antecessores, mas que registrou uma importante etapa da evolução artística e profissional de Xuxa nos anos 1990.







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