Por André Rossanez

Silva lança pela Slap, “Ao Vivo Em Lisboa”, seu novo álbum gravado em terras portuguesas e que traz uma roupagem acústica para sucessos do disco “Brasileiro” e pra hits consagrados da MPB por outros artistas.

Mais intimistas e acolhedores, os shows que deram origem ao disco, aconteceram no Cineteatro Capitólio de Lisboa, em Março de 2019.”Foram seis shows, duas sessões por dia, com ingressos esgotados e me deu o gostinho de tocar de um jeito enxuto minhas composições e músicas que considero joias da música brasileira”, revela Silva.

Sobre lançar o novo projeto, o artista conta “A princípio, eu tinha questionado essa decisão (dos equipamentos de gravação). Mas comecei a ouvir esses materiais e vi que os registros estavam lindos. Tínhamos ‘microfonado’ o teatro todo. Não tinha a intenção de lançar, era para guardar. Mas, quando eu vi que tinha esse material, achei que devia lançar”.

Silva logo de cara chega com sensibilidade e muita leveza, ao relembrar um clássico de Pixinguinha. Apenas voz e violão, “Carinhoso” nos faz nos sentir mais leves e com a alma flutuando ao ouvir a voz do cantor num tom bem suave.

A emoção toma conta da gente na nova versão acústica para “Prova Dos Nove”. É lindo ouvir o artista no melhor do estilo MPB e cantando como dizem, com um sorriso na voz.

Sucessos da MPB foram gravados por Silva neste novo projeto. Com voz e violão, “Bem Que Se Quis”, “Beija Eu” e “Infinito Particular” nos fazem viajar ao tempo, tanto pelas lembranças afetivas delas na voz de Marisa Monte, como pela turnê dele cantando apenas hits da cantora. E que lindo foi ouvir “Um Girassol Da Cor Do Seu Cabelo”, umas das mais lindas poesias de Milton Nascimento e que mais intimista nos faz nos sentir ainda mais próximos de Silva. Ótima e pra cima, ficou também o cover de “Canta Canta Minha Gente”, um clássico de Martinho da Vila e que fez Silva se jogar no Samba e levar a galera ao delírio.

Foto: Juliana Amorim

O artista também dá uma roupagem acústica a um de seus grandes sucesso, “Júpiter” que dá nome ao disco dele e que o fez ser conhecido nacionalmente. Uma faixa que tanto em 2015 quando foi lançada, como hoje, conversa muito com o mundo que vivemos e inclusive com a situação atual que vivemos. Imagina se pudéssemos ir a um mundo longe daqui, se este novo lugar tivesse paz e amor sem julgamentos. Essa imaginação nos faz pensar como podemos fazer da Terra um lugar melhor e mais justo.

Músicas do álbum “Brasileiro”, o anterior, não podiam ficar de fora. Bem ‘Bossa Nova’ temos todo o encanto de “Duas Da Tarde” que fala de natureza e liberdade e nos deixa leve como uma pluma. Só de ouvi “Milhões de Vozes“, conseguimos perceber que Silva se emocionou ao cantá-la e claro, nos emocionamos juntos, inclusive com a força dos aplausos da galera ao fim dela. “A Cor É Rosa” mesmo em versão acústico não perdeu em nada a vibe pra cima e tropicalista. E uma das faixas em que mais notamos a semelhança da voz de Silva com a de Caetano Veloso.

E é incrível como é sempre muito gostoso ouvir “Fica Tudo Bem”, uma canção solar e positiva que nos lembra que a as melhores coisas da vida são as mais simples e que tudo vai ficar bem. Destaque pra animação da plateia cantando o hit junto ao cantor.

Foto: Juliana Amorim

Silva acertou muito no repertório de seu mais novo álbum ao vivo. Ele soube escolher as grandes canções de seu disco “Brasileiro” e soube dar uma versão acústica muito bem pensada e com ótimos e simples arranjos pra grandes sucessos da MPB, que ficaram com a cara desse cantor que já é um dos melhores e maiores da nova geração.

Muito gostoso ouvir como a plateia se jogou junto com ele, algo que só artistas com muito carisma e talento conseguem. Não é à toa que o público de Silva o ama.